Blog da semana À Esquina da Tecla
Um blog pessoal. Gosto especialmente dos passeios de domingo.
Uma boa frase “Ao contrário do que pensava Nietzsche, a “vontade de poder” não é um exclusivo dos mais fortes. Como a cobiça e a inveja, é um dos vícios dos fracos. Talvez o seu vício mais perigoso.", José Carlos Alexandre,
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

"Podes cortar todas as flores, mas não podes impedir a Primavera de aparecer".

Pablo Neruda

(Para a A.)


publicado por PRD às 12:24
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015

Recorrendo aos clássicos, via Citador:

toldo.jpg"Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros.
E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido".
Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar'


publicado por PRD às 14:59
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Sábado, 17 de Janeiro de 2015

quem es tu.jpgToda a gente acha que o Fernando Alvim é um “ganda maluco”, e há mesmo quem o menospreze ou desconsidere, pelo lado mais caótico com que organiza e vive “as suas cenas” - mas todas essas pessoas estão efectivamente erradas.
Com o grau de loucura que faz das pessoas normais pessoas interessantes, o Fernando, com o maior ou menor correria, mais ou menos caótico, atrasando-se permanentemente - mas por fim chegando -, organiza e produz dezenas de eventos que lhe dão prazer antes de lhe darem dinheiro. Faz televisão, rádio, revistas, livros, e nunca esmorece. O Alvim acrescenta qualquer coisa ao nosso mundinho molengão, enquanto aqueles que dizem mal dele estão no sofá a fazer nestum. Eu sou dos que gostam do Fernando Alvim e acham que mais Alvins faziam falta ao Portugal que diz mal de tudo e não se mexe um centímetro.
Por isso, sempre que posso e ele desafia, alinho. Ontem fui ao evento “Portugal, Quem és tu?” (que ainda decorre hoje, é gratuito, no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, até às 23.00, de que é que estão à espera??…). Cada orador convidado tem 10 minutos para falar de Portugal e lançar ideias para melhorar o pedaço. Ouvi ideias interessantes, boas, outras menos, algumas sonolentas, algumas desafiadoras. É mesmo assim quando se ousa e arrisca. Podem seguir aqui, se acaso preferirem o sofá...
Decidi falar sobre a mentira e a verdade, enquanto travão e motor de um país que só pode crescer quando soubermos ser sinceros e perceber o que está certo e errado no nosso universo. E para sair desse estado pantanoso de mentira, que cultivámos quase como virtude centenas de anos, defendi a educação, a formação, e dei o exemplo da experiência do meu filho na Austrália, e da integração e saudável conciliação que ali se faz entre escola e comunidade, entre o que se aprende e estuda e o que se dá para uma vivência comum.
Não trouxe nenhuma ideia original, apenas o que resulta da minha experiência e da aventura que o meu filho viveu. Mas saí daquela sala feliz e com a sensação sempre gratificante de ter dado qualquer coisa a outros, sem nada em troca.
E isso foi o melhor. Alvim, não desistas!


publicado por PRD às 12:13
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

exposicao_edp.jpg

Já muito se falou sobre este projecto, esta exposição, mas só ontem tive oportunidade de a ver (obrigado Ana Rita Ramos). E rendi-me. E quero voltar.
“7 Mil Milhões de Outros” é um encontro com a humanidade, com a diferença, com a proximidade. É a mais rigorosa tradução da frase “todos diferentes, todos iguais”. A partir de 6 mil entrevistas feitas por todo o mundo ao longo de 7 anos, com 45 perguntas iguais, em mais de 50 linguas diferentes, numa montagem temática que permite ao visitante ir saltando de tema em tema sem nunca se cansar, viajamos pelo planeta e conhecemos culturas, revimos dramas e alegrias, paixões e desilusões, preocupações e prazeres. Emocionamo-nos, comovemo-nos, rimos, sorrimos, aprendemos lições de vida, das mais simples às mais complexas. Durante um bocado, a nossa realidade reduz-se à insignificância de um ponto num Universo de sete mil milhões de pontos. Uma lição de humildade que saiu da cabeça de Yann Arthus-Bertrand, contagiou dezenas de colaboradores, e chegou a Lisboa por amor e paixão do Projecto Memória e das entidades que depois se lhe associaram. Montagens de video primorosas levam-nos pela cabeça de milhares de pessoas - e todas nos dizem respeito, mesmo as que parecem não nos dizer nada. Em cada palavra, um sentido. Em cada ideia, uma inquietação. Em cada desabafo, uma lição. Como se o Planeta fizesse o sentido que muitas vezes não lhe reconhecemos. Talvez faça, na verdade.
Quando saí da exposição, parece que o mundo se tinha refeito e o meu lugar recentrado. E foi bom.
(Até 8 de Fevereiro, no Museu da Electricidade)


publicado por PRD às 11:11
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Domingo, 11 de Janeiro de 2015

mar.jpg

 

Vivi intensamente esta semana em que todos fomos e somos Charlie. Pouco escrevi sobre o tema. Apenas um apontamento no Facebook, depois do desfecho de sexta-feira:
“Quiseram morrer, morreram. Não tenho pena nem me entusiasma (concordo com o Miguel Esteves Cardoso no Público, como de costume).
Porém, o facto de terem morrido não muda a sua condição: não vão ser heróis de qualquer pessoa de bem, qualquer que seja o credo. Serão para todo o sempre bárbaros assassinos”.
E não consegui escrever mais nada.
Não por não ter o que dizer, mas por sentir que todos dizem, todos falam - e no ruído não consigo distinguir o que faz sentido. Vivemos um tempo de barulho, confusão, ver quem se ouve mais alto. Parece que meio mundo procura captar a atenção do outro meio mundo. E todos querem dizer tudo em primeiro lugar. É fascinante, mas deixa-me muitas vezes atordoado e sem reacção. Leio os outros e sublinho aqueles com quem concordo. Prefiro seguir a repetir.
Quanto me noto redundante, escolho o silêncio. Talvez seja por isso que me sinta bem junto ao mar: nunca se repete, mesmo que as ondas sejam sucessivas; nunca me cansa, porque nunca é igual; obriga-me ao silêncio não por redundância, mas pela diferença.
Ainda é a diferença que me move e entusiasma.


publicado por PRD às 17:18
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