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Pedro Rolo Duarte

20
Ago09

Um momento dos pequeninos

Conheço o João há mais de 20 anos. Leio o João desde que ele começou a publicar. Admiro a sua coragem, a sua desfaçatez, o seu exagero e, até agora, a sua liberdade individual. Não podendo dizer que somos amigos chegados, tenho a certeza de que nutrimos amigável respeito e simpatia um pelo outro.

Mas deixo-lhe – até pela consideração que me merece... - este desafio: atento, minucioso, e exigente, como só ele, adorava perceber que mecanismo obscuro da memória conseguiu activar de forma a esquecer, ignorar, ou assobiar para o lado, face ao passado de Pedro Santana Lopes, a tudo o que fez na política – e quase tudo seria, no seu melhor, desfeito pelo João Gonçalves... – e ao que promete arrasar no futuro, caso ganhe as eleições em Lisboa.

A minha memória é péssima, mas começando na defesa do teatro independente nos tempos da Cultura, até aos violinos de Chopin, passando pelas noitadas nas discotecas enquanto devia governar, pelo financiamento de experiências da brasileira Christiane Torloni no Porto, pelos projectos megalómanos para o Parque Mayer, e acabando no uso da língua portuguesa que faz no seu blog, não falando obviamente do buraco financeiro de Lisboa, julgo poder elencar uns generosos 50 temas relacionados com a carreira do candidato do PSD à Câmara de Lisboa que mereceriam no “Portugal dos Pequeninos” aqueles posts mortais, cortantes e implacáveis a que nos habituou o autor do blog.

Isto é: como é que o João “compagina” – talvez a pior e mais feia palavra que escrevi na vida, mas já está... – o seu rigor, escrutínio e exigência com a negligência, a ignorância e o passado de Pedro Santana Lopes?

Confesso que desta vez o João me desiludiu. Justamente porque a fasquia que ele coloca na análise e na opinião que manifesta está tão na estratosfera face aos Santanas desta vida, que o apoio e o empenho no blog respectivo parece um engano, um erro - ou o pior de tudo (como ele diria, se tivesse de dizer...): um momento de fraqueza. Um momento pequenino?

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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