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Pedro Rolo Duarte

27
Out09

Novas emoções

O futebol passou ao lado da minha existência até ao ano 2000, mais ou menos. Eu sabia que era do Benfica, mas não sabia muito mais do que isso. Tinha ido ao Estádio da Luz uma vez, com o João Gobern, para ver um jogo irrelevante e perceber a”mística” da coisa. Não percebi nada.

Até que fui pai. Tudo mudou. A minha mãe ofereceu cartão de sócio do Benfica ao meu filho em 1996 - tinha ele um ano - e o meu amigo António Sala telefonou-me em estado de choque porque, mesmo que entrasse para o clube naquele dia, eu iria ter um numero de sócio posterior ao do próprio filho. Aparentemente, um escândalo.

Convocado pelo entusiasmo do António Sala, inscrevi-me. Mas como nunca paguei quotas além das iniciais, já deixei de ser sócio.

O passar dos anos, e o entusiasmo do meu filho, aproximaram-me da modalidade. O Euro 2004 ajudou – e Scolari foi marcante. Comecei a perceber melhor as regras. Depois ganhei o gosto pelo jogo via-televisão. E finalmente rendi-me à magia do estádio.

Nunca serei o adepto furioso e de cachecol. Não deixarei de cumprir a minha agenda normal por causa de um jogo de futebol. Mas confesso que, aqui chegado, gosto finalmente de futebol e vibro com um jogo do meu clube, ou da minha selecção.

Devo isso, em primeiro lugar, ao António Maria (que foi aliás um excelente guarda-redes das escolas do clube, como a foto documenta...). Depois, ao Benfica, a Scolari e à “sua” Selecção de 2004, e por fim a Figo e a Cristiano Ronaldo, cujas jogadas exemplares mexeram com o ignorante que eu era.

Por isso, é sempre especial e emocionante entrar, como ontem sucedeu, no Estádio da Luz, ver aquelas 40 mil almas juntas – e, cereja em cima do bolo, assistir a uma goleada que só não foi maior por manifesta incompetência do árbitro.

Às dez da noite deixei o António Maria em casa da mãe e fui comer um bife à Trindade. Não imaginam a felicidade com que, sozinho, pensei nesta emoção nova que há 10 anos não sabia sequer como podia existir. Hoje existe, e eu sinto-a. Este ano, até ver, com especial sabor...

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Retrovisor. Quem lia A.B.Kotter no velho Semanário habituou-se a gostar de ler José Cutileiro. Neste blog, a escrita é outra, mas continua a ser uma delícia. Pena que o "Expresso", que o tem como colaborador, não lhe dê mais espaço...

Uma boa frase

“Este ano será de vida nova, não por mérito ou culpa própria: nós por cá todos bem. Mas Trump, Brexit, Putin, Estado Islâmico, tudo cada vez mais desigual e cada vez mais perto de tudo, vão meter-nos as novidades pela porta dentro, boas e más. Sobretudo más." José Cutileiro, Retrovisor

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