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Pedro Rolo Duarte

02
Set09

O problema de José Sócrates

O problema de José Sócrates está em pessoas como eu. Pessoas que votaram PS porque acreditaram nele. Como eu votei. Pessoas com votos diversos ao longo dos anos, que foram acreditando nas propostas deste ou daquele candidato. Convictamente. E que ao longo destes quatro anos assistiram ao esboroar diário e consecutivo desse crédito e dessa convicção. Pessoas que sentiram – eu senti – o golpe na liberdade de informação que permite à oposição falar em “medo” e “asfixia”. Pessoas que viram a arrogância e a prepotência tomarem o lugar da tolerância e do diálogo. Pessoas que viram o PS governar contra tudo e contra todos, e sentiram que perpetuar o poder era na verdade o Programa de Governo.

Essas pessoas – lá está, das quais faço parte – não acreditam agora na voz repentinamente mansa de Sócrates quando diz que se calhar não foi “delicado” com os professores, ou quando devolve o Freeport à origem, ou mesmo quando fala do orgulho no país das energias alternativas. É um pouco como ver o meu antigo director Paulo Portas a conversar com as peixeiras em Benfica: passa bem na imagem, mas não passa de uma imagem.

Eu olho para José Sócrates – em quem acreditei e votei – e sinto-me desiludido e desencantado. O problema dele são pessoas como eu. Que provavelmente vão votar em branco.

Acima de tudo, e pior: pessoas que deram mais um passo no sentido desse abismo que é a desconfiança generalizada sobre quem se propõe governar Portugal. Sejam quem forem – e isso está muito para lá do PS que está.

 

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