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Pedro Rolo Duarte

20
Out09

O regresso de Cavaco Silva

Entre as qualidades que distinguiam, até há pouco tempo, Cavaco Silva, estava a sua absoluta previsibilidade. Não havia na política alguém mais aborrecido. Parecia um filme português de um plano só. Os jornalistas, com ele, adivinhavam vetos, atitudes, e até podiam comentar discursos que ainda não tinha proferido. Nesse tempo, se dependesse do Presidente, os jornais fechavam cedo.

Com a história das escutas e as sucessivas declarações e esclarecimento, silêncios ensurdecedores e ruídos imperceptíveis, Cavaco Silva acordou Portugal. E surpreendeu-nos. A mim, confesso, assustou mais do que surpreendeu. Por momentos, pensei que o Chefe de Estado tinha perdido essa qualidade presidencial e estava a ficar parecido com os outros meninos.

Mas não. Hoje, tudo voltou à normalidade: o Presidente da República recusou o convite para ser convidado no último “Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios”, que vai para o ar na próxima sexta-feira. Voltou ao registo de sempre.

Previsível, aborrecido, e igual a si próprio. Estou mais descansado.

 

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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