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Pedro Rolo Duarte

19
Mar10

Hipermercados abertos, sempre!

O Chiado e a Baixa estão cheios de pequenos comerciantes, de sapatarias a lojas de café, de boutiques a lojas de recuerdos. Desde há uns anos que, na sequência da recuperação daqueles quarteirões vítimas de incêndio (e depois, muito por causa da FNAC, da H&M e de outras marcas multinacionais, abertas ao fim de semana em horários generosos), aquela zona da cidade recuperou vitalidade e vida. Os novos restaurantes e cafés, sempre abertos ao fim de semana, contribuíram para o movimento. Nos dias que correm, os sábados e domingos do Chiado e da Baixa são dias fortes de comércio.

No entanto, o pequeno comércio – da sapataria, da loja de bijutaria, da pequena boutique -, resiste estoicamente: não abre ao sábado à tarde nem ao domingo, e fecha às sete da tarde mesmo nos dias de Verão em que só anoitece às nove. Se lá forem perguntar, queixam-se todos da crise...

O exemplo serve para explicar ao autor deste post porque motivo a Sonae tem razão em querer libertar os hipermercados da idiota lei que os impede de abrir ao domingo à tarde. É que essa lei foi criada para proteger o mesmíssimo pequeno e médio comércio que se está literalmente nas tintas para o consumidor e fecha à hora do almoço e não serve depois das 19:00, não alarga horários a não ser no Natal, e fecha ao domingo “para descanso do pessoal”.

Eu defendo o comércio local. Gostava muito de poder fazer compras nas excelentes charcutarias e mercearias do meu bairro (Alvalade/Av. de Roma). Infelizmente, fecham à hora do almoço de sábado e só reabrem à segunda-feira. Aos dias de semana, persistem em fechar às sete da tarde, como se os lisboetas saíssem todos às seis dos seus empregos. Algumas delas até fecham à hora do almoço.

Os anos encarregaram-se de demonstrar que a crise do comércio local resulta da negligência e preguiça do próprio comércio local. O facto dos hipermercados estarem fechados ao domingo à tarde não mudou minimamente o estado das coisas, pela simples razão de que também o comércio local fecha ao domingo. Ninguém faz guerra a quem não está no campo de batalha.

Assim sendo, é altura de deixar cair a hipocrisia legal e a demagogia de quem a defende. Se o comércio local quer sobreviver, ponha os olhos nas capitais da Europa: dê o corpo ao manifesto e esteja disponível para os consumidores nos horários de quem consome.

Venha lá a petição para abrir os hipermercados ao domingo – eu assino.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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