Blog da semana Os nossos pecados
O blog de Susana Gaião Mota. Sem papas na língua, sobre as relações humanas e amorosas, os sentimentos. Tudo na casa da geração dos trinta.
Uma boa frase “ "Tsipras, o sem gravata, foi obrigado por Merkel e companhia a usar uma. E mais. A apertar a gravata até a um limite que, se as piores previsões se confirmarem, asfixiará o país que ainda dirige." Nuno Costa Santos,
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015

A imagem que ontem correu o mundo, e que foi muito bem enquadrada aqui, no britânico The Independent (e no Público de hoje), choca e comove, mas não nos pode surpreender: há tempos que os noticiários estão cheios de informação que traduz ou retrata esta realidade, agora vista de forma ainda mais chocante do que é costume. Há números de milhares de mortos, de milhares de retidos, de milhares de pessoas que tentam fugir à guerra, à violência, à ditadura, ou “apenas” à miséria.
Não seriam necessárias imagens para acordar a Europa para este flagelo - e acima de tudo, para a urgência em encontrar soluções para o resolver. Nas conversas que tenho tido sobre o tema, há sempre um momento de beco sem saída: se a Europa não consegue resolver boa parte dos seus problemas de emprego, de desenvolvimento, de solidariedade interna, como pode acolher este êxodo em massa de refugiados (lamento, mas não adopto a palavra da moda, “migrantes”…)? E como podemos garantir que não vamos criar novos guetos onde vão multiplicar-se crises e renovados conflitos, e onde esta gente vai viver igualmente infeliz e revoltada?
Não tenho, nem sei quem tenha, respostas para estas perguntas. Ou soluções milagrosas que façam nascer flores onde agora morrem pessoas. Mas sei uma coisa simples: não aceito ver os meus semelhantes - refugiados ou fugidos ou sonhadores ou apenas indigentes, não me interessa -, recambiados, rejeitados, desprezados, por seres humanos seus semelhantes, os tais que “nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Os tais que “dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Pessoas como nós. Cuja única diferença foi terem nascido noutro lugar.
A Europa solidária, livre, fraterna, democrática, está enredada nas suas pequenas misérias, na corrupção em que tropeça todos os dias, e preocupada em salvar a face da sua miserável economia - e parece não ter aprendido a lição de duas grandes guerras e de crises e momentos dramáticos que levaram no passado, por exemplo, os irlandeses à América, ou os portugueses a França. Temos memória curta.
E eu tenho vergonha de viver numa sociedade assim.


publicado por PRD às 14:26
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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2015

1. O filme de que a unanimidade da critica pior disse nos últimos anos é, tão só, o filme mais visto de todos os tempos pelos portugueses. O “Pátio das Cantigas”, remake a que chamaria, em rigor, homenagem ao filme original de Ribeirinho, é um achado de Leonel Vieira e da sua equipa. Confesso: eu gostei.
Poderíamos dizer que a operação de marketing justifica os números - mas o passado mostra-nos que assim não é. Os filmes ganham notoriedade e popularidade muito por via do boca-a-boca, mais do que pela publicidade. E este é um desses casos em que o publico está de tal forma desfasado da critica que esta deixa de fazer sentido. Se fosse critico de cinema, teria vergonha. Não é possível dizer tanto mal de um filme que foi tantas vezes visto. Há qualquer coisa que não bate certo. Os espectadores não são todos tão ignorantes.

2. Há um estudo que diz que, em Portugal, metade dos casamentos não são por amor. Podem ser por interesse - mas aqui entre nós, e ao contrário da anedota, interesse não têm de todo.

3. Bastam uns dias de férias fora de Lisboa, fora dos grandes centros urbanos. Rapidamente se percebe como reagiram os portugueses (que podem…) ao brutal aumento de taxas e impostos dos últimos anos: voltaram à economia paralela, à troca directa, ao dinheiro debaixo da mesa, às contas sem recibo nem factura. O ataque ao bolso do contribuinte não compensa, quando o contribuinte vê como estão e onde andam os suspeitos do costume. Ou antes: cá se fazem, cá se pagam.


publicado por PRD às 20:03
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. A deste mês já está à venda...)

Eu percebo: é Verão, está na praia, ou debaixo do pinheiro, e tudo o que não quer é algo que incomode, que faça pensar, que abale este ligeiro sopro de felicidade. Vou ajudar. Vou contar a história da minha ultima experiência radiofónica. Começou por ser um projecto inspirado nas histórias de filhos de amigos que fizeram o chamado “gap year”, uma moda das últimas décadas. Trata-se daquele ano - entre o Liceu e a Universidade, ou entre a Universidade e a entrada no mercado de trabalho - em que a miudagem vai daqui para fora em viagens de voluntariado, ou descoberta, ou apenas reconhecimento de que o mundo é maior do que o rectângulo onde vivemos. Nalguns casos por gosto e interesse, noutros casos claramente para enriquecer o currículo: é diferente apresentar numa empresa um papel a dizer que somos engenheiros ou outro que diga que somos engenheiros mas, além disso, fizemos voluntariado no Kénia e trabalhámos no “Nando’s” a virar frangos na África do Sul. A motivação pouco importa: eles foram. E foi a pensar nestes casos que inventei e propus o “Mais Novos que Nunca”, felizmente bem acolhido na Antena 1 e 3 da rádio pública. O problema foi que rapidamente percebi que esta ideia - “mais novos que nunca” - e este conceito - de, nem que seja por um tempo, viver “fora da caixa”-, não tinha nada a ver com a idade. Porque a idade, claro, está na cabeça. E confrontei-me com gente que mudou de vida aos 20, aos 30, aos 40. Gente que fez do “Gap Year” a vida de todos os dias. Gente que reagiu às imagens na TV de um terramoto e deixou tudo para trás partindo em missões de voluntariado. Ou seja: o “Gap Year” resulta mais da vontade de mudar do que da necessidade de fazer curriculo, e isso muda tudo! Em poucas semanas, o programa transformou-se numa rede - há sempre quem conhece alguém que… - e debaixo de cada pedra da calçada há uma história de amor nascida numa favela do Rio de Janeiro, ou uma nova vida nos subúrbios de uma cidade africana, ou apenas um novo negócio nascido dos escombros de um fracasso amoroso. O “Mais Novos que Nunca” é hoje um centro de segundas vidas, de renascimentos, sem idade nem padrão, apenas com a certeza de que é possível recomeçar em qualquer momento da vida, sem ter que fazer depoimentos religiosos nem abraçar árvores. Basta querer. Aqui há dias estive na abertura de uma loja para a qual tinha sido contratado, no serviço de catering, um casal que trocara a moda (ela, brasileira) e a engenharia fotovoltaíca (ele, italiano), por umas deliciosas focaccias, feitas numa carrinha de rua, cujas receitas pertencem à avó dele. Reconheci-os de imediato. Já os tinha entrevistado, já tinha percebido que começaram por ser um casal e hoje eram apenas sócios, mas fiquei com aquele bichinho curioso de os ver trabalhar. E vi. E vi, na alegria e no cansaço, no excelente serviço e na dedicação, no sorriso de ambos mesmo quando era claro o desacordo, que é possível mudar. Que é possível recomeçar. Percebi então que esta moda do “gap year” não é mais do que antecipação do futuro - porque vamos, cada vez mais, ser desafiados a recomeçar várias vezes ao longo da vida. E isso não é mau - isso é viver com intensidade, paixão, desafio. Fiquei animado. Não sei se isto pode querer dizer qualquer coisa - mas há tanta coisa que ainda gostava de fazer nesta vida que observar o ex-casal das focaccias foi como uma revelação e uma antecipação. Uma espécie de esperança e pontapé no rabo. Como quem grita: “mexe-te, Pedro!”.


publicado por PRD às 00:54
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

sol.jpg

1. Há nomes que dizem tudo sobre si próprios: Trump não será um deles? Se fosse em português, nem haveria dúvidas. Era trampa.

2. Com a chegada de Maria de Belém, algo me diz que Sampaio da Nóvoa passará a ser da Névoa.

3. O episódio dos cartazes do PS pode ser convertido em bandeira de campanha: uma vez que a pantominice traduz Portugal no seu melhor, prova que os socialistas são quem melhor representam o país.

3.A) … Mas não estão sós: as fotografias dos cartazes da coligação PSD/CDS onde se sublinham a criação de empregos, o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, o regresso do investimento, são todos ilustrados com fotografias de banco de imagens. Australianas, espanhóis, franceses, vale tudo menos portugueses felizes. Uma alegria. Estão bem uns para os outros.

4. Ao ver Jorge Jesus de gravata verde, no jogo de domingo passado, percebi o futebol em todo o seu esplendor. Chamarem-lhe desporto é um eufemismo simpático. E falarem de amor à camisola é a piada do ano. Em breve veremos clubes a comprarem adeptos adversários por 100 euros. O dinheiro é lixado.

5. Por falar em dinheiro: quando recebi uma carta a reclamar um pagamento que o “meu” banco não fez, por falta de provisão, lembrei-me logo do BES. Fiquei verde de inveja.

… E é claro que face a estes factos, só me resta mergulhar. No mar do meu Alentejo. Continuemos em pausa, portanto.


publicado por PRD às 15:00
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

anoitece.jpg

O meu computador não tem “modo repouso” ou “adormecido” ou outras expressões que se usaram na informática para designar aqueles dias, momentos, em que estamos menos ligados à rede - isto é (e se calhar não é…), à realidade.
Talvez antes assim: quando temos menos para dizer, ou pura e simplesmente nos apetece ficar calados. E podemos.
Não sei se é por causa do mês ou apenas porque sim, mas estou a entrar nesse modo. E gosto da designação que o meu computador lhe dá: chama-lhe “pausa”.
É disso que se trata: pausa. Pode durar o tempo de ir ali tomar café, ou o mês todo. Pode ser a pausa de que todos precisamos para refrescar as ideias. Pode ser a pausa para recomeçar. Ou mudar. Ou tudo ao mesmo tempo.
Mas é pausa. Este blog está em modo pausa. Até já. Ou mais logo. Ou daqui a nada.
A única certeza da pausa é a de que ela acaba. E volto.


publicado por PRD às 11:11
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