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Domingo, 8 de Novembro de 2009

Foi um miúdo com 12, 13 anos, turco, que de escopro e martelo em punho me perguntou quantos pedaços do muro queria eu, a troco de meia-duzia de marcos alemães. Fiz as contas aos familiares e amigos - e contei comigo, claro. Trouxe uma mala de pedras para Lisboa. Fiquei com o bocado maior que, há tempos, numa manobra menos feliz de quem então me limpava a casa, se repartiu em quatro pedaços. Mas eles resistem na minha vida: são mesmo retirados, “à frente do cliente”, do Muro de Berlim, ainda a quente, há 20 anos, quando tudo voltou a estar em causa e a felicidade estampada no rosto daquele povo me iluminou.

Quem testemunhou o encontro entre a civilização do Trabant e do BMW, entre a luz velada da noite e o néon feliz e feérico, nunca mais foi capaz de acreditar nos tais “amanhãs que cantam”. Já não acreditava – mas deixei-me embebedar noite dentro com a alegria de confirmar os meus equívocos passados...

Ainda hoje me emociono quando recordo aqueles dias que por ali passei, já o muro estava quase desfeito...

 



publicado por PRD às 17:50
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12 comentários:
Sabes, nunca consegui ficar, nem nunca quis ficar, com nenhum pedacinho daquilo. Mesmo ao pé do Muro há um memorial às vítimas do Muro "Öpfer der Mauer" e eu lembrava-me sempre dos alemães metralhados contra o Muro e lembrava-me sempre das minhas tias a fugirem dele, a fugirem das balas. Ainda hoje não consigo passar nos sítios onde passava o Muro. Fiz isso uma vez: fingir que atravessava a parede invísivel onde ele esteve e foi uma imensa sensação de algo esquisito. Não voltei a repetir.
Hoje. Hoje recordo-me dos dias de esperança depois da Queda. Recordo-me da minha Mãe. Recordo-me da incredulidade (ah, mas não me quero recordar dos Scorpions e o Wind of Change que me atrofia o cérebro). Sim, o Muro caiu, Gott seid Dank!

deixado em 8/11/09 às 23:03
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Há 20 anos o meu cunhado era repórter de imagem da RTP. Foi para Berlim, para a queda do Muro. Trouxe-me um pedaço de muro, dentro de um saco de plástico, com um certificado de autenticidade. Hoje, passados 20 anos e não sei quantas mudanças de casa, esse bocadinho de liberdade há-de estar por aí, num qualquer caixote daqueles que em cada mudança já não se volta a abrir.
Mas existe! :-)

deixado em 9/11/09 às 09:32
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vitoscano
Desculpe a pergunta, mas é capaz de me dizer porque que é que este fim de semana não consegui aqui em Castelo Branco comprar o Jornal I de que estava a fazer colecção das suas revistas de Sábado(segundo me disseram, não foi distribuido para aqui e algumas outras zonas do país)que aproveito já para dizer que são excelentes. É uma pena, pois sendo assim já fiquei sem uma,mas mesmo ficando com a colecção incompleta vou continuar a comprar.

deixado em 9/11/09 às 15:05
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Maria Santos
Ao ler o seu blog senti o quanto me emocionou, há vinte anos, aquelas imagens de felicidade estampadas nos rostos dos alemães de um e de outro lado!
A liberdade é maravilhosa....
Mas dei-me a pensar nos outros muros que ainda subsistem e dos quais há tão pouco eco!
Pedro, posso pedir-lhe que vá escrevendo sobre eles?
Um abraço

deixado em 9/11/09 às 22:08
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Maria Santiago
Retrato emocionado e emocionante daquela que deve ter sido uma experiência de vida única!!!!

deixado em 10/11/09 às 19:40
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...."minha ousadia meu galope minha rédea"....

um dos poemas mais poderosos escritos nesta nossa bela língua portuguesa!!!!!

..."minha alegria minha amargura minha coragem de correr contra a ternura"...

belíssimo, Pedro!

deixado em 10/11/09 às 20:37
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Mais um GRANDE texto... por uns segundos parece que estivemos lá também...

Um beijinho
Eduarda
Be in ♥ love

deixado em 10/11/09 às 22:28
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A grande questão não é o muro que já caiu mas antes os muros de estados socialistas/comunistas que ainda oprimem os indivívuos. A começar em Cuba ...

deixado em 11/11/09 às 02:10
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Deixo aqui o link de um dos melhores blogs que conheço, entre outras coisas deixou um excelente trabalho sobre o muro.
Boas navegações.

http://photomelomanias.blogspot.com/

deixado em 11/11/09 às 10:02
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Tenho um pedaço da lua trazido pelo Armstrong. comprei-o na Feira da Ladra...

O pedaço do muro que ainda guardo tirei-o de Fátima...

Já leram o «roque Santeiro»?

deixado em 11/11/09 às 11:15
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