Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pedro Rolo Duarte

01
Fev11

Como se o mundo fosse todo igual

Critico nos outros o que eu próprio faço, e julgo que todos somos um bocadinho assim. Critico a excessiva facilidade com que se generaliza - e ao fazê-lo, estou também a generalizar.

... Mas ignorando tal facto, aqui fica: não tenho paciência para generalizações, analogias e comparações que tendem a reduzir tudo a um puré de cultura. Não há purés onde há cultura.

É por isso que acho absurda a ideia de uma “queda do muro de Berlim islâmico”, ou de uma “revolução dos cravos” à moda da Tunísia. Da mesma maneira, o debate sobre se a democracia faz sentido no mundo árabe parece-me um desfoque da realidade.

Não custa admitir que estamos perante culturas diferentes das que regem o mundo ocidental. Nem piores, nem melhores, mas claramente diferentes. Até na forma de manifestar o extremismo somos diferentes: eles morrem pela religião, nós matamos pela religião. E não é por isso que somos superiores ou inferiores.

Pretender olhar o que se passa no Egipto, na Tunísia ou em Marrocos com olhos ocidentais é legítimo – mas é absurdo e vai dar mau resultado. A vida não é vista e sentida da mesma forma de um lado e do outro – e por consequência, a política, a ideia de liberdade, e o regime, estão em lugares e patamares distantes do nosso olhar. Tendemos, nestes tempos em que a economia manda na política, a olhar o mundo em equações simplificadas. Dá jeito – só não corresponde à verdade. E qualquer turista distraído que algum dia tenha aterrado num país árabe percebe de que falo quando falo de culturas diferentes, isto é, modos diferentes de entender a vida. E de a viver.

Somos todos humanos? Somos. Somos todos iguais? Não.

Não é exactamente a mesma coisa. E por mais que queiramos catequizar o globo sobre as virtudes das democracias ocidentais e a justiça dos direitos humanos, esbarraremos eternamente nas diferenças que fazem toda a diferença.

5 comentários

Comentar post

Blog da semana

Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

Uma boa frase

Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais comentários e ideias

pedro.roloduarte@sapo.pt

Seguir

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D