Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pedro Rolo Duarte

10
Mai11

Coelho de novo a sair da cartola

Há três anos, temi que este homem persistisse em aparecer nos ecrãs de televisão a debitar inanidades, banalidades, lugares-comuns. Sempre com pose de falso irreverente. Estou a ver os Prós e Contras e - oh meu deus... - lá está ele outra vez. Retirem, do que se segue, educação, e ponham lá Portugal e os portugueses. O meu post, três anos depois, não muda uma linha. O achista não desiste - nem os media desistem dele...

Um achista à solta
Lá estão de novo a debater o tema da educação. Hoje numa perspectiva enriquecida pelo olhar de sábios como João Lobo Antunes e António Câmara. O debate não corre mal.
Mas às tantas vejo levantar-se e falar Carlos Coelho, o homem que os media elegeram para se pronunciar sobre marcas, logótipos, imagem, marketing (Portugal tem esta característica quase risível, porém verdadeira: de vez em quando descobre um “especialista”, fixa-lhe o numero de telemóvel, e ei-lo a fazer jus à ideia do “cair em graça”...).
Carlos Coelho é um bom profissional – mas não é tão bom quanto ele se julga. É um excelente vendedor de si próprio, mais do que dos produtos que lhe pedem visibilidade. Não percebo o que pode acrescentar a este painel sobre educação – nem ele, pelos vistos, dado que debita em escassos minutos um conjunto generoso de baboseiras sem nexo, apelando ao apaziguamento da crise entre professores e Ministra. Estou a tentar concentrar-me no que diz, mas não consigo porque não percebo onde quer chegar. Ele também não percebe, enrola-se nas palavras, evoca os filhos que estudam no estrangeiro mas não explica porquê, e às tantas elogia a escola portuguesa pela “sensibilidade” (??). Enfim, parece um espontâneo que entrou sem convite no auditório da RTP.
Ora, os mecanismos do cérebro são misteriosos, mas às vezes tremendamente perspicazes. Lembro-me de ter passado há poucos dias pelo site da empresa dirigida por Coelho, e de ter lido qualquer coisa sobre o “achismo nacional”. Regresso agora a correr ao site. Lá está: “Da força colectiva do verbo achar terá, porventura, nascido um dos maiores inimigos das marcas, o achómetro. Constituindo-se enquanto direito fundamental de todos os cidadãos que se acham capazes de tudo achar, as marcas são objecto dos mais inóspitos, variados e múltiplos "achamentos". Nesta medida, e estando sujeitas ao que todos acham, estará o futuro das marcas reservado à procura da unanimidade que conduz à burrice? (...) Perdoem-me a franqueza, mas por favor calem-se aqueles que não sabem achar! Achar significa fundamentar, estudar, pesquisar, analisar e, no final, construir uma opinião concreta e responsável”
Carlos Coelho criticou aquilo que acaba de protagonizar na RTP. Ele foi o “achista” de serviço (papel em que, curiosamente, o tenho visto actuar frequentemente). Hoje, em nome do que defende e prevenindo o tal “futuro reservado à procura da unanimidade que conduz à burrice”, perdeu uma excelente oportunidade para estar calado.
Não foi a primeira vez. Temo que não seja a última.

4 comentários

Comentar post

Blog da semana

Ladrões de Bicicletas. Voltar a um dos mais clássicos blogues colectivos de análise e pensamento social e político e reencontrar excelentes textos, opiniões pensadas antes de escritas, e o prazer de um bom serão ao sofá a ler. Like.

Uma boa frase

“O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?" Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais comentários e ideias

pedro.roloduarte@sapo.pt

Seguir

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2007
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D