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Pedro Rolo Duarte

19
Jun09

Benfiquista, mas pouco

Sou benfiquista desde que nasci, não sei porquê nem nunca quis saber. Durante um período curto, fui sócio do clube, porque um amigo descobriu que o meu filho era sócio e eu não – o que significava, na opinião dele, algo contra-natura: mesmo que eu entrasse para o clube naquele instante, teria um “número de sócio” anterior ao do António Maria, o que não fazia sentido entre pai e filho.

Não liguei grande coisa, mas lá me tornei sócio. Julgo que, por incumprimento no pagamento de quotas, já fui “escovado”. Na verdade, o Benfica entusiasmou-me por causa do meu filho, e foi por ele que eu comecei a gostar de futebol, e é por ele que eu sigo a Liga, como sigo o seu desempenho enquanto federado de ténis-de-mesa (que parece neste momento ameaçado por falta de verba...).

Nunca me passou pela cabeça envolver-me nos assuntos do clube, ou sequer aproximar-me de tal passo. No entanto, nos últimos dias, ao ouvir o nome de José Eduardo Moniz como potencial candidato a uma lista para a Presidência do Clube, despertou em mim pela primeira vez o benfiquismo latente. Pensei: se o José Eduardo avançar, eu quero ajudar aquela lista a ganhar. E quero envolver-me no clube. Acreditei – acredito – que ao futebol fazem falta pessoas como o José Eduardo Moniz: uma formação distinta, uma cultura superior, que não se deixa esmagar pelas luzes da ribalta ou pelos dourados do poder, uma seriedade indiscutível e uma capacidade de gestão que convoca modernidade e eficácia.

Digo isto sem qualquer razão suplementar: trabalhei com o José Eduardo Moniz enquanto de mim precisou, não voltei a trabalhar com ele (já lá vão 10 anos) porque não voltou a precisar. Nunca fez o favor de me ajudar nem eu a ele, que de resto nunca precisou – pelo que, para todos os efeitos, estamos a zeros.

Se me entusiasmei com a ideia Moniz-Benfica foi porque vi nela o que falta ao futebol português: ventos de mudança, mudança feita com gente que olha o desporto, o negócio e a gestão de forma profissional e culta. A cultura e a gestão de mãos dadas são o segredo do sucesso – e essa aliança, que Moniz tem em si, tarda em chegar à bola.

Á noite, quando vi a notícia de que o director-geral da TVI não avançava, enrolei a bandeira, perdi aquele “minuto” de entusiasmo e voltei ao meu “lugar cativo” de sempre. O lugar de quem assiste, sem entusiasmo maior do que o óbvio, ao mais do mesmo que fustiga o Benfica há anos demais. Fica para a próxima.

 

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