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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
(Mais um copy-paste altamente justificado...)
 
Re: Despachos, Sol, Liberdade de Expressão, Sócrates, Asfixia: posso?
from BLASFÉMIAS by JoaoMiranda

Vale a pena ler o comentário do nosso leitor José Barros que responde a este post de Isabel Moreira:

Transcrevo no Blasfémias o comentário que escrevi em resposta a um post da Isabel Moreira, indignadíssimo como uma suposta e nunca fundamentada violação do segredo de justiça na notícia do Sol. Faço notar que o meu comentário não teve qualquer resposta da constitucionalista, assim como o Daniel Oliveira ainda não me explicou por que razão o Sol agiu ilicitamente. Continuo, portanto, à espera que um e outro fundamentem, de facto e de direito, as suas teses.

Vejamos:

1) O Sol publicou escutas em que não intervém o PM, pelo que as escutas publicadas são válidas, atendendo a que foram autorizadas pelo juiz de instrução competente (o de Aveiro). Não se percebe, portanto, a referência da Isabel Moreira à validade das escutas ao PM que não vem minimamente ao caso quando se trata de analisar a legalidade da notícia do Sol.

2) Se as escutas publicadas pelo Sol constarem do procedimento administrativo aberto para averiguar se havia matéria para inquérito ao primeiro-ministro, como sustenta o jornal e como pressupôem os juristas que já se pronunciaram sobre a licitude da notícia, então é evidente que não existe violação do segredo de justiça, porque o referido procedimento, tendo findado com um arquivamento, tem de ser público, nomeadamente no que diz respeito a essas escutas (já não assim, evidentemente, na parte em que diga respeito às escutas mandadas destruir, isto é, as escutas em que o PM intervém).

Mais do que isso: precisamente porque não foi aberto inquérito judicial, mas apenas um procedimento administrativo, nem vejo sequer que se possa falar na violação do segredo de justiça, atento o facto de a tal procedimento não serem aplicáveis as regras do direito e do processo penal (visto que não é de um processo penal que se trata, mas de um mero procedimento administrativo).

3) Mesmo que houvesse violação do segredo de justiça, a Isabel Moreira não desconhecerá que Portugal já foi condenado várias vezes pelas instâncias europeias a pagar indemnizações em virtude de condenações a jornalistas e jornais pela violação do segredo de justiça.

Um exemplo nesta notícia , em que se pode, nomeadamente, ler:

“Agora o Conselho Europeu considerou que o “interesse público” do tema se sobrepunha à protecção do inquérito judicial que decorria e à reputação do arguido, já que o facto de um dos visados da notícia ter cargos políticos e ser uma figura pública, justificava que pudesse haver quebra de protecção de segredo de Justiça.”

Ora se é esta a posição das instâncias europeias a propósito de um caso infinitamente menos importante do que o que está em causa na notícia do Sol, por muito que seja outra a opinião da Isabel Moreira, cabe-lhe como jurista aceitar que tal jurisprudência se sobrepôe à opinião que possa ter (ou até que os tribunais portugueses possam defender, visto que devem obediência à jurisprudência europeia).

Nesse sentido, porque diz respeito a interferências do governo na comunicação social, é indubitável que a notícia do Sol releva de um interesse público notório. Nenhum jurista se lembrará de defender o contrário, penso eu. Assim sendo, mesmo que as escutas estivessem sob segredo de justiça – o que é muito duvidoso pelas razões invocadas – os jornalistas do Sol deviam ser absolvidos num eventual processo penal por estarem a actuar salvaguardados por uma causa de justificação (o dito interesse público), como refere a decisão citada. Quem actua ao abrigo de uma causa de justificação, actua licitamente. Logo, em vez de procurar matar o mensageiro, seria bom que se começasse a comentar a notícia em si mesma considerada.



publicado por PRD às 16:13
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19 comentários:
Perdi-me algures a meio e desisti de ler. Somos tão complicados, valha-me Deus!

deixado em 9/2/10 às 21:53
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un crêpe-sur-mer
Senhor Pedro Rolo Duarte,

faça-me o favor de ter opinião, de dar à caneta e aos neurónios. Ou ele é só música lá no Babilónia?
Isto é post que se apresente? De um jornalista?
Recuso-me a comentar os seus copy pastes!
Aprume-se!



deixado em 10/2/10 às 10:04
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mariahenriques
Henrique monteiro:-
"Por mim, contei o que sei."
-Não senhor; limitou-se a contar do que viu através do tal buraco .

http://bit.ly/9137bn

deixado em 10/2/10 às 10:25
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...pois o Pedro agora é mais Facebook!
anda muito cansado,
com muito trabalho,
mas a clareza passa...de muitas maneiras,
até com umas simples :
reticências
não se pode estar sempre up...
bj

deixado em 10/2/10 às 12:12
responder a comentário | discussão

un crêpe-sur-mer
Admiradora,

tem razão quanto às reticências. Mas já viu que agora, volta não volta é o "copy paste" e o "hoje estou cansado"?
E eu não sou nem admiradora (não queria ele mais nada) Nem assídua. E, mesmo assim reparei.
Ora quem cá passa sempre...é o copy daqui e o paste dali e tomem lá umas reticências da minha ilustrissima autoria. Tá mal!
Quanto ao facebook nem diga nada. Aí sim, aí é que temos reticências, pontos de interrogação, pontos e vírgulas, com fartura. Livra! Quem inventou aquilo, devia estar desnorteadinho de todo!!!
Mas não faz mal. Não tarda saem aí meia dúzia de livros sobre as várias "facetas existenciais e não existenciais, das rede sociais" de alguns dos jornalistas ,menos ocupados, da praça.
Posso dar algumas sugestões:
"O facebook e eu"
"Etiqueta e boas maneiras no facebook"
"o meu gato não tem página de facebook.Será isso discriminação?".

Cumprimentos,

deixado em 10/2/10 às 14:51
responder a comentário | início da discussão

os comentários são para o administrador do blog
e não para os comentadores e se sou admiradora ...
apenas respondo por mim,
não creio que o PRD queira iniciar aqui uma troca de "admirados crepes"...
eu apenas aceitaria um verdadeiro crêpe suzette, devidamente flamejado mas... só pelo Pedro e em privado...
quanto ao copy paste, depende do copy e muito do p(t)aste,
já que o país está definitivamente incendiado e não foi por se ter esquecido do Grand Marnier enquanto olhava para a admiradora...ah! ah!
antes fosse...
seria concerteza mais doce !

deixado em 10/2/10 às 18:25
responder a comentário | discussão

un crêpe-sur-mer
PRD e cara Admiradora,

A carissima admiradora respondeu-me que era exactamente e só, o que se pretendia.

Os blogs, os grandes blogs, são feitos de muitas trocas de comentários e alguma agitação. É isso que os distingue dos jornais de parede da escola primária.Ou, de uma simples página de diário caseiro.Quando queremos distingui-los, evidentemente.
Por isso,o crêpe foi pegar num comentador habitual: a admiradora

A blogosfera tem esta diferença: possibilitar o contraditório a quem lê o post e, que se debatam em simultaneo várias opiniões.

Os grandes blogs são feitos assim.

O PDR é um jornalista e sabe bem disso.
O PRD publicou.

Agora se me dão licença esperam-me contendas mais acesas noutras paragens. A blogosfera está, tal como a admiradora se refere ao País, a ferro e fogo!

Voltarei, sempre na postura de "não admiradora" de "anti-admiradora" (mehor assim, fica mais claro:) ).E, com muito gosto em trocar opiniões com a admiradora e com os demais comentadores.
E, nada de flamejamentos intempestivos. O crêpe é :"sur-mer".


Cumprimentos








deixado em 11/2/10 às 09:26
responder a comentário | início da discussão

Maria Santos
Olá Pedro!
Ainda bem que divulgou esta contenda entre duas ou três opiniões a propósito da notícia do SOL sobre as escutas. Sou absolutamente leiga em direito, mas não vejo a justiça justa e não confio nela....
Continuando na minha anunciada qualidade de leiga sou-o igualmente em jornalismo...
Mas toda esta minha ignorância não me impede de ter opinião e parafraseando um ditado popular "Não há fumo sem fogo"!
Um abraço

deixado em 10/2/10 às 22:25
responder a comentário

Olá

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deixado em 11/2/10 às 11:39
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Helena Sacadura Cabral
Pedro o seu post de hoje é claríssimo. E explica o que muitos pretendem que se não explique.

deixado em 11/2/10 às 12:19
responder a comentário

José Inocêncio
Ora, julgo que aqui temos muito fumo para pouco fogo. Por outra, julgo também que quem tem controlado esta questão, note-se bem, de "falta de liberdade de expressão", "asfixia democrática", etc, que pelos vistos também afecta o Pedro Rolo Duarte que como é sobejamente conhecido se encontra amordaçado, desde logo, não pode discordar deste PM no seu blogue, tem um programa na RTP só para falar bem do PM, etc, dizia eu que, quem criou devidamente as condições para agora aparecer como salvador da pátria (ele e outros por ele), deve estar de barriga cheia a gozar o prato. oh lá, e se é moço para gostar de prato!

deixado em 11/2/10 às 13:09
responder a comentário

Asfixiado
Pedro Santana Lopes, presidente do grupo parlamentar: o Presidente da República Jorge Sampaio vetou o diploma que criava o Gabinete de Informação e Comunicação na dependência directa do Primeiro-Ministro Santana Lopes. Como disse o então Presidente da República, na sequência do parecer Alta Autoridade para a Comunicação Social, «não há défice, antes excesso de presença estatal e governamental nos meios de comunicação». E o Presidente disse mais: «o reforço dos cidadãos na vida política e a necessidade de se informarem sobre as decisões do Executivo deve ser prosseguido através da preservação e incentivo do pluralismo na comunicação, da liberdade de imprensa e do confronto de opiniões» e não pela criação de um novo serviço administrativo de publicitação da actividade do Governo.»

Nuno Morais Sarmento: Interveio publicamente no sentido de acabar com o programa cultural da RTP2 Acontece, apresentado pelo jornalista Carlos Pinto Coelho, lamentando que tivesse uma audiência tão baixa, e referindo que o dinheiro gasto no programa daria «para pagar uma volta ao mundo aos poucos telespectadores que o vejam».

Rui Rio: são vários os exemplos de desrespeito pela liberdade editorial da comunicação social. Recentemente, colocou no site da Câmara Municipal do Porto um vídeo com imagens do director adjunto do Jornal de Notícias a manifestar-se «contra a câmara». No texto que descreve o vídeo lê-se: «O Jornal de Notícias voltou, nas últimas semanas, a dar maior visibilidade à sua oposição à Câmara do Porto, tendo o Director Adjunto, David Pontes, participado activamente na manifestação contra Rui Rio à porta do Rivoli». As práticas de vigilância política à comunicação social feitas por este titular de um cargo político institucional não se ficam por aqui. No site, em texto não assinado, a Câmara, enquanto tal, insurge-se também contra a «recente contratação de Luís Costa para passar a escrever semanalmente nas páginas do Jornal de Notícias. Costa foi cronista do jornal Público ao longo dos últimos anos, tendo durante esse tempo utilizado essa coluna para permanentes ataques à CMP e ao seu Presidente.»

E Marques Mendes? Momentos Chávez:

Marques Mendes fez parte de um Governo que foi directamente responsável pela atribuição de licenças de televisão. É co-autor do “Regime da actividade de televisão”, a Lei n.º 58/90, de 7 de Setembro, de acordo com a qual a atribuição das licenças fazia-se por resolução do Conselho de Ministros, decidindo o Governo a entrega de alvará "ao candidato que apresentar a proposta mais vantajosa para o interesse público, desde que este tenha obtido o parecer prévio da Alta Autoridade para a Comunicação Social". Em 8 de Agosto de 1991, a Alta Autoridade para a Comunicação Social divulgou o seu Parecer prévio sobre os processos de candidatura aos canais privados de televisão: «entende a AACS que os três candidatos reúnem os requisitos mínimos necessários para a atribuição das licenças postas a concurso». Em Fevereiro 1992, o XII Governo Constitucional estava pois de mãos livres para decidir a atribuição das licenças de televisão à SIC e à TVI. Pelo prazo de 15 anos. Com a nova legislação em vigor este risco de controlo governamental já não existe. E ainda bem.

Marques Mendes foi co-responsável pelo Regulamento de Segurança e Acesso da Assembleia da República. Era Ministro Adjunto, coadjuvado pelo secretário de Estado da juventude e pelo secretário de Estado dos assuntos parlamentares (Luís Filipe Menezes). Mais: tinha a pasta da comunicação social. O regulamento visava limitar a circulação - e como tal as condições de trabalho - dos jornalistas no parlamento. Em Abril de 1993, Pacheco Pereira, então membro da direcção da bancada do PSD, agora paladino das liberdades e ideólogo de Marques Mendes, justificava a aprovação do regulamento com «uma sucessão de incidentes», entre eles «filmagens e fotografias de deputados nas instalações sanitárias ou a comer, violação da privacidade de gabinetes, entrevistas e filmagens forçadas a deputados e funcionários parlamentares, versões diversas de “apanhados”». Está tudo no livro “O nome e a coisa, textos dos anos 80 e 90”.

Marques Mendes, ministro da Propaganda. Segundo Maria João Seixas, que trabalhou na RTP. Onde estavas PRD?

deixado em 11/2/10 às 14:55
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Eu também me sinto asfixiada. Os meus dois gatos também não andam lá muito bem desde que Sócrates é PM. Acho até que aquela expulsão do grande sportinguista (?) João Pereira teve dedo socratino.
Meus Amigos, porque não asfixiam de vez o Crespo, esse grande jornalista (lembram-se de quando ele andou lá pelas Américas atrás do Caldeira?).
E anda uma pessoa anos e anos a virar frangos para isto...

deixado em 11/2/10 às 18:56
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