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Pedro Rolo Duarte

16
Fev11

Eu nem ía escrever sobre isto, mas enfim

Os Deolinda não fizeram uma canção extraordinária ou genial. Limitaram-se a escrever e cantar aquilo que uma geração (ou boa parte dela) sente. Essa é a história da melhor musica popular, aqui ou em Inglaterra, nos Estados Unidos ou na Islândia. É também por isso que é justamente chamada de música popular. E é o que se pede a uma banda que quer identificação com o público.

Não percebo a polémica sobre se a canção herda a tradição de José Afonso ou se dela se pode inferir que ficar em casa dos pais até aos 30 é uma herança do estado social impossível de sustentar. É tudo demasiado estapafúrdio para o meu gosto, e para o que penso. Se há um grupo alargado de pessoas que se identifica com o que se canta neste tema, então a canção cumpre o seu papel e pode ser comparada a todas as que, no seu devido tempo, fizeram o mesmo caminho. Só quem nunca estudou um bocadinho da história da musica popular do século XX ignora a função social da canção e a sua relevância nos movimentos geracionais de cada tempo.

Os Deolinda fizeram, no momento certo, a canção que milhares de pessoas querem ouvir. Até eu me reconheço quando oiço a excelente Ana Bacalhau cantar “Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’ /  Há alguém bem pior do que eu na TV”.

É claro que ter o ovo de Colombo à frente dos olhos e não o ver é incomodativo – especialmente porque os Deolinda o viram. Causa inveja, coisa humana infelizmente disseminada por todo o lado.

Mas estão de parabéns os Deolinda. Eu, que nem gosto especialmente da musica, canto com eles porque gosto de ver a música popular envolvida e embalada nos dias que correm. Há uns anos que não via este feliz envolvimento. Não deve ser por acaso.

 

 

Link para a versão mais certinha e bem gravada!

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

 

Música e letra: Pedro da Silva Martins

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