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Pedro Rolo Duarte

06
Jan08

E não é que o cabrão tem razão?

Pergunta o Carlos (Quevedo) e o Rui (Zink) ao Luiz Pacheco:
Quais são as coisas que lhe importam mesmo na vida?
E ele responde:
Chegar aos 100 anos. Não, o que me importa é que o bebé cresça, que o meu filho tire o curso. Já são interesses que me são exteriores. Gostava de publicar, sem cagança nenhuma, gostava de publicar um livro, ainda que não fossem só estas repetições, estas reedições. Tenho material para isso, mas precisava também de ter um bocadinho de condições. Não é com os 50 contos que a SEC me dá que eu posso fazer isso. Estes 50 contos o que me tiram é a necessidade de fazer isso. Aqui nesta reedição de O Libertino não vou receber quase dinheiro nenhum. Vocês estão ainda na idade de terem grandes ambições. Mas eu já não tenho idade de ter essas ambições. As minhas são não ter muitas dores, não me rebentar a hérnia. Já sei que qualquer dia, se não me rebentar a hérnia, cai-me um tijolo em cima e fico em papas. Há também um certo desgosto da vida. Agora, enquanto eu tiver, de facto, um x mensal em que possa dar uma ajuda aqui ao Paulo, comprar em Setúbal um peixe fresco, uma fruta, uma oferta, meter ali no açucareiro uns 5 ou 10 contos, então…”
Quando li a notícia  fui buscar o nº 22 da “Capa”, onde estava esta entrevista.
Acabei a reler a revista toda, noite dentro, como de costume quando regresso a um local onde fui feliz.
Nesta edição, eu tinha “saído com Edite Estrela” e experimentado viver no hotel Estoril-Sol. Era o editor-geral mais sortudo do planeta. Leio o editorial (do Miguel? De todos? De um de nós? Não me lembro):
“Nos tempos que correm, de fascismo médico, moral, e ecológico, em que começa a ser proibido fumar, fornicar, ou alargar o buraco do ozono, é muito saudável verificar que muitos jovens portugueses estão, simplesmente, a marimbar-se”. (...) “Divertem-se por métodos clássicos – namoros, música, álcool, tabaco, jantaradas, paródias – já consagrados por séculos e séculos de actividade. Sabem muito bem que faz mal, mas fazem à mesma”.
O Luiz Pacheco teria concordado. Como nós com ele. Estávamos em 1992. Não passou assim tanto tempo.

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