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Pedro Rolo Duarte

14
Mar10

Teatro sem sombras

Vou passando os olhos, de vez em quando, pelos intermináveis directos do Congresso do PSD e quanto mais vejo, mais me convenço da farsa que constituem estes eventos muito mediatizados e pensados para serem transmitidos pelas televisões. Já o tinha sentido na última operação de aclamação de José Sócrates no Congresso do PS, e aqui repete-se em clima de pré-campanha eleitoral para a liderança do partido.

O paradoxo é óbvio: o partido está ali reunido para se organizar, para se estruturar, para se confrontar consigo mesmo. Fazê-lo à porta fechada (ou pelo menos resguardado dos olhares cuscos das câmaras) garante sinceridade, frontalidade, verdade – fazê-lo sob o olhar de todo o país, em directo e ao vivo, presume encenação, teatro, e uma preocupação permanente com o que “passa cá para fora”. O resultado é aquele que Vasco Pulido Valente bem antecipou no Público: “em ambiente de comício e muito pouco tempo (...), nada de sério se pode discutir”. Com o beneplácito do jornalismo político, assim foi. Um teatro sem sombras, só luzes. Uma projecção para português ver.

 

(Fiquei a saber que o Presidente da Câmara de Mafra deu a si próprio o nome do pavilhão onde decorre a cerimonia. Não podia haver simbolismo mais óbvio e ironia mais certeira dos tempos que vivemos no mundo politico. O senhor – e o pavilhão... – chama-se Engenheiro Ministro dos Santos...)

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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