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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. A deste mês saiu hoje mesmo!)

Matéria recente numa revista de Televisão: “O meu filho quer ser estrela de TV. E agora?”. Só este titulo inspiraria uma tese de mestrado. O que é uma “estrela de TV”? Pode um pai deixar que a questão se coloque sem antes se interrogar sobre o absurdo da própria questão? Que raio de profissão é esta, “estrela de TV”?
O artigo era surreal nalguns pontos de um pretenso guia prático para pais cujos filhos concorrem a concursos de TV (com e sem talento): além dos miúdos faltarem às aulas para os ensaios e algumas gravações, o (cito) “encarregado de educação também deverá faltar ao trabalho”. Referências aos peculiares contratos que deixam menores de idade nas mãos de empresas de televisão, e ao facto de não haver qualquer espécie de assistência psicológica em caso de derrota, já nem me conseguiram surpreender.
Mas o artigo remeteu-me para um cantor de generosa idade que dizia numa entrevista algo como isto: “quando comecei, era preciso trabalhar para se ser conhecido; agora, é preciso ser-se conhecido para se ter trabalho”.
As duas realidades - a do artigo sobre “estrelas de TV” e a do lamento do cantor - cruzam-se no momento em que atingimos o grau zero da sensatez no mundo laboral. Já nada é garantido, válido, ou sequer lógico. Ter um curso ou não ter, ter talento ou não ter, ter experiência ou não ter - tudo é aleatório, caótico e imprevisível. Há quem cresça a querer “ser famoso” - e há pais que acham “isto” razoável e normal.
Se aceitamos que “ser famoso” pode ser ambição profissional, somos forçados a aceitar que ter idade pode ser algo desprezível. Um empresário meu amigo, já perto da reforma, e que deixou as suas empresas aos filhos, dizia-me que nem se atrevia a sugerir um profissional sénior aos herdeiros, mesmo sabendo que tinha talento e sabedoria para os lugares em falta - “o meu filho e os seus colegas não querem ouvir falar de pessoas com mais de 40 anos - acham que lhes falta ritmo, vontade, rapidez, e acima de tudo não querem pagar o valor da experiência. Para eles, experiência vale zero, pode até ser empecilho”. Falava sem ponta de indignação - conformado, como se fosse assim mesmo, sem retorno, óbvio.
Quando penso em todas as variáveis que um percurso profissional encerra nos dias que correm, acabo invariavelmente deprimido: não consigo compreender um mundo onde o saber adquirido é desprezado, a energia jovem é explorada sem dó nem piedade, “ser famoso” pode ser uma ambição de vida, e o trabalho é encarado como um numero de processo. Não consigo perceber que um mundo feito de pessoas - sim, ainda são pessoas a mandar em pessoas, a decidir, a pensar, a governar - possa ser tão cruel para com… pessoas. Uns contra os outros? Uns contra os outros.
No mesmo mundo que um dia percebeu que a escravatura não fazia sentido, que mais tarde reconheceu o absurdo do racismo, que por fim caiu em si e conseguiu ver homens e mulheres em pé de igualdade, e direitos das crianças reconhecidos, não concebo que se tenha descido tão baixo nas relações laborais, no respeito pelo trabalho e pelo trabalhador, e nas lógicas empresariais que levam à contratação e ao despedimento. Ou mesmo à ideia de que o esforço e o estudo podem ser substituídos pela fama instantânea num concurso onde se comem minhocas ou se imitam cantores. Estarei a envelhecer ou apenas excessivamente lucido? Não sei. Mas sei que pensar nesta loucura em que se tornou o trabalho me deixa pouco optimista quanto ao futuro dos filhos de quem o tornou tão estupidamente injusto e ingrato.
O mundo mudou, já todos sabemos. Mas não era preciso ter mudado tanto. Ou afinal tão pouco, se recuarmos ao passado mais passado…


publicado por PRD às 15:41
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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

É uma história sem qualquer importância, mas diz alguma coisa, simbolicamente, sobre o estado do jornalismo. Não mais do que isso. E conta-se assim:
No domingo, 12 de Outubro, a revista 2 do jornal Público trazia uma matéria de duas páginas, assinada pela jornalista São José Almeida, sobre o novo programa da RTP-I “Barca do Inferno”. Surpreendeu-me o titulo, “Uma barca de mulheres para quebrar o telhado de vidro da TV”, e estes dois parágrafos:

  • “Barca do Inferno quebra ainda com uma outra hegemonia, a do dominio dos homens no espaço público mediático de comentário. É o primeiro programa de debate de actualidade feito apenas por mulheres”.
  • “Uma solução que parece inverter em espelho o estereótipo de que o comentário político e televisivo é território masculino. E deste modo pode contribuir para quebrar o telhado de vidro que aparentemente não se vê, mas está lá, tapando o acesso ao espaço público mediático e mantendo aí as mulheres invisíveis”.

Ora, perante o facto de haver aqui um erro factual, escrevi um mail à jornalista São José Almeida onde corrijo o que, de alguma forma, justifica a matéria e até está na sua origem: “uma busca simples no google permitir-lhe-ia verificar que a mesma RTP-I (à época RTP-N), teve nos anos 2010 e 2011 (ou seja, há apenas 3 anos...) um programa de debate de actualidade só com mulheres, moderado por mim, chamado “Fala Com Elas”. Tinha um painel fixo (Isabel Stilwell, Estela Barbot e Joana Amaral Dias, entretanto substituída por Manuela Azevedo e por fim por Bárbara Coutinho), e sempre uma convidada diferente. Abordavam-se os temas da semana, da politica à economia, do desporto à cultura, nacionais e internacionais, ao longo de uma hora. Todas as semanas. Não sei se terá sido o primeiro programa de actualidade só com mulheres na televisão nem tenho a pretensão de ter louros de inovação - mas sei que a Barca do Inferno não é de todo o primeiro.
Fico triste quando o trabalho feito é esquecido e ignorado, em nome de um entusiasmo que oblitera a necessário investigação ao passado. Mas enfim, são coisas que acontecem, e achei que lhe devia dizer. Se entender que merece correcção nas páginas do jornal, fico grato. Se tal não ocorrer, também não vem daí mal ao mundo”.
E não vem mesmo. A jornalista São José Almeida não achou o meu mail merecedor de resposta pessoal nem de correcção no espaço “O Público errou”. A matéria continua online aqui. Percebe-se que ficaria esvaziada e sem sentido se porventura fosse corrigido o erro e assumida a negligência. Mas para quê? No meio do barulho das luzes, tudo passa, nada fica. Daqui a nada já nem eu me lembro disto.


publicado por PRD às 15:02
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

IMG_3848.jpg

Na terça-feira encontrei o Edgar Pera no lançamento lisboeta do livro “A Casa Azul”, da sua mulher, e minha amiga, Cláudia Clemente. Falámos na combinação que eu tinha com a Cláudia de gravar hoje, quinta-feira, uma edição do TPC com ela nos estúdios da RTP-Porto.
E vai ele e diz:
- Adoro a viagem de comboio para o Porto. Escrevo imenso, tenho ideias, leio, é a viagem perfeita.
Concordei e acrescentei:
- … E ainda dá para dormir um bocadinho… No momento em que começa a cansar, e nos fartamos, a viagem termina. Foi muito bem estudada, esta cena…
Rimos os dois. Foi bem estudada a distância de Lisboa ao Porto? Não foi estudada. Mas calhou bem. Receio que a distância em horas de comboio seja mais curta do que, muitas vezes, a distância efectiva nas oportunidades, no acesso ao poder, na efectiva realização. Mas isso seria outra discussão.
Por agora, apenas o facto: as duas horas e trinta e picos minutos que nos separam no Alfa são boas, úteis, e dão para quase tudo. Quase.


publicado por PRD às 15:26
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

 ... Quando, por exemplo, oiço esta extraordinária canção de Vitor Ramil e me rendo à conjugação de futuro e presente e passado em verbos que aparentemente se desencontram - mas, afinal, se encontram num sentido único com todo o sentido do mundo.

Em momentos destes, de descoberta e revelação, tenho a certeza: ainda há muito a fazer com a bela língua portuguesa. E claro, "a nossa pátria é a nossa língua".

(Sim, é a segunda vez que posto esta canção em poucos dias, mas que querem? Não lhe resisto e agora é a versão completa e ao vivo.)


publicado por PRD às 15:16
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Leio uma crónica na revista de domingo do El Pais sobre uma revista francesa, com nome inglês - “Well, Well, Well” - que se destina ao mercado homossexual feminino. A crónica é sobre a questão do target, a mim interessou-me mais o conceito. Tem duas edições anuais e custa 15 euros. Não é caso único: há mais revistas cuja periodicidade não é já a do costume (semanal, mensal), com volumes de páginas e preços muito fora do comum, e formatos ainda mais variados - e todos os dias se fazem novas experiências com o velho e bom papel, tão delicioso quanto fora de moda.
Todos sabemos que as modas mudam.
O que mais me agradou na crónica foi saber da designação que encontraram para estas revistas “fora de formato”, que nem são as clássicas comerciais nem as óbvias digitais. Chamam-se “Mook” - mistura fina de “magazine” com “book”. Gostei do conceito. Ando a pensar nele, não consigo deixar de pensar nele.


publicado por PRD às 11:21
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