Blog da semana Advérbio de Moda
O novo blog de Nuno Miguel Guedes, jornalista, bom amigo, e a alma das noites de poesia no "Povo". Um escritor à espera que alguém o obrigue a publicar...
Uma boa frase “São todos inocentes até deixarem de ser. Nunca pensei, em toda a minha vida, que Portugal seria um desses países cheio de corruptos que associava às ditaduras da América do Sul. Mas vejo agora como a corrupção sempre medrou como a merda.", CAT,
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Domingo, 23 de Novembro de 2014

Sim, eu também acho um exagero - e “sinto” promiscuidade - na cobertura que os media, especialmente as televisões, estão a fazer do “caso” José Sócrates. Parece que há quem avise que o senhor vai aterrar, o senhor vai ser detido, o senhor vai ser ouvido, e no entretanto Felícia Cabrita “descobre” todos os indícios e presunções de delito e escarrapacha a matéria, com milhões contados e certezas deterministas, na edição online do “Sol”.
Mas, sem querer defender a classe a que tenho pertencido nos últimos 30 anos, deixem-me que vos diga: para quem está habituado a ver o criminoso sempre pobre, desgraçado, sozinho e doente, posso perceber algum entusiasmo quando, repentinamente, os presumíveis implicados são poderosos, ricos, bem acompanhados, e até talvez com saúde.
Não concordo e não faria assim. Mas percebo. É uma espécie de 25 de Abril, versão 2.0, só para jornalistas e agentes da justiça…
Só faltam nacionalizações e uma nova reforma agrária. Já estivemos mais longe.


publicado por PRD às 14:05
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. A deste mês saiu hoje, e vale a pena...)

Sei que este 2014 tem sido recheado de polémicas, mas confesso que aquela que mais me divertiu, talvez por se ter vivido no Verão, foi a que opôs os motoristas de táxi e os Tuk Tuks que repentinamente invadiram Lisboa. Vi e li várias reportagens sobre o tema - os taxistas queixam-se de concorrência desleal, falta de regulamentação, balda generalizada… - e o que retive foi uma imagem que, de alguma forma, marca a vida nas cidades portugueses nas ultimas décadas: a do choque entre quem se habituou a viver de “certa maneira”, protegida e sem risco, garantida e tranquila, e as novas gerações, que chegam ao mercado com vontade de ousar, sem medo de inovar, e acima de tudo sem preconceitos sobre horários, estilos de vida, formas de trabalhar. Não passa pela cabeça de um taxista a existência de um Tuk Tuk - mas passa pela cabeça de um dono de um Tuk Tuk que existam táxis. Faz toda a diferença.
É a essas novas gerações - já são várias, se começarmos a contar com o Bairro Alto dos anos 80 e 90 - que se devem os melhores lugares-comuns do ano: Lisboa e Porto estão na moda, o turismo cresce, a imprensa internacional põe no “top mais” uma ou as duas cidades, e vive-se uma dinâmica empresarial e comercial incomuns e provavelmente únicas nos últimos 100 anos. Restaurantes, cafés e bares, lojas conceptuais, hosteis, hotéis de charme, ideias loucas (como a das toalhas de praia Origama, para só citar uma…), ideias obvias (como a promoção do pastel de nata!), de tudo um pouco tem surgido nas duas cidades, e tem cimentado esta lógica de cidade pequena mas mexida, cool, com onda e com estilo.
Porém, o que explica o sucesso turístico de Lisboa e do Porto tem menos que ver com estrangeiros de visita a Portugal e mais com portugueses a viver as suas cidades. Se pensarmos nas grandes capitais europeias, quais são os lugares mais divertidos, onde apetece estar e viver a cidade? São os bairros e praças onde os locais também vão. Não há comparação entre a Torre Eiffel, pejada de flashes indiscretos, e Saint-Germain ou o clássico Quartier Latin; o Raval de Barcelona vale todo o Passeig de Gracia; se falarmos de Londres, Notting Hill ou Shoreditch ganham aos pontos a Picadilly, como já antes Covent Garden valia mais que o próprio Soho.
Quero dizer: o segredo do sucesso desta Lisboa e deste Porto renascidos das cinzas (no caso do Chiado, literalmente…), resulta das ideias e das dinâmicas empreendedoras de muita gente, claro que sim, mas também da circunstancia dos lisboetas e portuenses terem aderido e estarem a viver esta “movida”. Eu vi lisboetas no novo Mercado da Ribeira, ou no Mercado de Campo de Ourique, ou no Intendente, ou mesmo nas lojas da Catarina Portas, antes de ver por lá turistas. Os melhores lugares de uma cidade são aqueles que são vividos pelas suas pessoas, e partilhados com as que as visitam. Esta é a chave e o segredo do sucesso que vivem Lisboa e Porto. Saibamos preservá-lo, alimentá-lo, e tratá-lo com carinho.
Quanto à polémica dos taxis e dos tuk-tuks, bom, é verdade que os lisboetas não andam de tuk-tuk, por isso não se aplica a minha teoria sobre partilhas… Mas aqui entre nós: não fazia mal nenhum aos motoristas de táxi aproveitarem esta onda saudável de amar a cidade e quem nela vive ou a visita e, por exemplo, aprenderem inglês. Ou cultivarem o asseio e a simpatia. Talvez mesmo fazerem dos seus carros um melhor porto de abrigo para quem neles viaja. Ganhávamos todos com isso - e lá juntávamos uma vez mais os cidadãos e quem visita as cidades. Sérgio Godinho um dia cantou, e ninguém mais esqueceu: “isto anda tudo ligado”.


publicado por PRD às 13:51
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

povo.jpg

Tudo o que tinha a dizer sobre este lisboeta "Povo" está escrito neste post , não muito antigo, sobre o milagre das segundas-feiras.

Mas esta semana há boas razões para voltar ao "Povo": são três anos de vida, poesia e fado pela semana fora, sempre em festa, ali ao Cais do Sodré. Estive lá ontem - e, como de costume, estava cheio. De pessoas, de palavras, de poemas, de palavras ditas e por dizer.

Um conforto em tempos de tanta palavra maldita.


publicado por PRD às 13:14
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

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publicado por PRD às 13:44
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Sábado, 15 de Novembro de 2014

ME194T.jpg

Há sete anos, publiquei o meu primeiro post.
Sete anos depois, não estou arrependido, não desisto, e cá estou.
Com 1498 posts publicados (por pouco não havia número redondo..).
Com 8939 comentários dos leitores (só eliminei mesmo quem ofendeu, insultou, difamou ou acusou sem provas…).
Com 1.368.433 visitas.
Com 2.085.673 páginas vistas.
São numero simpáticos, muito generosos. Obrigado a todos, especialmente aos mais críticos, porque são sempre os mais estimulantes.

O blog é como a vida: continua. Já no próximo post.

(E agora vou ali fazer uma saúde ao Sapo, na pessoa do Pedro Neves, que discretamente vigia, ajuda e leva ao colo este bocadinho de mim.)


publicado por PRD às 13:11
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