Blog da semana Maria
Isto é bem mais do que um blog: é um espaço apaixonante sobre comida, fotografia, e boas histórias, de uma portuguesa actualmente a viver em Brooklyn, New York. Não percam a Maria Midões de vista, é o que vos aconselho...
Uma boa frase “Há cada vez menos informação nas internetes. Grande parte de nós passa os dias nas redes sociais onde com frequência não se distingue o que é forjado do que é facto. (...) Habitamos cada vez mais no mundo virtual da colagem, do corta-e-cola, da legenda inventada sobre o rosto de uma figura pública, do obituário de alguém que morreu há cinco anos, da notícia desmentida que fica por desmentir por quem a exibe perante a sua comunidade de amigos salivantes." Nuno Costa Santos,
O Marginal Ameno
Mais comentários e ideias: pedro.roloduarte@sapo.pt
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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

Por causa do "Mais Novos Do que Nunca", emissão da Antena 1 que esta semana festeja o seu primeiro ano, e que é dos mais fascinantes e inspiradores programas de rádio que fiz na vida (e olhem que levo mais de 30 anos disto…), recuperei um poema delicioso do brasileiro Manoel de Barros.
Partilho-o, com uma dedicatória: à Joana Jorge, que comigo se apaixonou por este projecto (que eu sinto que é tanto meu quanto dela…), e que vibra e se emociona sempre que temos uma daquelas histórias que dão nó na garganta. E não têm sido poucas…
Como esta, que na semana que vem contamos, e que me remeteu para o velho Manoel de Barros, que faria 100 anos em 2016…

Fica o poema, como se fosse uma vela para apagar:

O casaco

Um homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
e sujo.
Tentou sair da angústia
Isto ser:
Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no lixo.
Ele queria amanhecer.


publicado por PRD às 23:47
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Domingo, 7 de Fevereiro de 2016

Pode parecer lambe-botice ou elogio em causa própria, mas sou sincero: não me interessa o que possa parecer. Quem me conhece sabe que só elogio aquilo de que realmente gosto, que não regateio palavras aos bons trabalhos que leio ou vejo, e que tenho um percurso de vida muito mais feito de dar visibilidade ao talento dos outros do que andar à procura de aplausos para mim.
Dito isto, venho aqui, de passagem, para elogiar a plataforma que a RTP montou - e quem a inventou… - para manter visíveis/audíveis os seus programas de rádio e TV, independentemente de poderem constituir também podcast ou não (e aqui a coisa já mete direitos de autor sobre filmes e músicas, por isso nem tudo pode estar neste formato). Hoje, qualquer programa das antenas públicas da rádio, ou dos diversos canais de TV da RTP, pode ser visto no computador, no smartphone, ou no tablet, a qualquer hora, em qualquer dia, organizado por datas, com referências ao conteúdo, de uma forma simples, prática e intuitiva. Sou fã da coisa.
Está aqui e basta ir ao separador "Programas de A-Z" para tudo correr sobre rodas.
E já que lhe dou os parabéns, também deixo os links para os programas onde, de momento, dou a cara e/ou a voz:
Hotel Babilónia (Antena 1, com João Gobern, produção de Joana Jorge)
Mais Novos que Nunca (Antena 1, com produção e edição de Joana Jorge)
Central Parque (RTP3, com Joana Stichini Vilela, Nuno Aguiar e Filipa Gambino, produção de Diogo Peres)
É tão bom ter tudo à mão.


publicado por PRD às 12:12
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2016

(Crónica desta quinta, no Sapo24)

Tenho lido e ouvido o depoimento de muitos profissionais da hotelaria que declaram, sem qualquer espécie de vergonha na cara, que os preços não vão baixar na restauração mesmo que o IVA volte aos 13% de há uns anos. Ou seja: os mesmos que, quando o IVA subiu para os actuais 23%, fizeram recair sobre o consumidor esse aumento, desculpando-se com a medida governamental, refugiam-se agora nas mais esfarrapadas argumentações para não repor o que lhes teria sido subtraído. Mantem-se actual o clássico “quem se lixa é o mexilhão”, que somos todos nós, consumidores - e lembro-me imediatamente de quando o escudo deu lugar ao euro e, do café à sanduíche, o que antes custava 100 escudos foi facilmente “arredondado” para 1 euro… Ou seja, o dobro. Parece que há sempre alguém mais esperto do que nós.
Na verdade, oiço estas pessoas usarem argumentos estapafúrdios para manter os preços 10% mais altos e, por um lado, pasmo: é preciso lata. Mas, por outro, respeito e compreendo: não estão a fazer mais nem menos do que sucessivos governos - que, em teoria, também prometeram o que jamais cumpriram, tornaram definitivas as medidas provisórias, e arranjaram sempre boas desculpas para, “afinal”, não ser possível o que antes era óbvio. Se é verdade que o exemplo vem de cima, os profissionais da restauração estão a seguir o exemplo dos reembolsos que não se podem reembolsar, das taxas extraordinárias que o tempo tornou ordinárias, e dos abatimentos fiscais que anualmente minguam como gelo a derreter ao sol.
Se quisermos ser rigorosos, mesmo no “dossier” IVA já há ditos por não dito: o que era uma promessa eleitoral de baixar o imposto na restauração, sem especificações de maior, foi limitado a parte dos produtos que a hotelaria comercializa - e não é já, é lá mais para a frente. Foi o Governo o primeiro a mudar de ideias. Mas os profissionais do sector, que também são profissionais do queixume permanente - “isto está cada vez pior” é o chavão de todos os dias… -, parecem excelentes alunos.
O problema maior vem depois e está estudado pelos especialistas: quanto mais se lhe aperta a garganta, mais rapidamente se empurra o contribuinte para a economia paralela, para a compra e venda sem papeis e sem registos, para o negócio quase comunitário da troca de bens e serviços. Há uma limite acima do qual o “cobrador”, seja o Estado ou um restaurante, começa a asfixiar a galinha dos ovos de ouro. E ela morre. Ou deixa de pôr ovos. Na pior das hipóteses, reclama um subsidio ou pede um resgate financeiro. Para o que estamos guardados…


publicado por PRD às 11:04
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Domingo, 31 de Janeiro de 2016

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Na íntegra, pode ler-se aqui. No original, foi publicada na edição de Abril de 1991 da revista K. Não entrevistei o escritor nem me senti jornalista à sua frente - assumi a verdade do ex-aluno que se confronta com o Professor de Português, no Liceu de Camões, dez anos antes...
Revelei-lhe o percurso que me levou de cábula irritado com um professor exigente a leitor apaixonado dos seus livros TODOS.

Hoje, para mim (ignorante que só lê o que lhe apetece, jamais o que "deve"), Vergílio Ferreira é um dos dois ou três escritores maiores do século XX português. Na semana que passou, a propósito do centenário do seu nascimento, falou-se muito de Vergílio Ferreira. Em breve, volta a falar-se, a propósito dos 20 anos sobre a sua morte. Sou sincero: falo dele todos os dias. Na maior parte das vezes, apenas comigo. Mas falo. E volto às suas páginas a toda a hora. Está por perto, sempre.
Deixo uma das respostas às perguntas que lhe fiz, há 25 anos, nessa tarde de Inverno em que me recebeu na sua casa da Avenida Estados Unidos da América:

“Nos meus livros há mortos mas não há cadáveres... faz a sua diferença, não é? A verdade é que a morte, a reflexão sobre ela, é para mim uma forma de valorizar a vida - tal como é contra um fundo de escuridão que um fósforo aceso se vê. Essa reflexão não serve para nos afundar, mas para a vida irromper mais forte. Eu sou consciente - e é em função da morte que para mim a vida tem significado. Na sua idade isto não existe, é verdade, mas é bom que através dos meus livros tome consciência da sua existência. Isso significa que fui útil. Porque é que um jovem não há-de pensar nisso? Neste meu último livro, a morte continua a estar muito presente, mas houve quem me dissesse que, depois de o ler, tinha ganho mais amor à vida. Como o doente quando volta a ser saudável - ou o suicida que é salvo a tempo e passa a olhar o mundo com uma atenção extraordinária, como uma revelação.”

 

(Nota relevante: As fotografias (geniais) são da Inês Gonçalves. Que saudades de ver o seu génio com regularidade...)


publicado por PRD às 18:18
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Sábado, 30 de Janeiro de 2016

(Crónica originalmente publicada na Lux Woman. Por engano, postei há dias aquela que sai este mês, e deixei esquecida a do mês passado. Cá fica agora. A próxima... Bom, sobre a próxima falaremos em devido tempo!)

 

Quando, aqui há uns meses, tive uma primeira reunião com a minha colega Joana Stichini Vilela, para desenharmos o que viria a ser um novo programa de televisão, ela sublinhou várias vezes a ideia de podermos assumir o papel de “curadores” de um mundo que tem oferta excessiva para a nossa capacidade de consumo, e essencialmente de escolha. Na altura, confesso, associava a palavra “curador” apenas às exposições de arte, às grandes manifestações culturais, em que surgia uma espécie de “alto comissário” responsável pela selecção de obras. A ideia de “curadoria” estava de tal forma numa esfera de superioridade que cheguei a pensar que seria absurda a utilização da palavra num programa que apenas queria seguir tendências sociais, novos caminhos dos media, saídas para os becos onde a cultura se foi enfiando desde que a internet veio “baralhar” a ordem estabelecida.
Neste ponto, vale a pena dizer que a Joana é uma daquelas raras jornalistas que faz a ponte entre gerações com mestria e inteligência: está atenta ao que é novo sem entrar em histeria, respeita o que existe sem aquela atitude muito em voga de “deixa andar” e “logo se vê”. A Joana é uma lição permanente para quem trabalha com ela (e no meu caso, além de partilharmos um corredor de mesas no primeiro ano do jornal “i”, mal nos conhecíamos), pela inteligência com que gere a sensatez e o entusiasmo que a caracterizam e com os quais vive feliz. Adiante.
O programa nasceu e eu fui-me habituando à ideia de curadoria aplicada a coisas simples como revistas, ou livros, ou restaurantes. E aos poucos ganhou um estatuto que me fez dar razão, de vez, à Joana: a profissão que mais falta faz nos dias que correm é mesmo a de curador.
De tudo. Especado perante um expositor de enchidos num supermercado, não sei de todo por que morcela optar, ou farinheira, ou chouriço (sim, sei que vou morrer por causa do cozido à portuguesa…). Queria um curador ao meu lado, alguém que me dissesse se, apesar da fama do porco preto, para o cozido ou para umas favas não será preferível um chouriço mais corrente. O mesmo curador que depois me ajudaria a escolher a carne para cozer, as couves, e no limite a batata (só a variedade de batatas que existe daria um tratado…).
Do supermercado salto para uma livraria e a perdição é completa, entre os livros cujas capas me atraem, os autores que conheço, os livros que a critica recomendou. Da livraria passo para a TV e as séries. Que faço? É impossível acompanhar a voragem daquilo a que Edson Athayde, com muita graça, retratou nesta frase notável: “Um país sem Netflix é como um país sem McDonald’s. As séries americanas tornaram-se o fast food da alma”.
E vou por aí fora, numa oferta global sem precedentes em todas as áreas do consumo, e numa rede gigantesca de possibilidades de acesso: a net, as lojas, os centros comerciais, a venda por correspondência, por telefone, porta a porta.
Falo por mim: sinto-me cercado e de certa forma acossado por todo este excesso e pela pressão que se lhe associa. Há sempre alguém que nos diz “o quê?! Tu ainda não viste?!”, como se fosse crime passar ao lado de mais uma serie da Fox. “Ainda não foste àquele restaurante?!” - e a resposta “ando com pouco dinheiro para esses luxos” não serve nunca o interlocutor. “Tens de…” é sempre o começo da frase seguinte.
Há uma só realidade: quanto mais oferta, maior parece ser a nossa ignorância. Ou a estranha sensação de que nos passa ao lado o que não passa ao lado de mais ninguém. Sei que não é verdade, e sei que não estou sozinho.
Mas a noite passada sonhei que tinha despedido a senhora que me limpa a casa uma vez por semana e tinha contratado um curador. Completo. De tudo. Para me escolher os filmes, as séries, os livros, os discos, as revistas, os chouriços, os queijos, os vinhos, as exposições, os colunistas, os pneus do carro. E quem sabe, no futuro, a vida. Toda ela. Não foi um sonho, claro. Foi um pesadelo.


publicado por PRD às 15:15
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