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Pedro Rolo Duarte

30
Nov08

Quando o Pantagruel se encontra com a Bimby

Desta vez decidi cruzar experiências – queria fazer um creme de tomate que pudesse ser comido quente, com umas folhas de hortelã e um fio de nata líquida a enfeitar, ou frio, com uns quadradinhos de mozarela fresca...

Gostei da receita do velho e bom Pantagruel, mas decidi adaptar a receita aos conhecimentos adquiridos a fazer cremes na Bimby – ou seja, enriqueci a receita e produzi o creme na máquina. O resultado? Excelente! Suave, aveludado, saboroso. E com um toque sofisticado...

Descasquei e cortei grosseiramente em bocados duas batatas médias;

Cortei grosseiramente 3 tomates bastante maduros
Descasquei e cortei grosseiramente uma cebola pequena
Descasquei e cortei em dois um alho pequeno.

Atirei tudo para dentro da Bimby. Acrescentei meia lata de tomate triturado (usei a marca branca do Corte Inglês), uma colher de sopa de açúcar, um bocadinho de sal (dá sempre para rectificar mais tarde) e deitei água até à altura de todos aqueles legumes. A ideia é que os legumes fiquem ela por ela com a água.

Marquei 18 minutos, temperatura 100, velocidade 1.

Entretanto aqueci à parte o equivalente a um copo de água de leite normal (devem ser 25 centilitros).

Quando a Bimby apitou, juntei o leite, uma colher de sopa de manteiga, um pouco de pimenta preta moída no momento, e deixei mais 5 minutos na temperatura 100 e na velocidade 1.

Quando chegou ao fim, triturei tudo na velocidade 7 durante 50 segundos.

Servi quente em pratos com as folhas de hortelã em cima e um fio de nata a enfeitar.

Se fosse para servir frio, acrescentaria cubos de mozarela fresca.

28
Nov08

O nome da rua

Ia num táxi, a caminho de um jantar, e estava um bocado irritado porque o motorista tinha o rádio num volume elevado e ensaiava conciliar o inconciliável, ou seja o rádio ligado em simultâneo com aquele aparelho que liga à “central”, e onde uma expedita funcionária debita nomes de ruas e clama por “móveis” que tantas vezes parecem “imóveis”.

Preparava-me para pedir que baixasse o som da grafonola quando ouvi a distribuidora de serviços pedir “um móvel” à Rua Helena Vaz da Silva. O motorista não ligou, estávamos a caminho do Bairro Alto, mas eu fiquei petrificado. Rua Helena Vaz da Silva?

Sim. Fica na “Alta de Lisboa” a rua que leva o nome de Helena Vaz da Silva, a mulher que conheci no Centro Nacional de Cultura, que admirei pela dedicação às causas e às coisas da cultura. Helena morreu, em 2002, cedo demais, naquele patamar de injustiça que nos rouba pessoas que fazem falta, que alimentam projectos, que vivem no optimismo do dia seguinte.

Mas esse mesmo optimismo do dia seguinte é cruel para com aqueles que partem. O tempo vai passando e, naturalmente, os seus nomes são menos convocados, menos lembrados, menos revividos. Não perdem a relevância, mas a saudade adocica-se e distende-se.

Não me lembrava de Helena Vaz da Silva há algum tempo. Mas repentinamente, numa noite sem história, dentro de um táxi, a voz da telefonista a pedir o “móvel” àquela rua, recuperou-me a figura de Helena, a sua obra, a falta que nos faz.

Percebi, nesse momento, como se pode – como se deve - perpetuar um nome. Um nome numa rua. Pode não dizer nada a quem lá vive – eu morei numa Rua Ana de Castro Osório que só soube ter sido escritora muito tempo depois de ter mudado de casa... -, mas eterniza uma memória, e acorda os contemporâneos para a lembrança.

Se eu pudesse, telefonava a quem, naquela noite sem história, pediu um táxi à rua que tem o nome de uma pessoa que me sabe bem lembrar e trazer até uma crónica impressa. Agradeceria essa feliz coincidência, se é que as coincidências existem. E contaria ao morador daquela rua que nessa curta viagem de táxi pensei que Lisboa merecia ter um prémio com o nome de Helena Vaz da Silva. Um prémio a quem melhor soubesse herdar a ideia dos “Passeios de Domingo”, talvez. Ou um prémio “Gentil”, o outro apelido (verdadeiro!) desta mulher, e um dos que melhor se lhe aplica.

Mais tarde, em casa, encontrei um texto de Guilherme d’Oliveira Martins em que recorda que Helena dizia que os seus textos eram como “pequenas pedras que vou semeando”, “pedras como a do Polegarzinho – do conto da nossa infância – que se deitam para ajudar a reconhecer o caminho; pedras como a que se lança quando se começa a fazer uma casa; pedras brancas e de cor para dar brilho ao nosso dia a dia ou para lhe acentuar os contornos”.

Nesse caminho, Helena acabou por desenhar também, sem o saber, uma rua com o seu nome, e a possibilidade de um dia, na noite da cidade, eu ouvir dizê-lo bem alto - “Rua Helena Vaz da Silva” - e deste modo reconhecer que a existência para lá da vida faz sentido.

Fiquei grato a quem se lembrou de lhe dar nome de rua. Devemos isso aos melhores de entre todos. E saber onde “está” Helena Vaz da Silva é reconciliar-me por instantes com este lugar onde vivo. Mesmo que dure pouco, enquanto dura é como o sol: aquece e marca. De alguma forma, contraria o mundo que Helena caracterizou como “de portas e coração trancado, assestado para o êxito, a imagem, o agradável, o curto prazo”. Resistir à rendição continua a ser um excelente princípio.

 

Texto originalmente publicado na revista Lux Woman

25
Nov08

Os excessos da imaginação

Sempre que se fala de “falências” e “insolvências”, eu imagino donos de empresas, accionistas, gestores, a devolverem os carros de serviço, a fazerem contas à vida, a venderem as casa da Comporta e do Algarve, e a reunirem a família para repensar o orçamento e fazer face à crise. Ou seja, nas minhas reminiscências esquerdelhas, eu imagino que, uma vez falhado o modelo de negócio, o patrão desça ao patamar do operário. E chego a sentir aquele aperto ligeiro no coração.

... Mas depois acordo e vejo o ex-gestor, o ex-presidente, o ex- qualquer coisa, conduzindo o seu Mercedes a caminho do restaurante à beira-rio onde decidirá de que forma vai recomeçar a partir do ponto onde antes encerrou – ou seja, bem acima do zero -, ou o que poderá fazer pelo Partido que no passado o apoiou. Penalização? Nenhuma. Carreira? Sempre a subir.

E então dou razão ao Pedro Mexia: “Achei que o mundo era complexo e afinal é bastante simples. Há instintos, interesses, desejos e lógicas de classe. Não há mais nada”.

E não havendo mais nada, tudo o resto é imaginação. E injustiça.

24
Nov08

Uma livraria "quase"

O fecho da livraria Byblos encerra algumas lições exemplares que podem ser úteis aos livreiros que desejem transformar sonhos em realidades...

Um. Não adianta ter a mais moderna livraria do planeta, com écrans tácteis que nos encaminham para os livros e muita robótica debaixo das alcatifas, se essa livraria se encontra num local que fica “quase” nas Amoreiras, “quase” em caminho, que “quase” dá para ir a pé, e que talvez tenha um estacionamento decente, embora ninguém saiba.

Dois. Não adianta ter uma livraria central, “quase” ao lado de um Centro Comercial de sucesso, fechada ao domingo por ter tamanho de hipermercado. Mais valia que reduzisse a dimensão para poder ganhar um dia semanal de negócio.

Três. Abrir uma livraria que não fica no Chiado, não se chama FNAC, e não está dentro de um Centro Comercial, e fazer o mais medíocre e lamentável trabalho de comunicação de que há memória desde que foram inventados os correios, é suicídio puro.

Quatro. Por fim, fazer uma livraria sem o apoio e a amizade de quem edita livros – as editoras... -, não é seguramente o melhor caminho para o sucesso.

A Byblos fechou porque acreditou num mundo inexistente: o dos consumidores cultos, informados, exigentes e empenhados. Seriam esses os que procurariam uma Byblos sem marketing e comunicação, uma Byblos cujo valor acrescentado estava num acervo de 150 mil títulos (e era mesmo mais-valia sobre as Fnac’s desta vida, se tal facto tivesse sido comunicado, trabalhado e bem vendido...), uma Byblos que obrigava o cliente ao esforço de ir propositadamente até àquela esquina ventosa.

Ora, nos livros ou nos iogurtes, o consumidor quer, além do preço, acessibilidade, facilidade, informação, comunicação, marketing, e de preferência a carne picada para ser mais fácil comer. Não perceber isto iria necessariamente dar no que deu.Ou no que não deu...

21
Nov08

O tal canal

Há 15 anos, quando se anunciava a chegada da televisão privada a Portugal, fiz uma série de entrevistas para o CMR (Correio da Manhã Rádio, que belíssima estação...) com alguns dos protagonistas do processo. O departamento de promoção do rádio decidiu aproveitar aquele conjunto de vozes e e concebeu um spot promocional do programa com “soundbytes” dessas entrevistas. Aquilo passou meses a fio na estação, de tal maneira que ainda hoje sei de cor algumas das frases que se misturavam na “promo”... Ouvia-se o Carlos Cruz dizer “a RTP será sempre a estação mais vista de Portugal, os espectadores estão muito habituados à RTP”; ouvia-se Soares Louro dizer “Três estações com publicidade é demais para o mercado português, pelo menos uma delas ficará pelo caminho...”; e ouviam-se outros especialistas que, regra geral, duvidavam do sucesso da empreitada. Excepção aberta para os nomes então ligados à TVI (a Igreja Católica...), e à SIC, o ambiente era de desconfiança em relação aos novos operadores e confiança na manutenção do status da RTP.

Os anos demonstraram que nem a RTP estava imune à dinâmica dos novos canais, nem o mercado era tão pequeno e pobre como se queria dar a entender. E, mais importante, os espectadores estavam disponíveis para mudar de agulhas e fazer novas opções.

Lembrei-me desse momento c0m o debate aberto esta semana, sobre o 5º canal generalista, no âmbito da abertura do concurso público para a licença de emissão. Também agora a maioria das vozes diz não haver espaço/mercado para mais um canal, defende-se o fim da exploração publicitária na RTP, e a TVI e a SIC não se cansam de lamentar a opção do Governo. A verdade, no entanto, é que há interessados no novo canal – se fosse um negócio ruinoso, o concurso morria sem concorrentes...

E, sejamos justos e rigorosos, em tempo algum a pluralidade e a diversidade fizeram mal à comunicação. Pelo contrário, foi essa abertura multicanal e mutiplataforma que permitiu a sustentação de Grupos de Comunicação Social com algum peso, e que abriu espaço ao desenvolvimento dos canais temáticos, mesmo que de forma ainda errática – como foi a privatização da imprensa estatizada e a liberalização do sector que abriram a porta a um sector de media verdadeiramente profissional.

Nesses tempos como agora, o mercado terá, como sempre, a ultima palavra – vai ser ele a “ensinar” aos operadores de que forma e com que meios quer ver cinco canais abertos a operar em Portugal. E a não ser que defendamos a teoria da ditadura dos seis meses, é assim que tem de ser...

20
Nov08

Sobre o conflito com os professores, apenas uma constatação:

... Em nenhum outro foco de tensão, nos últimos anos, tive tão meridiana e claramente esta sensação: o PSD diz o que diz porque está na oposição e tem de dizer o contrário do Governo; o PS diz o que diz porque apoia o executivo e não pode dizer o contrário do que proclama o Governo.

Se o PSD estivesse no Governo, uma qualquer Manuela Ferreira Leite faria o papel de Maria de Lourdes Rodrigues. Teríamos o PSD a defender de forma veemente este modelo de avaliação, e a não ceder sob qualquer pretexto; teríamos então o PS a defender o diálogo, a dizer que se fosse à esquerda jamais se governaria contra uma classe profissional, e a pedir a cabeça do ministro PSD que se tivesse metido neste assado.

Basta ouvi-los e imaginar o cenário oposto: nada mudava, a não ser quem diz o quê. Interesse nacional? Interesse público? Nada disso: interesse puramente partidário. Lógica de poder. Conjuntura. O que dá jeito. Tábua rasa de ideias e princípios, quanto mais de projectos de futuro. É muito pobre a política em Portugal. E é por isso impossível acreditar “neles”.

18
Nov08

Quem põe Ferreira Leite na ordem?

Noticia da homepage do Sapo que acabo de conferir com imagem e som no Jornal da Noite:

 

“A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, perguntou hoje se «não é bom haver seis meses sem democracia» para «pôr tudo na ordem», a propósito da reforma do sistema de justiça. (...) Defendendo a ideia de que não se deve tentar fazer reformas contra as classes profissionais, Manuela Ferreira Leite declarou: «Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia...».

«Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se», observou em seguida a presidente do PSD, acrescentando: «E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia»”.

 

A minha sugestão: seis meses sem democracia no PSD, e alguém que ponha Manuela Ferreira Leite na ordem. Alguém que diga como se faz oposição e faça. Alguém que não viva entre silêncios incómodos e declarações suicidas. Seis meses, então. Depois, “venha a democracia”...

15
Nov08

Passou um ano

 

… O que era apenas uma plataforma para exprimir ideias, tornou-se uma espécie de quadro, que vou pintando e compondo diariamente, onde desenho o que penso, o que sinto, e abro a tela ao que os outros pensam e sentem. Passo no quarto onde está o cavalete mais tempo do que inicialmente pensei, mas faço-o com gosto, porque sinto que o quadro, e o quarto onde está, é visto por muita gente – e essa "muita gente", só por existir, entusiasma-me e inspira-me para o manter bonito, acrescentado, renovado.

Um blog é exactamente o que o seu autor quer que ele seja. Este é exactamente aquilo que quis e quero que seja. O que não contava, confesso, é que os leitores e meus amigos que o frequentam, comentam e citam, me levassem a olhá-lo como algo mais do que é. Como se fosse autónomo, com vida própria, que sendo meu está para lá de mim na exacta medida em que é também de quem o lê. Esse é o melhor balanço que posso fazer, um ano depois do primeiro dia.

Hoje eu sinto que o quadro se completa diariamente com pormenores, passeantes, cenários, paisagens. A saudável obrigação de vir aqui regularmente acrescentar pontos e linhas e traços ao quadro inicial tornou-se um momento natural na agenda dos dias. Como se fizesse parte de mim. E do meu mundo. Faz, com certeza, sei agora – e os 150 mil visitantes que por aqui passaram neste primeiro ano, e as mais de 300 mil páginas vistas, são a cereja em cima do bolo. A surpresa.

E, naturalmente, a minha gratidão.

 

13
Nov08

Isto é um assalto!

Calculo que não esteja sozinho nesta inquietação metódica e interrogada: será coincidência que a mudança de imagem do multibanco tenha ocorrido praticamente em simultâneo com a crise financeira internacional, sendo certo que o novo mascote da máquina apresenta um boneco (chamam-lhe Multinho...), de braços levantados, tipo “mãos ao ar, isto é um assalto!”? A sorrir, porém em delicada e vulnerável condição ...

Haverá uma mensagem subliminar que nos avisa de algo terrível que aí vem?

É o próprio Multibanco que se prepara para o assalto final, cobrando por cada transacção, ameaça que há anos paira sobre o sistema?

Ou é apenas mais uma daqueles acasos típicos do design nacional, em que primeiro se cria, e só depois se procura justificar a criação?

Confesso que me agrada o restyling da imagem geral do Multibanco – mas acho muito infeliz a pose da mascote.

Tem uma vantagem: agora, mais do que no passado, quando vejo aqueles braços levantados, olho à volta e vejo se tudo está calmo em meu redor...

11
Nov08

Uma história à espera de quem a agarre

Posso estar errado. Mas ontem, ao ver o “Prós e Contras” sobre o “Caso” BPN, e depois de assistir ao evoluir do noticiário sobre a matéria na última semana, fiquei com a ideia de que a imprensa, caso queira ou possa, tem ali uma farinha cinco estrelas para um bolo de investigação e reportagem. Reúnem-se numa mesma história os itens essenciais: dinheiro, glória e tragédia, justiça, abuso, poder. Com jeitinho – ou seja, se fosse numa Vanity Fair... -, até há por ali caminhos que acabam em sexo, drogas e rock. Não falando de política, é claro.

Eu achei que os rapazes que estavam no “Prós e Contras” sabem mais do que dizem – e o que dizem já é muito. Mas se calhar ninguém quer saber disso. Ou não convém, mas isso sou eu já a empreender...

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Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

Uma boa frase

“Se isto fosse no tempo do Sócrates, a esta hora o Trump já tinha em cima da mesa uma proposta da Mota-Engil para a construção do muro. Com financiamento do BES e projecto do Siza Vieira." Rui Rocha, Delito de Opinião

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