Blog da semana Sapana Blog
Um blog de uma ONG que vale a pena conhecer melhor.
Uma boa frase “A regra das regras deles é quanto mais pobres, tanto melhor. Ainda bem que as regras obedecem todas a uma regra universal que não depende deles: podem ser mudadas a qualquer momento, assim haja vontade. Os gregos quiseram-no e estão a fazê-lo, por si e por nós. Os germanófilos que engulam as suas regras. Necessitamos de poder viver como gente outra vez.", Filipe Tourais,
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Terça-feira, 3 de Março de 2015

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Conheci a Francisca Prieto por razões que não sei se são boas ou más. Nem interessa avaliar. Num mundo sem doenças, nem falta de apoios, nem capitalismo demasiado selvagem, talvez nunca a tivesse conhecido. Mas, neste caso, ainda bem que assim não foi…
Conheci a Francisca Prieto porque há anos dinamiza acções solidárias de apoio aos que vivem com trissomia 21 - e, entre as muitas ideias que teve, criou um blog onde leiloou livros autografados pelos seus autores. Calhou que a Leya tinha decidido “abater” os restos dos meus livros, e antes que a guilhotina os levasse de vez, trouxe-os para casa. Ofereci imensos (aqui mesmo, no blog), fiquei com uns tantos. Quando a Francisca me abordou, não hesitei e entreguei-lhe umas dezenas deles. Ainda a levei ao Hotel Babilónia.
O tempo passou. Um ano? Dois anos? Não sei. Sei que recebi há meses um mail da Francisca que rezava assim:
“Daqui Déjà Lu, divulgando em primeiríssima mão que está em vias de ser uma livraria a sério, de portas abertas, na Cidadela de Cascais, num espaço fabuloso por cima do restaurante A Taberna da Praça”. Convidava-me para ser um dos padrinhos, o que muito me honrou.
Menos de dois meses depois, a coisa deu-se. Ou como se lê no blog Deja Lu: “Conseguimos a chave do portão da internet e fugimos de rompante para o mundo real. Após vários anos na mansarda da Idónea Bibliotecária, moramos agora no primeiro andar deste edifício espectacular. Vivó luxo”.
O luxo é nosso, de quem pode assistir ao milagre da solidariedade: agora, num espaço lindo e magnificamente decorado (os pormenores dos livros guardados em caixas de vinho, ou dos recantos onde repousam máquinas de escrever antigas e tinteiros da nossa infância, não falando das frases espalhadas pelas paredes, são actos de amor puro aos livros, e à causa que sustenta esta ideia…), existe a Dejà Lu, a livraria de carácter solidário, onde as vendas revertem para o apoio à integração profissional de jovens com trissomia 21.
Três mil livros já lá cantam, muitos mais vão chegar. Os padrinhos da Livraria - entre os quais me incluo ao lado de nomes como os de Mário Laginha, Carlos Vaz Marques, Isabel Lucas, Nuno Artur Silva, Beatriz Batarda, Bruno Nogueira, José António Tenente, Miguel Somsen e Anabela Mota Ribeiro - vão ajudar com escolhas e ofertas e muita divulgação.
Aqui a faço, com gosto, com prazer, e com imenso orgulho: a Francisca é uma mulher linda, de inesgotável energia e sentido de dádiva infinito, a livraria é muito bonita, merece a visita demorada de quem gosta mesmo de livros. E pensar que, comprando, se ajuda quem precisa, pode haver melhor e mais compensador? Não pode.


publicado por PRD às 11:11
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. A deste mês saiu hoje e está em grande...)

Quando comecei a trabalhar na rádio chamavam-se simplesmente “auscultadores”. Eram grandes, gordos, pesados, e não usarmos os que estavam dentro dos estúdios traduzia empenho mas também alguma vaidade. Empenho, porque significava que tínhamos gasto dinheiro a comprar uns auscultadores pessoais, e que tínhamos gosto em ouvir o som com a qualidade que o nosso investimento permitia - e vaidade porque estávamos “armados em bons” a fazer mais do que nos era pedido. Que era apenas anunciar os discos e passá-los.
Depois apareceu o “Walkman” e com ele os “headphones”. E mais tarde o “iPod”. Rapidamente, tudo mudou: a correr, a andar, a passear, no metro, no comboio, em todo o lado as pessoas ouvem musica. Escolhem as suas canções, a sua rádio, as listas e sequências preferidas, e ouvem, ouvem, ouvem. Ouvem sem ouvir mais nada à volta. Para o fazer, isolam-se num casulo a que hoje chamamos apenas “fones”, assim mesmo, com “f”, cápsulas que enfiamos nos ouvidos ou auscultadores na versão suave, leve, e de alta qualidade.
Nos escritórios as pessoas trabalham com “aquilo” nos ouvidos, em casa há familias que não se ouvem porque cada uma anda com o seu som pessoal enfiado na orelha.
Devo estar, mais do que velho, acabado: não consigo viver com auscultadores na cabeça. Claro que os utilizo na rádio, claro que preciso deles quando quero escolher musica e estou entre pessoas que, num espaço partilhado, os outros não têm de levar com as minhas pesquisas. Mas fora a utilização profissional, incomoda-me a ideia de ter nos ouvidos algo que me afasta do mundo à minha volta, que me “desliga” da realidade sonora, e que no limite pode impedir-me de ouvir a buzina do carro que ameaça atropelar-me.
Esta democratização total dos “fones” - não há telefone comprado que não ofereça um par de coisas daquelas - torna-nos não apenas surdos, mas acima de tudo ainda mais solitários, sozinhos, num mundo fechado onde só nós próprios cabemos. Deixámos de ouvir os sons do mundo que nos rodeia, deixámos de ouvir as queixas da vizinha do lado no metro, deixámos de ouvir a vida - para ouvirmos apenas o que escolhemos e nos embala, nos faz sonhar, nos leva ao colo, ou nos deixa entregues a terceiros.
Às vezes, no local onde habitualmente trabalho, e onde mais gente trabalha num sistema saudável de coworking, preciso de usar os auscultadores. Sempre que o faço, há um sentimento incómodo que se apodera de mim: parece que tenho um sentido a menos. Como se me faltasse algo essencial, sei lá, o cheiro, o sabor, o olhar. Não ouvir o que me rodeia é um pouco como ter o nariz entupido - com a vantagem de ter musica escolhida para ouvir, e a desvantagem de não ter razão para ter o nariz entupido.
Pode ser, será seguramente, um sinal dos tempos. Mas os ouvidos “entupidos” por uns “fones”, por melhor que seja a musica escolhida, parece-me sempre um paradoxo do tempo. Nem que seja pela razão essencial: quando descubro uma canção de que gosto, o que mais quero é partilhá-la com quem me rodeia. Se a oiço sozinho, no meu casulo, na minha capsula, no meu compartimento, estou a negar-me e a contradizer-me. Não nasci para essa solidão asfixiante. Será por isso que persisto em chamar à rádio o “grande amor” e não me passar o “bichinho” que todos os que por ela passam dizem também senti-lo? Ou estarei a viver num passado onde não faz mais sentido a pergunta “queres ouvir?”?


publicado por PRD às 17:09
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

Desta vez foi para o Notícias Magazine. já saiu. Assim:

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De carácter pessoal…

Idade…? 50
Curso…? O da vida.
Primeiro emprego…? A escrever sobre rádio no extinto jornal Sete.
Melhor emprego…? Nunca tive. Tive sempre trabalho e belos projectos. Entre a Kapa e o DNA, um deles terá sido o melhor.
Hobby? Cozinhar. Ou melhor, aprender a cozinhar.
Máxima de vida…? A seguir vem melhor.
Nunca deixa em casa…? Os sonhos por cumprir.

 

Da vida mundana…
Cor…? Azul
Calçado favorito…? Favorito é mais descalço, pé na areia.
Peça de vestuário…? Calções de banho.
Animal…? Gato.
Música para energizar…? Happy,
“Because I’m happy
Clap along, if you feel like a room without a roof”
Transporte de todos os dias…? Ainda o carro. Cada vez mais o metro.

Do mundo do trabalho…
O maior desafio…? Resistir ao tempo que vivemos no mundo dos media.
Não fosse jornalista e era…? Cozinheiro.
Habilidade inata…? Dormir.
Momento de viragem…? O dia em que o DN me dispensou.
Experiência memorável…? O dia em que nasceu o DNA.
Ideia(s) no horizonte…? Era o que faltava, revelá-las…
Projecto que lhe encheu as medidas…? O Independente, a Kapa, o DNA.

Dos gostos…
Álbum para ouvir sem freio…? Qualquer um de David Sylvian.
Filme…? Qualquer um de Woody Allen.
Actor…? Robert de Niro.
Actriz…? Michelle Pfeiffer.
Realizador…? Coppola.
Museu…? Moma.
Livro de cabeceira…? Até ao fim e Para Sempre, ambos de Vergilio Ferreira.
Peça de teatro…? Portugal nos dias que correm.
Série de culto…? Downton Abbey, que destronou Sete Palmos de Terra.

Das viagens…
A mais surpreendente…? Todas as viagens interiores.
A mais desejada…? As que farei com a Andreia.
A que ainda não fez…? As que sonho com a Andreia.
Sabor que lhe traz mais saudade…? Ostras no sul de França.
Cidade para viver…? Não é cidade, mas conta: Melides. Com ponte aérea para Lisboa, sempre.
Lugar a visitar vezes sem conta…? Buenos Aires, porque ainda não fui…

Do mundo dos media
Programa de televisão…? De momento, nenhum me prende. Só algumas séries.
Programa de rádio…? “David Ferreira a Contar”.
Blogue a seguir religiosamente…? O marginal ameno (http://omarginalameno.blogs.sapo.pt/).
DNA…? Eu queria.
Leituras obrigatórias…? Monocle, Saveur, Vanity Fair.
Melhor informação…? A da rádio, em geral. A da Antena 1, em particular (ainda que esta opinião seja viciada e suspeita!).
Contrainformação…? A que mistura negócios, interesses, política, e alguns jornais.
Não perde por nada…? Tudo o que faz o Ricardo Araujo Pereira, tudo o que escreve o Miguel Esteves Cardoso, tudo o que pensa o Vasco Pulido Valente.


publicado por PRD às 17:20
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2015

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... Pelas 10 da manhã, na Antena 3. Ou amanhã, segunda, depois das 23:00, na Antena 1. Este "Mais Novos que Nunca" está a correr bem, tem histórias e ideias, pessoas e inspirações.

Cito-me: "Uma hora para conhecer histórias, pessoas, ideias, sempre à volta de um mesmo caminho: o que sai fora da estrada normal da vida e encontra destinos novos, inovadores, nem que seja apenas renovados.

Uma hora para reconhecer que o Mundo pode ser diferente, e melhor, quando se passa da ideia à acção, quando se acredita que um pequeno passo de cada um pode ser um grande passo para a humanidade. Foi assim que o homem chegou à Lua - e é assim que as pessoas que passam por este estudio vivem, criam, inventam, produzem.

Uma hora para acreditar que não estamos condenados a uma vida cinzenta, sem sonhos nem ideais, sem um crédito suplementar naquilo que nos move. Ou nos comove.
Afinal, como dizia alguém, o coração não serve apenas para bombar sangue - e é por esse caminho que vamos, todas as semanas, nas antenas da rádio pública".

É ir aqui e procurar...


publicado por PRD às 09:30
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2015

A minha mãe telefonou-me ontem (ou há dois dias...) e só se lembrou de uma das duas razões pela qual o fez. Anda preocupada com isto, porque a irrita, aos 84 anos, ter falhas de memória. E indignou-se com a circunstância.
Eu também me esqueço de tudo, e nestas ocasiões lembro-me sempre de responder com um exemplo meu. De há bocado. Sublinhando que tenho 50 anos, menos 34 que ela. No caso, contei-lhe que tinha combinado um encontro exactamente no mesmo horário a que dou aulas na Restart. As aulas estão marcadas há muitos meses. E eu sabia. E estava escrito na agenda. Ainda assim, combinei…
Pois bem. Na sequência desta crónica e deste post, e de dezenas de outros que tenho dedicado ao tema (como se vê, preocupa-me…), veio a Joana Jorge dizer-me que, no fundo, talvez eu fosse uma pessoa de vanguarda. Na medida em que a Internet (e especialmente o Google) tiram na hora qualquer dúvida que a memória não esclarece ou ilumina, podemos dispensá-la de vez e ocupar essa parte do cérebro com outras preocupações, temas, ideias. De momento, não me ocorre nenhuma. Mas é sempre bom pensar que podemos estar à frente. Tal como os nossos membros se desenvolveram em função das necessidades que fomos tendo, também algumas características podem mudar em função das facilidades que se nos colocam à frente. Se calhar, daqui a 500 anos a memória individual está limitada aos sentimentos, cheiros, ao que é sensorial e realmente relevante. O resto consulta-se na rede, na nuvem, na palma da mão.
Se assim for, eu terei sido pioneiro. Não me serve de nada nos dias que correm, mas sempre é uma esperança. Estou mais animado.


publicado por PRD às 18:32
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