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Pedro Rolo Duarte

23
Jun10

Isto não me encanita, isto tira-me do sério

Tira-me do sério, parte I.

Esta frase traduz factos: num país com quase 11% de desemprego, o Governo olha para a crise e decide cortar oito medidas que, em tempos de excepção, beneficiavam justamente os desempregados. Não parece um contra-senso, um momento de bipolaridade, no limite um erro? Parece. Mas é assim que o Governo actual entende que se enfrenta a crise: penalizando quem trabalha e, já agora, quem nem trabalho tem. Com pezinhos de lã se tocam nos benefícios dos empregados públicos, dos empregos de sempre, da banca e das empresas. À patada se cai em cima do trabalho e da desgraça.

 

Tira-me do sério, parte II.

O Presidente da Republica, Cavaco Silva, não sustentou as honras de Estado e não compareceu no enterro de José Saramago. Explicou, entre outros tiros no pé, que o que o chefe de Estado deve fazer é "diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou pelos conhecidos". Rematou: "Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago”. Ocorre-me perguntar se conheceu pessoalmente Camões, que homenageia todos os 10 de Junho, ou as dezenas de personalidades a quem anualmente atribui comendas e louvores. Ocorre-me perguntar que significado tem para o Presidente da Republica a declaração de “luto nacional” e “honras de Estado”. Ocorre-me dizer-lhe que o não sinto já – alguma vez senti? – Presidente de todos os portugueses.

 

Tira-me do sério, parte III.

A sigla SCUT significa "Sem Custo para os Utilizadores". Não foi por acaso que se “inventou” um regime de pagamento de auto-estradas em que todos pagam para alguns – destinava-se a pagar os chamados “custos da interioridade”, e presumia que o desenvolvimento de zonas menos abastadas serviria e era útil toda a nação (até porque, o seu abandono provocaria, a prazo, um colapso na capacidade do litoral absorver a população migrante). O fim dessa singularidade social, inteligente e razoável, não se deve ao progresso do interior nem à coesão nacional – deve-se a uma crise com a qual os desgraçados que vivem na “interioridade” pouco ou nada têm a ver. Só a Norte ou por todo o país, o que me pergunto é simples: quem é o inteligente que acha que medidas destas resolvem o défice, se afundam o país e a sua capacidade de existir? Mascaram-se estatísticas para já, certamente que sim, mas alguém virá depois criar mais remendos para os remendos que agora se inventam.

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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