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Pedro Rolo Duarte

11
Abr11

O padrão Sócrates, o padrão Nobre

A escrever a crónica de hoje para a rádio, noto que blogues e redes sociais ligam pouco ao Congresso do PS – mas ligam muito ao rali que levou Fernando Nobre até ao refeitório onde serve o PSD.

Lembro-me de discutir com alguns amigos esta ideia da “cidadania” – não que a ache disparatada, não que não defenda o envolvimento dos não-militantes dos partidos na vida publica, mas porque a memória me devolve sempre exemplos de “cidadania” que mais não eram do que desempregos temporários na politica. Precários… mas bastante flexíveis.

Assim nasceu um partido chamado PRD, cheio de referências históricas da cidadania, assim saltitou Helena Roseta do PSD até ao PS, assim tem andado Manuel Alegre (que só é do PS quando lhe dá jeito), e mais distantemente me recordo dos “movimentos” independentes à volta do PSR antes da formação do Bloco de Esquerda. Para não falar dos Verdes, do MEP e do folclore habitual em redor dos votos.

Não sei o que mais desanima o eleitor comum, espectador desta “rave partie” sem fim: se um primeiro-ministro que vai para um Congresso do seu Partido falar como se quem estivesse a governar Portugal há 6 anos fosse outro que não ele, prometendo “um novo ciclo” e um rumo até à felicidade – ou se, por outro lado, ver o homem da cidadania, cuja vida não passava pelos partidos, menos ainda pela ambição de um “lugar”, aceitar, nem seis meses depois de perder a Presidência, o primeiro “posto” que um partido lhe oferece.

Por incrível que pareça, ambas as situações obedecem ao mesmo padrão: o de que pode haver dois homens dentro do mesmo homem - ou, na visão mais romântica, o de que há sempre uma criança dentro de um adulto...

Dentro do José Sócrates que governa Portugal há 6 anos há um outro, mais jovenzito, que “ía a caminho da missa” enquanto o crescido Sócrates governava, e agora pretende um novo ciclo para mostrar como é que é. Dentro do Fernando Nobre que proclamava a hora da cidadania contra a hegemonia dos partidos, está também um jovem Nobre mais cool que diz “estou cheio de te ouvir, ó velho!”, e bora lá com o PSD que é muito mais rápido.

O PS já tinha perdido o meu voto há uns anos. O PSD parece-me que acaba de o perder também. Com que mais tiros ao lado nos pretendem surpreender os putativos partidos que mandam nesta chafarica?

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