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Pedro Rolo Duarte

07
Mar11

Politica externa, modo de ser

Sobre o Brasil, mas também sobre política internacional, quando quero perceber alguma coisa de raiz – tipo, “conta-me muito bem, e devagar, a história, como se eu tivesse dez anos” -, a brasileira “Veja” continua a ser a revista de referência. Na semana passada, um “Especial Médio Oriente” prometia essa clarificação. Confesso-me ignorante nestas matérias, confundo sunitas com xiitas e até a geografia local me baralha. Por mais que me informe, sinto sempre que me falta o quadro geral e as minudências essenciais.

Sou certamente um “homem comum”, como cantou Caetano Veloso, porque o editorial da “Veja” parecia escrito para mim: falando do “cenário cacofónico” criado pela Internet, sublinhava a relevância de uma revista que mostre semanalmente “a realidade de uma forma coerente, contextualizada e útil”. É exactamente o que responde ao que procuro – e com a leitura de um dossier de 17 páginas primorosamente escrito e editado, senti-me informado (sem que me tivessem chamado analfabeto, que também é relevante nestes casos...), esclarecido, e distante de excessos académicos.

Porém, e apesar desse sentimento de satisfação, foram escassas seis linhas daquela vasta matéria que me fizeram luz, e me deram a explicação que me faltava para, de uma vez por todas, perder a ingenuidade e entender o mundo tal e qual existe. Trata-se de uma citação simples e modesta de George Kennan, o diplomata americano que marcou o tempo da Guerra Fria e da bipolarização EUA/URSS. Escreveu ele:

“As sociedades não vivem para conduzir a sua política externa; seria mais exacto dizer que elas conduzem a sua política externa para viver”.

Dito isto, penso que não terei mais nada para dizer sobre o que se passa nestes dias por esse mundo fora, Portugal incluído.

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Ladrões de Bicicletas. Voltar a um dos mais clássicos blogues colectivos de análise e pensamento social e político e reencontrar excelentes textos, opiniões pensadas antes de escritas, e o prazer de um bom serão ao sofá a ler. Like.

Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

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