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Pedro Rolo Duarte

10
Jan11

O país através da televisão (II)

Seguindo a campanha eleitoral pela televisão – falta-me pachorra, confesso, para ler essa parte da actualidade na imprensa -, sinto que nos movimentamos entre dois tipos de candidatos: os que existem mesmo, e os que se esforçam para existir. Os primeiros, já sabemos quem são. Os segundos, preferimos nem saber. Entre estas duas categorias, movimenta-se o cromo desta eleição: Fernando Nobre. O médico que tanto admirei na AMI está agora a fazer o papel de Eanes dos anos 80 – é o salvador da pátria, o homem que dá voz a quem nunca teve voz, o justiceiro, o tipo que vai resgatar, do poço sem fundo, a democracia, a moral e os valores. Mas o discurso que apresenta está mais próximo do astrólogo que tudo promete, ou do feiticeiro que vem de outro mundo em tempo de crise, do que do pragmático pensador. Já ouvimos tantas vezes o pregão moralista dos que se julgam acima só porque têm estado de fora...

Fernando Nobre é o Ramalho Eanes dos pobrezinhos. Chega a ser penoso ouvi-lo falar de política.

É desolador querer votar e não ter em quem votar.

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Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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