Blog da semana

Champagne Choque
Ainda sou dos que gostam de saltitar por entre blogues pessoais, muitas vezes sem qualquer ligação com o meu universo, mas por isso mesmo interessantes e reveladores. Eis mais um, de uma autora que se identifica assim: "A escrever é que a gente se entende. Jornalista e contadora de histórias. Vivia o ano inteiro no verão." Inteiramente de acordo.

Uma boa frase

“Os falhanços apenas são graves no momento em que já não é possível escondê-los". José António Abreu,
Delito de Opinião
Mais comentários e ideias: pedro.roloduarte@sapo.pt
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016

proverbio.jpg

(Li este provérbio num livro de aforismos, dos muitos que fui juntando ao longo dos anos. Mas não fui buscar este "grafismo" a lado algum: piroso ou não, fiz eu mesmo, sobre uma foto minha, tirada num pôr-do-sol alentejano, há já uns anos. Quando ainda havia "Pagemaker", se me faço entender.)


publicado por PRD às 11:30
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016

noite2.jpg

"Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte"

 

Alexandre O'Neill


publicado por PRD às 14:57
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

(Na plataforma/newsletter Sapo24 de ontem...)

 

Se não fosse triste e lamentável, podia ser de rir, ou uma notícia do “Inimigo Público”: uma instituição do Estado, o Tribunal de Contas, num relatório sobre a execução orçamental da Administração Central, critica o Estado a que pertence por exigir aos contribuintes o que o próprio Estado não cumpre…
Não percebeu? Nem eu.
Vamos devagar: uma das missões do Tribunal de Contas é fiscalizar a forma como o Estado, através dos Governos e da Autoridade Tributária, cumpre e faz cumprir a lei e os Orçamentos. Nesse âmbito, divulga relatórios em que analisa o que foi feito, o que está mal, o que está certo. No Relatório divulgado há dois dias, e relativo a 2015, o Tribunal de Contas vem dizer algo que todos nós, cidadãos, já sentimos na pele de alguma maneira: que os atrasos do fisco, por exemplo, na devolução de impostos ou na correcção de erros, não é minimamente penalizada; ao contrário, se o cidadão se atrasa ou se engana, lá vem a multa, os juros, e às vezes a conta bancária congelada.
O Tribunal de Contas dá um exemplo: os prazos legais para fechar a contabilidade do Estado são invariavelmente “queimados” - mas exigidos aos contribuintes e sujeitos a multa caso os cidadãos escorreguem nas datas. Diz o relatório (e estou a citar o Diário de Notícias): "Pelas razões que levaram à implementação do E-fatura, em poucos meses, é mais do que oportuno que o Estado, o Ministério das Finanças e a AT também apliquem, como administradores de receitas públicas, os princípios e procedimentos que tornaram obrigatórios aos contribuintes por os reputarem essenciais para a eficácia do controlo dessas receitas”.
E é aqui que começa a gargalhada. É que o Tribunal vem debitando esta lengalenga todos os anos, mas nada acontece: não há multas ao Estado, não há responsáveis punidos, não há juros a reverter para os contribuintes. O contrário também se mantém inalterado: não é por o Estado ser incompetente, nem por o Tribunal de Contas o sublinhar, que o cidadão é premiado e, pelo menos, amnistiado ou absolvido dos seus delitos menores…
Estamos portanto no domínio da comédia, em rigor da farsa: as instituições fiscalizam, fazem relatórios, criticam. Nada muda, nada acontece. Impune, o Estado persiste em ser mau pagador, incumpridor, e laxista. Tudo o que não perdoa ao contribuinte que o sustenta e lhe dá sentido. Parece um gozo, uma espécie de brincar ao faz-de-conta entre instituições do mesmo Estado, jogando apenas entre elas - só que os peões do jogo são adultos, as suas vidas, o dinheiro de todos.
No fim, como sempre, quem se lixa é o mexilhão. Lá está: se não fosse triste, dava para rir.


publicado por PRD às 11:13
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Domingo, 14 de Agosto de 2016

Não há hoje revista, jornal ou mesmo blog que não dedique espaço ao chamado “lifestyle”: restaurantes, novos bares, lounges, “espaços”, para não falar dos enervantes “sunsets” (que são basicamente finais de dia na praia regados a álcool e musica que asfixia a melhor banda sonora natural, que é o mar)…

Enfim, deixemos isso.

O problema é quando decidimos seguir as sugestões dos jornais e vamos experimentar os tais “spots” que marcam o prazer da vida. Raramente a realidade corresponde à idílica descrição que lemos. Este verão, já levo vários baldes de água gelada em locais que publicações insuspeitas, como a Time Out, me recomendaram.

Primeiro exemplo: o restaurante “O Fadista”, em Melides. Já tinha tentado lá jantar há uns anos, mas não fui bem sucedido - quem me recebeu tratou-me com duas pedras na mão, e jurei não voltar. Mas como a revista o elegeu nas suas páginas dedicadas àquela zona, e me disseram que a gerência tinha mudado, voltei. Desta vez fui à hora do almoço marcar mesa para jantar. À noite, apresentei-me pontualmente, mas fui logo avisado: vai esperar pelo menos meia-hora. Foram 45 minutos. Dos pratos do dia, restava o frango do churrasco. E tal como em Lisboa faço o teste aos restaurantes pedindo um bitoque (quem não saiba fazer um bitoque, não sabe fazer nada…), no Alentejo peço a clássica Carne de Porco à Alentejana. “O Fadista” chumbou: carne rija, em vez de mistura de sabores, soma de sabores, alguns mesmo sem sabor (como as conchas…).

Segundo exemplo: dois anos depois de reclamar com o pior serviço de um restaurante caro de Lisboa, e de me ser dada razão, volto ao “Café Lisboa”, de José Avilez, que tem, na minha opinião, um bacalhau à brás perfeito. Continua perfeito. O serviço também continua… Indigente, negligente, e tão pouco eficiente que até a conta foi trocada com a da mesa ao lado…

Terceiro exemplo: bar do hotel Bairro Alto, peço ao balcão um Gin Tónico, acrescentando a brincar - mas, no fundo, a sério - que quero um Gin normal, sem mariquice de bagas disto e daquilo, mais zimbro e pimenta rosa e cenas. Quero um Gin com gelo, limão e água tónica. A empregada convence-me a experimentar uma marca que desconheço, com o pretexto de que aquele Gin nem limão leva. Só gelo e água tónica. Aceito a sugestão. No fim, quando me apresenta a conta, a brincadeira custa 16 euros. Onde se esperava o aviso razoável de que era uma bebida com um preço fora do normal, fez-se “a barba ao cliente”, como se diz na gíria da hotelaria. Não penso lá voltar.

E assim, em três exemplos sem grande história, se desfazem os mitos que a mania do “lifestyle”, dos “sunsets” e dos “spots” nos fazem voltar rapidamente para a boa da tasca de sempre. Ou, como costumo dizer: só gosto do que já conheço…


publicado por PRD às 19:45
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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2016

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“O cão tinha um nome
por que o chamávamos
e por que respondia,
 
mas qual seria
o seu nome
só o cão obscuramente sabia.
 
Olhava-nos com uns olhos que havia
nos seus olhos
mas não se via o que ele via,
nem se nos via e nos reconhecia
de algum modo essencial
que nos escapava
 
ou se via o que de nós passava
e não o que permanecia,
o mistério que nos esclarecia.
 
Onde nós não alcançávamos
dentro de nós
o cão ia.

E aí adormecia
dum sono sem remorsos
e sem melancolia.
 
Então sonhava
o sonho sólido que existia.
E não compreendia.
 
Um dia chamámos pelo cão e ele não estava
onde sempre estivera:
na sua exclusiva vida.
 
Alguém o chamara por outro nome,
um absoluto nome,
de muito longe.
 
E o cão partira
ao encontro desse nome
como chegara: só.
 
E a mãe enterrou-o
sob a buganvília
dizendo: "É a vida..."

Poema lindo e cheio de Manuel António Pina, que está onde a Indy chegou há bocado.

Vão ser amigos, tenho a certeza.


publicado por PRD às 22:37
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(Texto desta semana na plataforma Sapo24)
Quando era adolescente, havia nos jornais (e nos pacotes de açúcar?) uns casais de bonecos com um ar vagamente pateta que acompanhavam frases - igualmente tolas, na maioria dos casos - sob o genérico “Amor é…”.
Nas últimas semanas lembrei-me deste casalinho, mas por motivos um pouco mais sérios. Por exemplo, a polémica a respeito das novas taxas de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), que levou, no limite, a líder centrista Assunção Cristas a afirmar, no Facebook, que “O sol já paga imposto! Parece inacreditável, mas é mesmo verdade: as casas com boas vistas ou exposição solar, independente da localização ou do rendimento do proprietário, passam a ter o IMI agravado”. A ignorância da deputada já vinha a queimar mato nas redes sociais, com todo o estilo de gozos, criticas, e um coro indignado e revoltado.
Pois bem…
Demagogia é… vir dizer que “O Sol Já paga imposto”, quando a lei que agora se discute é de 2007 (por acaso também de um governo socialista, o de José Sócrates…), tem 13 itens sobre “qualidade e conforto”, e a única novidade que o actual governo introduziu foi reajustar (bem ou mal, é outra discussão…) as taxas, aumentando nuns casos, diminuindo noutros…
Demagogia é… virem os proprietários que vendem e arrendam casas por valores que variam conforme a exposição solar ou a vista, a varanda ou a localização, indignarem-me agora com um imposto que avalia os imóveis da mesma forma que eles próprios os avaliam. Para os donos, o preço pode subir porque os seus apartamentos têm vista - para serem taxados, não gostam da ideia. Dois pesos, duas medidas.
Mas há mais: é que nestas semanas também se tem falado muito das viagens a França, por ocasião do Euro 2016, que a GALP pagou a alguns membros do Governo, e que pôs meio mundo a exigir a demissão dos “beneficiados”. Sem dúvidas o afirmo: no lugar do Secretário de Estado Rocha Andrade, que é politicamente responsável por um conflito de milhões que a petrolífera deverá ao fisco, nem hesitava na demissão. Mas já sabemos que na política nem todos seguem o mesmo código de conduta ético e moral…
De qualquer forma…
Demagogia é… Fazer deste caso uma bandeira da moral e dos bons costumes, quando quase todos os jornalistas, directores de jornais, administradores, editores, em lugares relacionados com as empresas que têm orçamentos para estes convites, ou que são anunciantes dos meios, passam a vida nos camarotes dos estádios de futebol em jogos cujos bilhetes não são “low cost”, em viagens pagas a todos os cantos do mundo, nas zonas VIP dos Festivais de Verão, em almoços e “eventos” recheados com presentes de toda a espécie.
Demagogia é… Os mesmos políticos que pedem agora cabeças a rolar no Governo, terem, no passado, quando governavam, aceitado o mesmo tipo de convites, viajado a expensas de empresas e grupos de empresários. Muitos deles, agora em companhias privadas (com quem antes se relacionaram enquanto governantes), continuam a sentar-se nos camarotes reservados.
E sem querer dramatizar o que é, em si, um drama maior, demagogia também é associar a calamidade dos incêndios a um Governo ou a um ministro. Ninguém, no seu perfeito juízo, quer ver Portugal a arder. O tema não devia servir de arma de arremesso politico. Alem de demagógico, é infeliz. O momento é de unir, não de dividir.
A carinha apatetada dos bonecos do “Amor é…” é a mesma que qualquer um de nós pode fazer perante estes “escândalos”, e este drama maior. Ainda que, como no amor, por detrás destas aparentes patetices, estejam assuntos muito sérios que ajudam a explicar o verdadeiro estado da Nação.
Talvez possa rematar assim: “Demagogia é… amar o próximo quando é conveniente. E dizer que nunca se amou quando a conveniência se torna muito inconveniente”.


publicado por PRD às 11:59
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Sábado, 30 de Julho de 2016

mar desfocado.jpg

Um. Não hesitarás sempre que uma sardinha sorrir para ti.
Dois. Não evitarás a onda, só porque a água está fria (estará sempre, e tu sabes disso há mais de 50 anos).
Três. Não interromperás a leitura do livro por causa de um titulo divertido de jornal.
Quatro. Tomarás decisões radicais, sabendo que não concretizarás a maioria delas.
Cinco. Todos os teus pensamentos conduzirão a um mesmo lugar: a praia.
Seis. Sabes que vais perder todos os jogos com o teu filho, mas jogarás para ganhar, como sempre.
Sete. Guardarás uns minutos de cada dia para procurar respostas a esta pergunta: e este ano ainda não porquê?
Oito. Guardarás outros tantos de cada dia para definir o caminho: para a frente, sem hesitar.
Nove. Por cada mergulho, apagarás um momento infeliz; por cada onda, acordarás para o que se segue.
Dez. Não cobiçarás a caipiroska alheia - pedirás uma para ti.
Onze. Não pensarás se o caracol sofre quando é cozinhado - pensa antes no que sofres quando te dizem que hoje já não há mais.
Doze. E nunca te esqueças: se a vida te dá limões, guarda-os para o gin tónico.


publicado por PRD às 15:30
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Quinta-feira, 28 de Julho de 2016

(Hoje, quinta, na plataforma Sapo24)
Subitamente, num Verão manchado pelo sangue e pelo terror, um jogo veio abanar as vidas de milhões de pessoas e, ainda que por minutos, deixá-las fora da loucura que nos rodeia e entrar numa bastante mais pacata aventura: apanhar, com um telemóvel, bicharocos que julgávamos desaparecidos.
Eu, pelo menos, julgava. Se me dissessem, há um mês, que os Pokemóns, que dominaram o universo infantil do meu filho no final dos anos 90, iriam voltar com mais força, mais vida, e agora iam arrebatar os mais novos e os mais velhos em simultâneo, não acreditaria. Mas, cada vez mais, o mundo é inacreditável - e no entanto, existe…
O jogo “Pokemon Go”, que está a dar a volta à cabeça de meio-mundo por todo o globo, batendo recordes de downloads de uma aplicação em escassos dias (mais de 75 milhões em apenas 20 dias, sendo certo que está disponível em apenas 32 países), é um caso de estudo - por todos os motivos, incluindo os mais inesperados, como a sucessão de notícias que motivou em todos os media. O sucesso do jogo, e a figura dos jogadores, na rua, de telemóvel em punho, junto com os faits-divers do costume (da igreja que atrai fieis com Pokemóns, à PSP empenhada em também os “caçar”…), criaram rapidamente uma onda de gozo e até de maledicência sobre o jogo. Nada de novo. Sempre que há um fenómeno viral, há logo um grupo de intelectuais desconfiados…
… Nada mais precipitado e sem sentido. Descarreguei o jogo para perceber o fenómeno - mas talvez convenha avisar previamente que nunca gostei de jogos de computador, consola ou telefone; e continuo a não gostar nem praticar. Que me lembre, o único a que achei alguma graça foi o “Guitar Hero”, da Playstation, porque me permitiu voltar a uma paixão de infância: a bateria! Dito isto, a “app” que fez renascer a Nintendo - em todos os sentidos, a começar no seu valor comercial… - constitui a primeira aproximação entre a virtualidade dos jogos e a realidade dos lugares por onde andamos. Nesse sentido, é muitíssimo bem conseguido, porque mistura o puro entretenimento - apanhar bonecos que não estão em lado nenhum, mas estão nos nossos telefones… - com conhecimento sobre a cidade onde nos encontramos. Descobri, por exemplo, o significado dos símbolos que estão incrustados na parede do edifício onde vivo, como descobri que há um castelo de brincar, para crianças, aqui no bairro…
Por outro lado, e numa reflexão mais séria, “Pokemon Go” faz os jogadores saírem do ninho, do seu reduto. Traz as pessoas para a rua - e ao misturar virtualidade com paisagem real, humaniza o jogo e quem o joga. Com isso, abre portas para toda uma nova filosofia no que aos dispositivos móveis diz respeito: não são mais objectos fechados onde mergulhamos em mundos muitas vezes inexistentes, tornam-se parte da realidade de cada um. E são estas evoluções, ou novidades, que ajudam a tornar tão popular - e instantâneo… - o que seria apenas mais um jogo para telemóveis.


publicado por PRD às 23:52
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Sábado, 23 de Julho de 2016

ab nov 2016.jpg

Se, por um qualquer azar (ou sorte, se vir o tema de outro ponto de vista…), tivesse de ir viver para outro lugar, a ausência que mais me custaria, além dos amigos e da família, era a deste mar. Na vista como no corpo.
Nasci e cresci a enfrentar as ondas fortes da Praia Grande, mais tarde adoptei a Costa Alentejana, quando me custou demasiado o Penedo sem o meu pai.
Comecei por Mil Fontes, depois Zambujeira, e nos últimos anos subi e apaixonei-me por Melides, pela Aberta-Nova, e tudo à volta. A água fria limpa e desintoxica, o espaço e o tempo crescem e parecem não ter fim, e sinto-me longe - estando, afinal, bem perto.
Esta semana passei por lá. Mergulhei no mar da Aberta-Nova, que estava doce e acolhedor.
Nunca deixo de me lembrar de Pablo Neruda, que foi um dos grandes poetas do mar, ainda que só há poucos anos disso me tenha apercebido… Na minha delirante falta de memória, mesmo assim, pairou um bocadinho de um poema de Neruda (e tive de ir procurar o original, para não asneirar…): “Necesito del mar porque me enseña / no sé si aprendo música o conciencia”.
Com o mar aprendo a ser humilde. A reduzir-me à justa dimensão. E a dar valor ao que realmente tem valor. Se soubesse escrever um poema, como ele, seria por aí…


publicado por PRD às 14:14
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2016

Nunca percebi esta lógica, mas também não é agora que me vou dedicar a ela: em muitos países, o domingo é considerado o último dia da semana - mas em Portugal, como no Brasil ou na Grã-Bretanha, é o primeiro dia da semana… Isso explica que hoje seja segunda-feira e não, como se esperaria, “primeira-feira”; mas não explica que o primeiro dia da semana seja, afinal, um dia de descanso…

Adiante.
Queria apenas deixar uma reflexão breve, seguramente abalada pelo calor mortal de Lisboa, sobre a montanha-russa que uma só semana nos pôs a percorrer. Há oito dias, no domingo, vivíamos a euforia de sermos campeões europeus de futebol, e gozávamos de toda a forma e feitio a França e os franceses. Quatro dias depois, estupefactos, assistíamos quase em directo ao terror de Nice e não podíamos fazer mais do que estar ao lado daquele povo que sofre, em pouco tempo, por três vezes, a barbárie da intolerância e do fundamentalismo.
Ainda na ressaca dessa noite de 14 de Julho, da Turquia chegavam imagens de um país a ferro e fogo, centenas de mortos, milhares de presos, e um regime que poucos se atrevem a enfrentar.
Pelo meio, mais vitórias portuguesas no mundo do desporto, mais tragédias, mais notícias absurdas sobre sanções ainda mais absurdas.
Aqui chegados - segunda-feira, primeiro ou segundo dia da semana, como queiram -, olho a semana passada e não consigo ordenar as ideias. Como quem sai de uma montanha-russa, sinto-me mareado, nauseado, e oscilo entre a incapacidade de sorrir e necessidade de resistir e não deixar de sorrir.
Vivemos tempos que julgava impossíveis. Mas, ao mesmo tempo, confirmam o que a vida me tem ensinado: não há impossíveis na vida. Para o melhor e para o pior.


publicado por PRD às 11:50
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