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Pedro Rolo Duarte

22
Jan11

A fazer

Não esquecer hoje, dia de reflexão:

Um. Reflectir sobre a pobreza nível zero de uma campanha eleitoral que deu da Presidência da Republica a ideia mais triste de todas: a de um pedestal dourado onde se senta quem se julga de fora, estando dentro; quem se vê acima, estando na verdade abaixo; quem se julga livre, estando efectivamente preso.

Dois. Reflectir sobre o facto de, aqui chegado, não ter em quem votar, não ter vontade de votar, nem saber que voto serve o quê. O caminho do voto branco parece o mais óbvio, mas um voto absurdo num candidato impossível também é tentador.

Três. Reflectir sobre o momento político à luz da austeridade e da crise: até quando vamos continuar a fazer de conta que estes senhores que nos governam são inimputáveis? Até quando vamos aceitar pagar a despesa que não fizemos?

Quatro. Reflectir sobre o voto à luz da mesmíssima crise: ainda que a imperfeição da democracia a isso obrigue, será efectivamente justo pedir sacrifícios e pagamentos extras a quem não votou no centrão que pôs Portugal na bancarrota? Que sentido faz cobrar o preço da negligência, da incompetência e da lassidão a quem não apenas não votou como não alinhou?

Cinco. Por fim, reflectir sobre o caminho a seguir. Uma amiga minha comunicou oficialmente ao seu grupo de amigos que, estando farta de contribuir para o peditório dos governantes incompetentes, deixava de fazer trabalho a recibo verde e passava apenas a dar explicações pagas em dinheiro “vivo”. Conheço um casal que desistiu da cidade e vai tentar, no campo, viver no velhíssimo sistema da troca: produzem parte do que consomem, trocam o que resta pelo que lhes falta. Talvez freak e romântico em excesso, ainda assim plausível. Há sempre o caminho da emigração. Não sei...

 

... Uma coisa é certa: não se aplica a Portugal a ideia kennedyana do “não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta o que podes fazer pelo teu pais”. Esqueçamos isso. Já não temos país, pertencemos em dia incertos a uma Europa, nem idealismo que nos valha. A ideia agora é outra: tenho a certeza de que o meu país não vai fazer nada por mim, nem merece que eu faça algo por ele. Por isso me pergunto o que posso eu fazer por mim, sem incomodar o país nem ser por ele incomodado.

E para dia de reflexão, fico por aqui.

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Retrovisor. Quem lia A.B.Kotter no velho Semanário habituou-se a gostar de ler José Cutileiro. Neste blog, a escrita é outra, mas continua a ser uma delícia. Pena que o "Expresso", que o tem como colaborador, não lhe dê mais espaço...

Uma boa frase

“Este ano será de vida nova, não por mérito ou culpa própria: nós por cá todos bem. Mas Trump, Brexit, Putin, Estado Islâmico, tudo cada vez mais desigual e cada vez mais perto de tudo, vão meter-nos as novidades pela porta dentro, boas e más. Sobretudo más." José Cutileiro, Retrovisor

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