7 Novembro 2009
Sobre o tema do referendo ao casamento homossexual, ocorrem-me os seguintes pontos:
Um. As eleições legislativas realizaram-se há mês e meio, ou seja, os seus resultados parecem-me válidos e longe de se considerarem desactualizados.
Dois. 54,23% dos eleitores votaram nas três forças que apoiam a alteração legislativa que permitirá o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tal facto não foi evitado nem escamoteado durante a campanha eleitoral.
Três. Mesmo tendo em consideração a taxa de abstenção nesse acto eleitoral, estamos a falar de 3 milhões, mais 82 mil, mais 751 portugueses. Que votaram no PS, no Bloco de Esquerda e na CDU.
Quatro. Tendo a Assembleia da Republica legitimidade política e legal para legislar sobre esta matéria, como cidadão apenas espero que cumpra a sua obrigação. Defraudar a expectativa de mais de 3 milhões de portugueses parece-me tão absurdo quanto perigoso.
... Dito isto, acho a ideia do referendo, neste caso, uma espécie de piada de mau gosto sobre a essência da democracia. Ou um atestado de menoridade ao Parlamento e ao voto dos portugueses. Ou, pior ainda, uma batota típica de mau perdedor.
Não me fica mal lembrar, qual disclaimer, que desta vez não votei em qualquer daquelas 3 forças politicas que representam os tais 54,23%...
Completamente contra o referendo.
É como dizes... ganhou um governo que apoia a causa. Quem votou nesse governo, sabia das suas politicas.
Quanto a quem se absteve... azar! Tivessem ido votar.
*
De
bia a 7 de Novembro de 2009 às 12:11
presuntos implicados.....
eu também adorava e coleccionava....agora sigo a carreira a solo da sua..."Alma de Blues"
Bom gosto, Pedro!!
É verdade que as eleições ainda há muito pouco ocorreram. No entanto, dada a sensibilidade do tema e o facto de se estar a mexer num institulo legal profundamente enraízado na nossa cultura - o casamento -, é necessário que esta matéria seja discutida abertamente de modo a esclarecer-se qual a verdadeira intenção dos portugueses. É fácil dizer que cinquenta e tal por cento votaram naqueles partidos que defendem o casamento homossexual, mas o certo é que o voto num partido não referenda todas as matérias.
Ou será que todos os que votaram no partidos socialista, comunista e Bloco de Esquerda estão de acordo com o casamento entre homossexuais? Existe, pois, a necessidade de referendar uma matéria que é demasiado sensível para se deixar ser decidida sem debate prévio e devidamente esclarecedor. Faça-se o referendo.
De Zé a 7 de Novembro de 2009 às 14:47
Estamos a falar de referendo, referendo, ou de pebliscito? É que, por vezes, misturam tudo no mesmo saco e, no entnto, são coisas diferentes.
De
patti a 7 de Novembro de 2009 às 15:10
Também não votei em nenhuma dessas três forças. Pela primeira vez mudei a minha intenção de voto, para um partido que, penso, na sua maioria não deve apoiar esta lei do casamento entre homossexuais.
Mas eu sou totalmente a favor dessa lei e chega de homofobia. Um referendo sobre uma matéria como esta, é um perfeito disparate.
De VSM a 7 de Novembro de 2009 às 16:46
Pedro, esta canção interpretada pela Gimenez ouvia-a já cantada pela fabulosa Chavela Vargas e era igualmente muito boa. Para quem não conhece a Chavela Vargas adianto que é uma portoriquenha, que adoptou o México como sua pátria, tem mais de 80 anos e as suas interpretações de clássicos sul-americanos são imperdíveis.
Saudações
Caro Pedro,
não concordo com o seu argumento.
Ele pressupõe que quem vota num partido concorda com todos os pontos constantes do respectivo programa eleitoral, o que não tem qualquer demonstração possível.
Há fortes razões para supor que a maioria da população seja contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo; um estudo da Eurosondagem apurou no fim de Outubro 49% contra e 45% a favor.
Eu, por exemplo, sou totalmente contra a discriminação dos homossexuais mas não considero que, no caso vertente, se possa falar de discriminação.
Um regime democrático, com a sua Constituição e as suas instituições, é uma espécie de contrato que se baseia na aceitação voluntária por parte da maioria dos cidadãos.
O desrespeito continuado desse consenso tácito só pode conduzir à perda de legitimidade do tal contrato.
É por isso que eu penso que as "minorias esclarecidas" devem evitar esse tipo de habilidades, especialmente quando se trata de satisfazer modas ou caprichos, pois a prazo elas terão consequências funestas.
É preciso um raciocínio muito distorcido para escrever um post destes.
Se tivesse estudado Filosofia, V. saberia que, para determinada conclusão, são indispensáveis certas premissas.
Mas... V. estudou o quê?
De Maria Santos a 7 de Novembro de 2009 às 21:04
Pensamento muito bem estruturado...
Pedro, eu que estou entre os tais 54% agradeço a solidariedade de alguém que está noutra quanto a eleições. De facto a participação cívica não se esgota no acto eleitoral....
Gosto da sua verdade.
Não ao referendo, está claro!
Um abraço
A mesma premissa não seria válida para a questão do aborto?
O PS tinha um governo maioritário e insistiu (na minha opinião mal) em efectuar um segundo referendo sobre o aborto.
Nenhum dos referendos teve a participação necessária para ser vinculativo. Num venceu o Não, noutro venceu o Sim, repito nenhum foi vinculativo... ainda a sim a lei foi alterada, ilegitimamente (na minha opinião).
A alteração legítima deveria ter sido efectuada na Assembleia sem a muleta do inconclusivo referendo que mais não fez que esturrar mais uns milhares/milhões? de euros a este depauperado país.
Está, contudo, aberto um precedente.
Um governo maioritário não teve coragem para legislar sem o recurso ao referendo numa questão que tinha a ver com o direito de uma minoria.
Não acredito que um governo que não mereceu a confiança da maioria dos portugueses se sinta legitimado para impor uma alteração legislativa tão importante sem recurso a referendo
«os direitos das minorias não são referendáveis» dirão aqueles cujas opções sexuais passam por se quererem amarrar com os laços do casamento a pessoas do mesmo sexo.
Não?
Então porque o foram no caso do aborto?
Nota: Apesar das lacunas existentes sou a favor da actual lei do aborto.
Julgo que a legislação deveria contemplar todos os direitos/deveres que garantissem as prerrogativas legais das uniões entre seres humanos adultos desde que consentidas e sem quaisquer limites, contudo, esse contrato (na minha opinião) não se deveria chamar casamento.
Casamento tal como o baptismo, por exemplo, é um sacramento milenário do cristianismo (e doutras religiões) que foi, recentemente, integrado no ordenamento jurídico moderno/contemporâneo.
O casamento dizia respeito à união entre um homem e uma mulher que não tivessem laços directos de parentesco.
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