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Pedro Rolo Duarte

14
Set08

A culpa é delas

Interiorizei definitivamente a ideia de que a minha barriga não tem já forma de ser escondida ou disfarçada. Nem mesmo deitado na praia, virado para o céu, a coisa deixa de se manifestar. Contra a minha vontade, claro. A incomodidade do facto é tão indisfarçável quanto a que manifestam muitas mães de família quando se agacham para ajudar as crianças a compor o castelo de areia, enquanto tentam desesperadamente escapar ao olhar “paparazzi” dos homens que lhes descobrem a celulite e o pneu. Como se fossem nódoas numa camisa branca.

Ou seja: os dados estão lançados, não podemos evitar o exame implacável da praia, violentamente caucionado pela facilidade com que, na era digital, se “tiram fotos”. Toda a gente tira fotos, qualquer instrumento “incorpora” uma máquina fotográfica, e a imagem é dantesca. No outro dia, quando me mostraram uma sequência que documentava um jogo de futebol na areia entre dois pais e dois filhos, e um dos quatro era eu, fiquei para morrer com a imagem decadente de mim próprio. Não quis ver mais. Nunca mais.

Reconheci que estava farto de mim. Ainda ensaiei falar sobre o tabaco, de como deixei de fumar, e da relação directa entre o metabolismo e o consumo de cigarros, mas não funcionou. Fiquei profundamente abatido.

Sucede que, nesse preciso instante, percebi pela primeira vez a razão pela qual, com as excepções do costume, todos os homens portugueses com mais de 40 anos desenvolvem esse pneu que rapidamente se transforma em bóia de salvamento marítimo. E a razão é simples: é porque as mulheres deixam.

As mulheres vigiam-se mutuamente e deixam-se sucumbir às apreciações masculinas e às idiossincrasias da publicidade e da moda. São implacáveis umas com as outras – e quando parecem mais flexíveis, quem as ouve desconfia. Vivem reféns de uma imagem que lhes é imposta por todos os media, das novelas ao cinema. Planificam a sua vida em função dos tempos de maior exposição física – Primavera e Verão. E com toda essa intensa actividade, não apenas deixam de ter tempo para avaliar o sexo oposto como, quando confrontadas com os factos, dizem que “isso da barriguinha não tem importância nenhuma”. Noventa por cento das mulheres com quem desabafo sobre a passagem do “M” para o “L” no tamanho das t-shirts dizem-me o mesmo: “Isso não interessa nada, eras magro demais”. Mas quando se invertem as posições, nem admitem que se comente tal facto: enfiam-se nos ginásios, fecham a boca, marcam consultas nos cirurgiões plásticos.

O mais extraordinário é que, neste caso, quem cultiva esta tremenda injustiça e discriminação, que favorece apenas os machos, são justamente as mulheres. Desta vez nós - os “gajos” – estamos inocentes. E se noto este facto é basicamente porque não me sinto bem com o tamanho “L” – ainda que me sinta bem pior quando penso em dietas ou batuques sincopados de ginásio...

Portanto, em face do óbvio, resta-me um conselho de psicólogo: aceitar-me como sou e dar graças a deus por ser homem e não estar nessa competição louca de tamanhos e medidas.

As coisas não mudam, é a verdade: há cada vez menos diferenças entre homens e mulheres, mas a aproximação consolida-se pelo pior: mais trabalho para elas, as mesmas desculpas para nós. Assim nunca mais lá chegamos. “Lá” é aquele lugar onde o mundo seria, senão paritário, pelo menos um pouco mais justo. E já agora: mais elegante também.

 

Originalmente publicado na edição de Agosto da revista Lux Woman.

 

13
Set08

Há dez anos, a ponte

No domingo passado, pelas sete da tarde, televisão e rádio informavam os lisboetas sobre o estado do caos: havia filas de trânsito que íam da nova ponte até Queluz, estavam «entupidos» todos os acessos ao Montijo, era simplesmente infernal circular nas redondezas de algumas das vias que, longinquamente, «servissem» a «Vasco da Gama». Os repórteres, no entanto, não se cansavam de sublinhar o ar feliz dos automobilistas que circulavam a passo de caracol na mira de fazer os 18 quilómetros sobre o Tejo: «é uma festa, o buzinão é de alegria e felicidade», ouvi da boca de um jornalista.

Acredito que sim. A imprensa, a rádio e a televisão «cobriram» a inauguração com todas as honras e não deixaram de ressaltar a relevância da obra. Os governantes e ex-governantes elogiaram a capacidade de trabalho dos portugueses e falaram na «capacidade mobilizadora» que nos deve orgulhar. Qualquer cidadão normal sentiu uma pontinha de vaidade. Além disso, a ponte é muito elegante e bonita.

Só que já passaram umas horas sobre a inauguração. A ponte está lá. Mas agora acordamos do inebriante momento e temos um país novo, temos portugueses renovados? Não temos.

Por melhor que seja a obra, convém voltar à terra. Os portugueses não mudaram por causa de uma ponte: continuam a conduzir mal, e estima-se que o façam também em cima do tabuleiro; continuam a primar pela falta das mais elementares regras de civismo, pela mais absurda distância entre o seu mundo e o mundo onde vivem, pela indiferença face à política e aos políticos. A tentativa de fazer da nova ponte um «ícone» do novo Portugal é digna de um qualquer «ismo», a começar pelo cavaquismo. Mas é uma das mais terríveis armas demagógicas de arremesso. É verdade que concluir uma obra a tempo e horas, sem remendos nem improvisos, é um passo de gigante no país do desenrasca – mas só essa andorinha não faz a Primavera. Basta analisar o estado dos acessos à nova ponte para confirmar que, por detrás da engenharia, continua o mesmo país. E é também suficiente ver o entusiasmo luso por uma feijoada promovida por um detergente para reconhecer que o país não mudou.

No momento em que se festeja a nova travessia não sabemos com rigor até que ponto ela contribui para resolver o «abismo» que nos separa da «outra margem» do Tejo, como não sabemos da sua eficácia na fluidez do trânsito que sobrelota a Ponte 25 de Abril. Festejamos como se a obra, por si só, constituísse uma mudança – e esquecemos que a mudança está em nós, e não na obra. Quem faz de uma casa um espaço agradável é, em primeira análise, quem lá vive, não o arquitecto que a desenhou ou o engenheiro que a edificou.

O país anda histérico com almoços de 15 mil, pontes, a Expo aí à porta, a final da Chuva de Estrelas, a Gala da Nova Gente, as ambições do Benfica, os Globos de Ouro. Vive-se um momento de euforia que nos faz esquecer o essencial: somos os mesmos, somos estes e não outros, e não há obras públicas que nos valham quando, por exemplo, em matéria de educação, permanecemos a milhas de distância da «ponte» mais próxima.

As contas fazem-se para o ano, a mudança vê-se em décadas – e para o ano verificaremos que somos os mesmos, como as décadas têm mostrado que as auto-estradas não nos tornaram mais cultos. Permanecemos pobres e honrados. Gostamos do que gostamos na TV, lemos os jornais que lemos, e discutimos futebol enquanto cuspimos para o chão e destruímos a pontapé os novos caixotes de lixo que a Câmara nos «deu». Portugal continua a ser a soma de todos os portugueses e não umas toneladas de betão aqui e ali.

 

Reeditei este texto, originalmente publicado na revista Visão a 2 de Abril de 1998. Passaram 10 anos.

11
Set08

Luis Rainha "deixa-me escrever", o que é bastante simpático da parte dele

 

Então eu escrevi um post inocente e ingénuo sobre uma entrevista que tinha lido com Patrick Michaels. Ele discutia a questão do aquecimento global e punha em causa o politicamente correcto. Entre outros argumentos, usava este, sobre as previsões meteorológicas: “Basta olhar pela janela e comparar a realidade com a previsão do tempo divulgada dias atrás. Se os erros são tão frequentes no curto prazo, imagine quanto se pode errar em um período mais longo”.

Dado que este Verão foi um pouco merdoso, depois dos alarmes disparados sobre uma estação seca, quente e ameaçadora, achei a ideia interessante e escrevi sobre isso, para concluir em tom de conversa de café: “«Eles» nem sabem “adivinhar” o Verão, quanto mais o futuro...”

Logo Luis Rainha, autoridade do blog 5 Dias, apontou o dedinho: “Pedro Rolo Duarte decidiu escrever sobre o aquecimento global. O resultado, como seria previsível, não é famoso”. E depois explicou o que pensa sobre “temas importantes” que presumivelmente terei misturado “com ideologia e patrocínios comprometedores”.

Depois de um belo dia de praia, comentei o post. Dirigi-me directamente a Luis Rainha: “Acho que perde demasiado tempo comigo. A sério. Eu sou um tipo irrelevante que tem um blog. Escrevo para mim, para a família e os amigos. E tudo não passa de prosa quotidiana sem história nem ciência. Menos ainda religião. O Luís, que é um tipo importante, e tem certamente muito que fazer, pode pensar neste conselho: mude de irritação. Afinal, devemos escolher os nossos inimigos e as nossas embirrações com critério e rigor - porque elas dizem muito sobre nós…”.

E não é que ele me respondeu? É.

E disse: “Não se subestime. Caramba, tem o seu blog, eu e mais uns quantos até o lemos e, imagine-se, acontece o normal na blogosfera: uns gostam, outros não. Uns criticam, outros louvam. Isto não é perder tempo (sei que achava há uns anos que os blogues só faziam perder tempo, sobretudo aos madraços dos seus subordinados) é sim diversão ocasional. Nada de mais. Eu deixo-o escrever à vontade, você deixa-me divertir-me um pouco. Que tal?”

Foi neste momento que percebi – depois de notar, desanimado, o duvidoso e improvável português do “deixa-me divertir-me” - por que razão me sinto cada vez menos de esquerda, e me interrogo sobre se alguma vez estive verdadeiramente à esquerda na vida. É que, entre outras diferenças* que me afastam irremediavelmente de pessoas como Luís Rainha, não me passa pela cabeça dizer a quem quer que seja, mesmo sob a capa de pretensa ironia, “Eu deixo-o escrever à vontade”, algures entre o tom paternal e aquela pose blasée de quem permite, dá a oportunidade, autoriza. Nem com os tais “madraços meu subordinados” alguma vez usei o verbo “deixar” no sentido de permitir… Não digo que “deixo” nem que quero “deixar”. “Deixem lá isso…” – sim, isso eu digo muitas vezes…

Neste caso: Luis Rainha, deixe lá isso. E “faça-me o obséquio” de persistir na “origem antropogénica” do aquecimento global. Alguém tem de o fazer. Eu, como já percebeu, “é mais bolos”. E praia amanhã outra vez.

 

* Entre essas diferenças está também a recorrente referência a um episódio que os leitores do 5 Dias não conhecem, deixando a suspeita do "mau da fita" a pairar sobre mim e a inocência sobre o “subordinado” (e que, por decência, não vou esclarecer, porque isso envergonharia o “subordinado” e não me apetece lavar roupa suja na rua). E está ainda outra diferença: posso ser susceptível, mas não me levo demasiado a sério e sei rir de mim próprio. O que faz toda a diferença.

09
Set08

Amor é:

“Internada desde Abril por problemas cardíacos, Stella (Stella Maris, mulher de Dorival Caymmi) telefonava todos os dias para o marido, que lutava contra um cancro renal. No inicio do mês, ela entrou em coma. Mesmo sem ser informado da situação, Caymmi entrou em depressão e passou a recusar refeições. Sem os telefonemas da mulher, o compositor morreu em pouco mais de uma semana. Stella sucumbiu onze dias depois da morte do marido, com quem se casou em 1940”.

No Obituário da revista Veja, 3 de Setembro do corrente.

08
Set08

Duas ou três notas (sobre Portugal, claro)

Primeira. Segundo noticias que leio, invariavelmente, na imprensa, todos os jornais vendem mais, embora na verdade vendam menos. E todos vendem mais quando oferecem coisas que os fazem valer menos. Mas ninguém quer saber disso.

 

Segunda. Há 14 anos que, por razões pessoais, “faço” com alguma regularidade a estrada mais feia de Portugal: a que liga a A-2 a Sesimbra. É a estrada que passa em Fernão Ferro, esse monumento ao nosso terceiro-mundismo (ou será terceiro-mundíssimo?), onde as piscinas estão viradas para o céu mas nunca viram água, há a maior concentração nacional de animais em louça e barbecues descartáveis, e os carros que circulam à minha frente são sempre aqueles que vão virar à esquerda, onde menos se espera, sem fazer pisca.

Bom, nessa estrada está há 14 anos uma placa, algures entre Fernão Ferro e a Cotovia, que diz “Atenção: bermas em mau estado”. Pensei, no começo, que era uma provisória, um aviso. Depois, com o passar dos anos, passei a imaginar que seria uma bandeira (esquecida…) de autarca em tempo de campanha eleitoral, ou uma homenagem transitória a alguma vítima de acidente no local. Passados 14 anos, verifico que a placa é definitiva. Foi uma “atenção” para sempre. Algo como: “se esperam que a autarquia ou quem quer que seja tome conta das bermas, para onde vocês têm de se atirar quando um maluco qualquer decide virar à esquerda, tirem o cavalo da chuva: estas bermas SÃO em mau estado”. Não estão, são. A diferença entre o estar e o ser é o que nos separa dos países civilizados - nós somos mesmo assim. E isso também explica por que motivo as placas de estrada dispensam os verbos: é mais fácil manter na dúvida, durante pelo menos 14 anos, incautos como eu.

 

Terceira. Ando há semanas a ler artigos na imprensa, e reportagens na televisão, sobre o regresso do concurso “Roda da Sorte”, agora na SIC. Fala-se de Nuno Santos, que apostou no programa, fala-se de Herman José, que o lançou e popularizou, fala-se de Ruth Rita e até da voz off de Cândido Mota. Ninguém – quando digo ninguém, é ninguém mesmo… - se lembrou de dizer que foi o produtor Carlos Cruz quem descobriu esse formato, o trouxe para Portugal, convidou Herman José para apresentar, e produziu o programa. Há esquecimentos que dizem mais sobre quem esquece do que sobre quem é esquecido.

05
Set08

Beldroegas

Ando muito enfastiado com a actualidade, com o costume, com mais do mesmo. Assaltos e crimes, professores aos gritos, o país está excelente mas não sei quê. Na mesma. As férias fazem bem porque mudamos de ares e pensamos noutras coisas, mas depois fazem mal porque preferíamos continuar de férias naqueles ares.

Por isso penso em beldroegas. Um dia, aqui há uns anos, comi uma sopa de beldroegas absolutamente deslumbrante em casa de um casal amigo. Só que o casal deu o berro, a cozinheira desapareceu, e nunca mais vi uma beldroega pela frente. Já tinha pensado nisso, e nos supermercados andava sempre a ver se o milagre da beldroega se dava. Mas não dava. Até que, nestas férias, no mercado hippie de Melides, um vendedor de “coisas da terra” me explicou como se fazia a sopa, confirmou que a beldroega cresce como erva daninha por tudo o que é sítio, mas entretanto “és de Lisboa e lá só cresce cimento”, dá cá um euro pelo molho de beldroegas. Dei.

Levei o molho para casa. Os dias passaram e não cozinhei, as beldroegas começaram a ficar com mau aspecto e acaba aí o primeiro episódio...

Mas não acaba a ideia fixa de voltar a experimentar aquela mistura de sabores.

Espanto dos espantos: de volta à cidade confronto-me, na zona dos produtos biológicos do Corte Inglês, com o notável trabalho de “Vasco Pinto e Agostinho”, que da Quinta das Lameiras (Vila Maior, São Pedro do Sul) para Lisboa fizeram o favor de transportar molhos de beldroegas (ensacados, mas viçosos...) para a minha felicidade. Nem queria acreditar. Mas tive de.

Enquanto encapuçados assaltavam bombas de gasolina, a Rebelde Way tentava a sua sorte no prime time e a Liga Sagres parecia a Liga antes de ser Sagres, eu estudava as receitas para fazer uma sopa de beldroegas.

Primeiro truque: só as folhas se aproveitam, para não amargar o cozinhado. Segundo truque: não é boa ideia salgar demasiado a sopa, dado que o queijo de cabra já tem sal que chegue. No limite, rectifica-se o sal no fim da operação, que de resto é simples e básica. Da mistura de várias receitas, e de algumas tentativas melhores ou piores, cheguei a este ponto:

Com paciência, seleccionam-se as folhas de beldroega. Lavam-se e, se houver paciência para tanto, passam-se por água muito quente.

Na panela, um fundo de azeite, três alhos grosseiramente partidos depois de descascados. Lume. Quando os alhos começam a dourar, acrescentam-se as folhas de beldroega, alguns minutos, até parecerem amolecidas pela gordura. Então, cobre-se com água até à altura desejada (no meu caso, um litro e meio para um molho generoso de beldroegas). Quando a água levanta fervura, acrescento um queijo de cabra (atabafado...), não muito salgado, partido em cubos pequenos. Há quem também acrescente batata de cozer, mas não gostei... Temperei com duas voltas de pimenta moída, uma colher de sopas de orégãos, e meia folha de louro.

Passado algum tempo – não sei calcular quanto, é melhor ir provando as folhas até que fiquem tenras e saborosas – juntei um ovo por comensal, para escalfar. Desliguei o lume e deixei a panela a acabar o trabalho. Servi sobre “cama” (uau, há tanto tempo que queria usar esta expressão...)... de pão alentejano velho cortado bem fininho.

Ficou excelente.

E assim adiei pensamentos banais sobre o estado da nação, que não se recomenda - mas isso já sabia antes de começar a pensar em beldroegas.

Além disso acho a palavra, quando dita, muito bonita: beldroega.

03
Set08

Não confio

O Dr. Paulo Pedroso afirmou que a condenação do Estado no que respeita à sua prisão preventiva foi um passo “no sentido de reforçar uma confiança na justiça do Portugal democrático”. Disse também: “O que é essencial é que devemos estar mais confiantes, pois quer seja uma pessoa conhecida ou o mais anónimo dos cidadãos, quando há arbitrariedade e ilegalidade, o Estado de direito corrige dentro do que é possível”.

Gostava de recordar ao Dr. Paulo Pedroso que o juiz responsável pelo “erro grosseiro” de que ele foi vítima não só continua a julgar casos, pessoas e processos, como se deu ao luxo de manter a pose arrogante e presumida quando confrontado ontem, com o facto de ter roubado mais de 120 dias de vida a um ser humano igual a ele.

Gostava de recordar ao Dr. Paulo Pedroso que, até hoje, ninguém foi condenado no Processo Casa Pia, sendo certo que há dezenas de inocentes, vítimas de crimes de pedofilia e abuso sexual.

Gostava de recordar ao Dr. Paulo Pedroso que o artista habitual deste espectáculo, Pedro Namora, já veio dizer que a decisão do Tribunal contra o Estado é “inacreditável” – e que bastava ver a expressão de Namora na TV para haver ali matéria para mais um processo vitorioso do Dr. Paulo Pedroso.

Em suma, gostava de recordar ao Dr. Paulo Pedroso que, enquanto o Juiz Rui Teixeira continuar a exercer a sua função sem qualquer nuvem a pairar-lhe sobre a cabeça; enquanto não houver culpados no Processo Casa Pia e as reais vitimas continuarem a ver os criminosos por descobrir e condenar; e enquanto os Namoras desta vida puderem impunemente disparar acusações gratuitas sobre qualquer pessoa, tenho pena: não há maneira de “reforçar uma confiança na justiça do Portugal democrático”. Eu não confio.

01
Set08

O arrefecimento do aquecimento

Acho que nunca, como neste Agosto, pensei tanto numa entrevista que li há tempos, na revista brasileira Veja, com o climatologista norte-americano Patrick Michaels. Impressionou-me a postura politicamente incorrecta, porém muito serena e sensata, com que este homem desafiava os catastrofistas da terra, dizendo simplesmente que qualquer previsão sobre o aquecimento global do planeta é pura futurologia sem grande fundamento científico. Depois de explicar como se tem processado e se calcula a taxa de aquecimento do planeta, que para ele “tem sido notavelmente constante”, Michaels desceu ainda mais à terra: “Outra ressalva diz respeito à maneira como as previsões climáticas são feitas. Apesar de serem baseadas nas análises e nos métodos mais modernos que existem, é preciso cautela. Basta olhar pela janela e comparar a realidade com a previsão do tempo divulgada dias atrás. Se os erros são tão frequentes no curto prazo, imagine quanto se pode errar em um período mais longo”...

Qualquer português que leia jornais sabe quão verdadeira é esta ideia. Especialmente este ano: depois “deles” (adoro o uso do pronome “eles” quando nos referimos ao Instituto de Meteorologia...), repito, depois “deles” terem avisado a nação de que o Verão de 2008 ia ser dos mais quentes de sempre, que se temia o pior na floresta, que os velhinhos iam morrer quem nem tordos, e que Portugal secaria de Norte a Sul, veio então a realidade e saiu tudo do avesso: este terá sido um dos Verões mais frescos das últimas décadas, com uma média 1,29 graus abaixo dos valores normais para a época...

Lembrei-me muito de Patrick Michaels durante as férias, sempre que acordava pela manhã e sentia o fresco em vez do quente, um ou dois dias a chuva em vez da secura, e as nuvens no lugar do céu.

E também estranho tudo o que se diz diariamente sobre o abismo climático para que a humanidade caminha a passos largos. “Eles” nem sabem “adivinhar” o Verão, quanto mais o futuro...

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Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

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