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Pedro Rolo Duarte

28
Nov10

Tudo como dantes

Quem me conhece sabe que gosto de comer bem. Que gosto de gastronomia. Que gosto de cozinhar (e tenho a mania que sei...). Não me passa ao lado a diferença entre dois bifes, como distingo o ponto de uma pasta. Ou a presença de flor de aniz num caril. Da mesma forma, sei por que raio me falhou um cabrito assado no forno. Ou uma açorda. Ou porque me espalho sempre com os pastéis de bacalhau. Sei. Digo eu, claro.

Este intróito vaidoso serve para dizer que noto, com satisfação, que Lisboa se tornou uma cidade mais próxima de Nova York do que de Madrid: o número de restaurantes que abriu em 2010, na escala e proporção da cidade – seja no tamanho, no rendimento, ou na condição económica... – é brutal e indicia tudo menos crise.

(Ou talvez não: foi nos momentos críticos da vida americana do século XX que mais se desenvolveu a indústria do entretenimento... Talvez pudesse ir por aí.)

Mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que, apesar de ainda não conhecer a maioria dos novos restaurantes, ontem, numa sincera homenagem à ideia “só gosto do que já conheço”, voltei ao Painel de Alcântara para o clássico Cozido à Portuguesa de sábado. Há o de quarta, que foi quando tudo começou. Mas fiquemos assim, por este.

Não há nada melhor que voltar a uma casa que se conhece de longe. O cozido, apesar da multiplicação de comensais, não mudou. Continua a ter tudo - e tudo continua bom, com ressalva ligeira para o arroz, que veio espapaçado, mas teve desculpa porque eram três da tarde...

O serviço, que sempre foi simpático sem ser perfeito, está igual. E confesso que só por vergonha não fui reler o artigo emoldurado na parede (publicado na “Preguiça”, de O Independente), assinado por Pedro Mana, o meu heterónimo naquela revista que o Miguel criou e dirigiu.

Tenho a certeza de que dizia bem. Mas não sei se está lá escrito o essencial. Fica aqui: voltar a uma casa como o Painel de Alcântara e encontrar tudo como estava há mais de dez anos, não é obra. É milagre. Pelo menos, é o melhor que pode encontrar quem nunca procurou mais do que isso.

Os novos restaurantes podem esperar.

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“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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