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Pedro Rolo Duarte

09
Jan08

Hillary Clinton na Ribeira

Observo as eleições norte-americanas como estou atento às espanholas e estive às francesas: com o interesse de quem quer estar a par do que se passa à sua volta, mas também com a distância natural de quem não vota naqueles países, não se governa com aqueles líderes, nem pensa emigrar nos próximos tempos.

Verifico, no entanto, que a blogoesfera política nacional, aquela que se dedica militantemente ao debate das ideias, vive e vibra com estes primeiros momentos da longa corrida americana como se votasse num qualquer estado, como se lá estivesse, como se fizesse parte. Repare-se nesta frase que tirei de um blog (nem me lembro qual), só como exemplo do que digo: “Para uma criatura com dezoito anos, os sound bites da senhora Clinton devem possuir a subtileza (mas não a eficácia brutal) de uma gaivota a caminhar em direcção às bancas do peixe na Praça da Ribeira”. Incrível, como de repente Hillary  se representa numa paisagem típica do Porto de Portugal...

Num primeiro momento, fico estupefacto com tanto empenho e tento perceber o que pode levar alguém, em Portugal, a uma defesa acérrima de Obama ou Clinton, a um rasgo de paixão por um Rudy Giuliani – ou pior, a uma análise quase profissional sobre o eleitorado do Connecticut e a sua influência no resultado final desta maratona.

Num segundo momento, verifico quão errado eu estou. É óbvio, por mais irónico que possa parecer (e de alguma forma, é): sendo o país que manda no Mundo, que zela pelo bem-estar do Mundo, que encaminha e ensina o Mundo moderno, que faz jurisprudência sobre o bem o mal no Mundo, é evidente que os Estados Unidos da América são também “nossos”. Um segundo país, vá. E as eleições deles são também “as” nossas. Não votamos, é certo. Mas sempre damos “uma-pá-caixa” – coisa em que, de resto, somos especialistas desde há séculos.

Entendo finalmente esta paixão por umas eleições tecnicamente bizarras e, na prática, inexplicáveis – mas que na verdade vão levar alguém à presidência de um bocado substantivo da nossa existência, onde quer que vivamos.

Já agora: por mim, Obama.

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