Blog da Semana
Socorro! Sou Mãe
O processo inverso merece destaque: começou por ser um livro e só depois foi um blog. Da Rita Ferro Alvim...
Uma boa frase
“Os velhinhos a morrer em casa ou nos hospitais. Sozinhos. Isto sim, é uma coisa horrível. Tudo o resto são amendoins e parvoíces como a conversa do fim do feriado do 5 de Outubro”
Mónica Marques, Ascensor da Bica
Mais comentários e ideias: pedro.roloduarte@sapo.pt
Pesquisar
 
Ligações
Antena 1
Janela Indiscreta em texto
Janela Indiscreta em rádio
O Hotel Babilónia na Antena 1 (com o João Gobern)
O meu momento de glória no Biography Channel
Lux Woman, a revista onde escrevo todos os meses

Arquivo
2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


Mais comentados
76 comentários
69 comentários
59 comentários
Subscrever
Sábado, 21 de Novembro de 2009

(Crónica de revista do "i" deste sábado, "Nós, Conservadores")
 
Há dois tipos de conservadores no mundo: os que sempre foram, e vivem felizes na sua condição, tranquilos nos blazers espinhados, nos padrões Burberry e nas camisas de xadrez; e os que demoram anos a reconhecer o seu próprio conservadorismo e fazem-no sempre a contragosto, resistindo às evidências.

Pertenço, evidentemente, a estes últimos – razão pela qual persisto na ideia de conviver harmoniosamente com a modernidade, embora só me sinta feliz nos lugares e cenários que já conheço. Uma agenda Filofax. Um disco que já ouvi. Um autor que não me surpreende. Uma bebida que conheço há anos. O eterno Cozido à Portuguesa do Painel de Alcântara. O croquete do Gambrinus. Vergílio Ferreira. Sting. João Gilberto. O pastel de massa tenra do Frutalmeidas.

Gosto do que é novo – mas o confronto cansa-me Gosto de conhecer novas cidades – mas logo que posso volto a Londres e a Barcelona. Defendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo – mas se me falam em adopção, vacilo.

Propositadamente misturo o que não se mistura – para que se perceba que há, no conservador não assumido, algo que está aquém e além da ideologia ou sequer da cultura familiar. Como se tivesse uma marca genética que não se consegue vencer por decreto.

Um exemplo: nasci numa família que se assumia como sendo de esquerda, e que saudou o 25 de Abril de 1974 como o verdadeiro dia de Natal por fundar. No entanto, eu e os meus irmãos tratávamos o meu pai por “você” e a minha mãe por “tu”... Nenhum deles nos impôs a diferença e ambos defenderiam, em teoria, a igualdade no tratamento, até porque dentro de casa eram iguais em direitos e deveres, e ver o meu pai lavar loiça foi o mínimo a que me habituei ao longo do tempo. Mas a marca estava lá – havia qualquer coisa conservadora que me levou a seguir os meus irmãos, e que conduzia a esta diferença num tratamento que nem por isso era menos afectuoso ou respeitoso para qualquer dos dois.

Nos dias que correm, quando alguém olha para o passado e vê os lugares por onde passei – nomeadamente “O Independente”, a “Kapa”, o DNA -, é corrente falar da modernidade associada a estes títulos, da ideia de vanguarda ou inovação. Normalmente, não me excedo no contraditório – mas a verdade é só uma: o que une todos estes títulos de jornais e revista é uma ideia conservadora. A ideia de que os jornais e as revistas se fazem com pessoas que escrevem, fotografam, investigam, imaginam – e cuja força maior é serem elas próprias. Nenhum destes títulos inventou a roda – todos recuperaram rodas já muito rodadas: a entrevista, a reportagem, a fotoreportagem, a crónica, o humor, a notícia, a investigação, a causa, a critica. O grafismo de todos eles foi inspirado no melhor que já se tinha feito. A estrutura foi sempre uma síntese do que de bom víamos fazer noutros lugares. E até o sucesso que estes títulos tiveram resultou da fórmula mais conservadora de comercializar produtos: se dermos ao consumidor o que ele não tem – e, chave do cofre, se tivermos a oportunidade de lhe provar que lhe faz falta o que nem sempre ele tinha consciência da falta que lhe fazia -, é muito provável que ele nos compre regularmente.

Tenho dificuldade em dar o braço a torcer. Mas ele já foi tão torcido e retorcido ao longo da vida que já nem sente a dor quando eu digo, baixinho, timidamente, “sim, conservador, talvez seja...”



publicado por PRD às 20:59
link | comentar | partilhar

16 comentários:
Adorei, simplesmente...

BJS*

deixado em 21/11/09 às 21:38
responder a comentário

obrigada pela 2ª hora do Hotel babilónia!!!!!!!
mto bom trabalho de casa!

deixado em 21/11/09 às 21:54
responder a comentário

viva,

bom texto é aquele que promete uma boa crónica do princípio ao fim.
como este, bem escrito e desembaraçado.
o bom texto tem um cunho suficientemente pessoal que exala e emana paixão e agarra e prende o leitor que acaba por considerá-lo cool e hipnótico.

cumprimentos

deixado em 21/11/09 às 22:20
responder a comentário

And whats ' the problem ? Não será um conservador contemporâneo ? Independentemente dos nomes, creio que não nos devemos preocupar com rotulagens ou querer sequer encaixar nelas :)

deixado em 22/11/09 às 01:15
responder a comentário

Agora fiquei parva, acabei de me reler, de me ver retratada quase a 100% neste texto. E é tao bom quando isso acontece :)

deixado em 22/11/09 às 12:08
responder a comentário

marta
gostei tanto.tudo. íssimo.
obrigada.

deixado em 22/11/09 às 13:17
responder a comentário

Simplesmente fantástico!
bjinho

deixado em 22/11/09 às 16:01
responder a comentário

Uma senhora de provecta idade aproveita para felicitar o Pedro e o João pelo magnífico programa em que recordaram esse extraordinário actor que foi Mário Viegas. Muito bom. Sem rodriguinhos nem lamechices como gostaria o Mário.
E se pensassem noutros «Hoteis» do mesmo jeito?
Beijos

deixado em 22/11/09 às 17:00
responder a comentário

Adorei este post. Fez-me sorrir. Agendas filofax, mas isso ainda existe? ;)


deixado em 22/11/09 às 20:53
responder a comentário

Maria Santos
Não dê mais o braço a torcer, Pedro!
Você pode ser conservador, mas para mim interessa-me a qualidade e conteúdo da sua escrita.
Conservador com ética e inteligência, tem boa pinta!
Ouvi o seu programa de rádio e demonstrou que vale a pena ler a recente edição da História de Portugal. Obrigada.
Um abraço

deixado em 22/11/09 às 21:39
responder a comentário

Comentar post

Post it

Ler mais

Ler mais
Imperdível


Foi a Rita Roquette de Vasoncelos quem me "mostrou", no belíssimo blog "Escrever é Triste", este monumento. Rendi-me na hora...