Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pedro Rolo Duarte

28
Ago10

A minha vez de dizer “como se dissesse água”

 

 

 

Claro que a maioria dos filmes que vejo é apenas porque sim, e não me apetece discutir a sintaxe desta frase. Mas há circunstâncias que me empurram para filmes que já vi, ou que julgo ter visto, e que mudam tudo - porque são elas, as circunstâncias, a determinar o olhar sobre o filme. Como se mudasse de azimute e ganhasse um nova “tomada de vista” (como se diz em cinema). É nesses momentos que há surpresas.

Foi o caso. Voltei a “Out of Africa” por razões altamente definidas. Se lhe quiserem chamar HD, aceito. Queria rever o épico de Sidney Pollack, mas sabia muito bem porquê. Ou para quê. Em rigor, por quem.

Da vaga memória do visionamento de estreia, algures no final dos anos 80, ficaram alguns momentos, quase todos irrelevantes neste segundo olhar: a primeira viagem de avião dela, o casamento, os confrontos entre animais e pessoas na savana africana. A banda sonora, evidentemente. Paisagens a perder de vista. Sentimentos cruzados. Era disto que me lembrava.

E agora, revisitado o cenário, reconheço as razões daquela razão: a economia dos diálogos que os transformam em aforismos sobre a vida, o amor, as relações de poder, o poder; a ironia sempre a par e passo com o conflito sem nunca descambarem, uma ou outro; o encontro e o desencontro nas suas formas mais puras e sinceras, muitas vezes dolorosas também; o poder da solidão e a sua força redobrada quando à solidão se junta a obstinação. O que é o amor. O que é a vida. Por fim, mas no começo, os sentidos que dão sentido à vida.

Dei razão à razão de rever o filme. Mas, verdade seja dita, o que foi mesmo decisivo e relevante foi encontrar quem eu queria encontrar naquelas duas horas. Sim, Sofia: “como se dissesse água”.

2 comentários

Comentar post

Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

Uma boa frase

“Se isto fosse no tempo do Sócrates, a esta hora o Trump já tinha em cima da mesa uma proposta da Mota-Engil para a construção do muro. Com financiamento do BES e projecto do Siza Vieira." Rui Rocha, Delito de Opinião

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais comentários e ideias

pedro.roloduarte@sapo.pt

Seguir

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D