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Pedro Rolo Duarte

04
Ago09

Assim de repente, ocorre-me:

Que até “transito em julgado”, Isaltino não é culpado, bem o sabemos. Isso não significa, porém, que o respeito que lhe deve merecer um tribunal não levasse o politico a, numa primeira análise, recolher a casa e retirar a sua candidatura. Era o mínimo.

O que Isaltino fez ontem foi aproveitar, em proveito próprio, as prerrogativas que a justiça disponibiliza para corrigir eventuais erros judiciários. Decidiu seguir o “quem não deve, não teme” – mas esqueceu-se que o poder judicial é autónomo e independente, dando a entender que estava numa batalha politica. Ou seja, confundiu e baralhou tudo deliberadamente. Poeira para os nossos olhos, portanto.

Sucede que, com ou sem provas factuais, as contas na Suíça, o cheque dos 4 mil contos e as alterações na volumetria dos edifícios que estiveram em “debate” são suficientes para demonstrar que ele não é propriamente um exemplo a seguir. Um politico sério, e que se quer fazer respeitar, teria a obrigação ética e moral de sair de cena e esperar o fim da festa.

A Isaltino de Morais, dá-lhe igual. Manuela Ferreira Leite acha que não é o momento para este debate. E o PS deve estar a assobiar para o alto.

Depois espantam-se com a abstenção, a corrupção, a chico-espertice, e o mais que sabemos... Ontem foi mais um dia para lamentar na pobre democracia nacional.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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