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Pedro Rolo Duarte

03
Ago09

O país interrompido

Chegou Agosto e o país interrompe-se. Não há nada que realmente abale Portugal.
(Parece que aqui ao lado, em Espanha, se tem verificado um movimento espontâneo dos comerciantes no sentido de estarem abertos mais horas em cada dia e mais dias em cada semana, para terem a oportunidade de compensar as perdas com, pelo menos, vendas assinaláveis. A ideia clássica: se houver mais hipótese de comprar, há maior probabilidade de vender).

Em Portugal, não. Chegou Agosto e o país interrompe-se. Fecha-se “para férias do pessoal”. Fecha-se à hora do almoço. Fecha-se porque sempre se fechou. No lugar onde passo os meus fins-de-semana de Verão, a papelaria, que tem este mês o seu momento de glória anual para vender jornais e revistas (especialmente aos fins de semana), não abdica da rotina de Inverno: fecha sábado e domingo à hora do almoço e não reabre; fecha à hora do almoço dos dias de semana e ignora o movimento tardio do veraneante. Queixa-se da crise, seguramente.

Um dos meus restaurantes favoritos fecha para férias, todos os anos, algumas semanas em Julho. Achei que este ano tal não sucederia, para reagir à crise. Enganei-me: bati com o nariz na porta.

Chegou Agosto e o país interrompe-se.

Estará o país interrompido ou definitivamente corrompido? Sinceramente, troco o “adeus português” pelo “Verão português”. Porque esta é a época que nos desmancha e desmascara. Que nos exibe e demonstra. Que diz muito sobre nós. E dizendo muito, "aos costumes" vai dizendo nada. Que interesse, claro.

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