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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

A fotografia não está assinada. Saiu na página de João Paulo Martins na edição de sábado passado da “Única” do Expresso. O que me chamou a atenção foi o momento registado: num jantar onde é suposto existir convívio, diálogo, certamente alegria e risos, o que a máquina registou foi um Francis Ford Coppola de olhar caído, como se estivesse em nostálgica viagem interior, ou apenas enfastiado com a circunstancia, ladeado por uma mulher (não identifico quem seja...) que ao primeiro olhar poderia estar a teclar num smartphone, mas depois se percebe que está a deitar açúcar no café, e pelo próprio colunista da página que, numa atitude negligente, fala ao telefone deixando o realizador nesta pose pouco animada.

É a imagem trágica da solidão demasiado acompanhada.

Curiosamente, lendo o texto de João Paulo Martins, parece que o jantar foi animado e que Coppola se entusiasmou com os nossos vinhos e revelou-se um apreciador do clássico Porto. Ainda bem.

Quem apenas passasse o olhar pela página e visse esta fotografia com o titulo “Das fitas para a adega”, ficaria a pensar “coitado do americano, veio de tão longe para isto...”.

É um daqueles casos a que se aplica o lugar-comum ao contrário: uma imagem não vale por mil palavras.



publicado por PRD às 10:29
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6 comentários:
o contexto...é imprescíndivel, senão ficam sempre leituras imprecisas...fáceis....superficiais.....

infelizmente mais habituais do que o desejável Pedro!

mas sempre direi ...com um LBV e um queijinho de Azeitão .... nunca me sentirei só!

servido? ah ah ah

deixado em 24/11/09 às 12:10
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Maria Santos
De facto, sem legenda esta é uma fotografia que expressa desânimo!
Até parece que nem apreciaram o " nosso Porto"!
Têm um ar cansado....seria do "Porto"?
"As aparências iludem"....estou a ser mazinha!
Um abraço

deixado em 24/11/09 às 13:10
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Quando estou num restaurante faço sempre o que se diz normalmente para as crianças não fazerem... olho para as mesas do lado! Claro que de forma discreta, mas olho e torno a olhar e volto lá as vezes que me apetecer, e desde que ninguém perceba faço-o repetidamente... mas nunca com o intuito de ouvir as conversas, juro! até porque para mim, seria insuportável não entrar nelas:)...
No caso desta fotografia... eu acho que o Francis (ele não se deve importar que o trate assim...:)) está a "tramar" alguma... e como nos filmes (e não só) existem sempre "os maus da fita"... “ela” e “ele” já devem estar escolhidos! Não escapam portanto às consequências de poucas conversas à mesa:)!! e lá vem a bela frase…Nem sempre o que parece é!

deixado em 24/11/09 às 16:58
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São esses instantes, captados seja por uma objectiva, seja por um olhar, que nos fazem pensar para além de nós, que nos dão estórias. E aqui encontrou certamente uma estória para além da estória.

deixado em 24/11/09 às 22:43
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luis pereira
A "mulher não identificada" é SÓ Cindy Sherman , o que diz tudo do vazio da noticia do Expresso. Tenho saudades do Expresso das imagens e das noticias com conteúdo.

deixado em 25/11/09 às 13:18
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E quantas vezes nós, comuns-mortais, em jantares de Universidade, de trabalho ou outras fases da nossa vida, não nos sentimos sozinhos no meio da multidão, nessa solidão muito acompanhada? Ainda bem que existem imagens sem e com legendas, todas fazem parte e falta, para irmos para outros Mundos, por exemplo, deste tipo de pensamentos. Obrigada pela partilha!

deixado em 26/11/09 às 16:47
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