






Sobre o tema do referendo ao casamento homossexual, ocorrem-me os seguintes pontos:
Um. As eleições legislativas realizaram-se há mês e meio, ou seja, os seus resultados parecem-me válidos e longe de se considerarem desactualizados.
Dois. 54,23% dos eleitores votaram nas três forças que apoiam a alteração legislativa que permitirá o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tal facto não foi evitado nem escamoteado durante a campanha eleitoral.
Três. Mesmo tendo em consideração a taxa de abstenção nesse acto eleitoral, estamos a falar de 3 milhões, mais 82 mil, mais 751 portugueses. Que votaram no PS, no Bloco de Esquerda e na CDU.
Quatro. Tendo a Assembleia da Republica legitimidade política e legal para legislar sobre esta matéria, como cidadão apenas espero que cumpra a sua obrigação. Defraudar a expectativa de mais de 3 milhões de portugueses parece-me tão absurdo quanto perigoso.
... Dito isto, acho a ideia do referendo, neste caso, uma espécie de piada de mau gosto sobre a essência da democracia. Ou um atestado de menoridade ao Parlamento e ao voto dos portugueses. Ou, pior ainda, uma batota típica de mau perdedor.
Não me fica mal lembrar, qual disclaimer, que desta vez não votei em qualquer daquelas 3 forças politicas que representam os tais 54,23%...

