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Pedro Rolo Duarte

05
Dez08

Agora a sério:

Para mim, ao primeiro contacto, ao primeiro olhar, um livro é bom quando
 

Hipótese a) tem uma frase que me diz mais do que o autor queria dizer quando a escreveu. Por exemplo: “Livros escrevem-se tentando desafiar a vergonha”. A autora é a Mónica, mas sobre isso e sobre ela falo publicamente na próxima quinta-feira, na FNAC do Chiado...

 

Hipótese b) me agarra porque é escrito de forma tão inteligente e apelativa que o leria mesmo que fosse sobre a existência de um lémur-de-cauda-anelada. Por exemplo: “Shakespeare”, de Bill Bryson, que me fez conhecer a história de um poeta cuja vida nunca me interessou.

 

Hipótese C) sempre gostei dos livros do autor. Por exemplo, Paul Auster. Gosto de me reencontrar com a culpa e a expiação, estou a ler “Homem na Escuridão”.

 

Hipótese D) me diverte. Por exemplo, “Advanced Banter – The QI Book of Quotations”. Uma recolha notável de John Lloyd e John Mitchinson, do programa britânico da BBC “Quite Interesting”.

E onde leio a primeira recolha de citações sobre a net. Deixo-vos duas para começo de fim-de-semana:

 

Uma: “We’ve heard that a million monkeys at a million keyboards could produce the Complete Works of Shakespeare; now, thanks to the Internet, we know this is not true” (Robert Wilensky)

 

Outra: “On the Internet, nobody knows you’re a dog” (Peter Steiner).

 

03
Dez08

Assim se vê como (realmente) é o PC...

Eu ontem escrevi sobre jornalismo. Mas os dedicados (e pouco delicados) militantes/simpatizantes comunistas decidiram, como disse Charlie, ler os seus males na minha opinião e aplicaram a frase clássica: "Quando a mensagem não agrada, mata-se o mensageiro".

Não vou responder a quem me manda “catar”, ou a quem me chama “ensonado jornalista”, a quem se sente “profundamente enojado” com o que digo, a quem fala de “paleio roto”, a quem gostaria de me “dizer pessoalmente onde é que deveria pôr a pimenta... - talvez no sítio onde se põe pó de talco nos bebés”, a quem me considera “desacreditado” e acha que “minto muito” e sou um “nojo”. Uma das razões porque a caixa dos comentários é aberta, não moderada, e até acolhe cobardes anónimos - no blog que leva em cima o meu nome, sublinhe-se -, é justamente porque eu respeito a opinião alheia, qualquer que ela seja. Não me tenho dado mal com a opção. Na verdade, num ano, contam-se pelos dedos de uma mão os insultos e as difamações de que fui alvo. Nessa medida, é muito curioso, e dá que pensar, que seja no dia em que me refiro ao Partido Comunista que chegam em catadupa as ofensas gratuitas.

Mas, se querem mesmo saber, tal facto não me espanta: eu fui militante da Juventude Comunista (à época, UEC) entre 1977 e 1979, isto é, entre os 13 e os 15 anos. Bati com a porta no dia em que percebi que dentro do PCP (e pelos vistos, fora também…) não se pode criticar ou discordar, que o centralismo democrático traz a mensagem de cima para baixo, até às bases, mas em sentido inverso qualquer ideia divergente ou sequer interrogativa é asfixiada e morre pelo caminho. Bati com a porta no dia em que percebi que o meu entendimento de democracia era diferente do entendimento do PCP. Eu gostava da ideia de “tese, antítese e síntese” – mas lá gostavam mais do “quero, posso e mando”. Comigo isso não pegava - e abandonei serenamente a militância política. Não foram precisos muitos anos para perceber que o meu equívoco com o partido era bem mais vasto – e passava pela ideologia, pelo próprio conceito de socialismo, e por um projecto de sociedade que tinha pouco de livre e democrático. Os países do bloco de leste aí estavam para o demonstrar. E entretanto cresci e li mais alguns livros.

Os comentários que o meu post recebeu – a começar no de Vítor Dias, quando chama “tenebrosa e degradada” à minha “concepção de jornalismo, de pluralismo e de vida democrática” – mostram que, 30 anos depois, nada mudou no PCP: o respeito pela opinião alheia continua nos mínimos, a tolerância à crítica inexiste, e qualquer sinal de democracia (por exemplo, aquele que permite aos profissionais dos media terem a legitima responsabilidade de escolher os assuntos que tratam e definir em liberdade os critérios de edição noticiosa…) é desprezado, mal vindo, e transformado em bode expiatório das insuficiências próprias.

Fiquem os comunistas (que por aqui passaram e insultaram...) tranquilos: não volto ao assunto tão depressa e menos ainda ao partido. Não debato com quem não conhece o verbo debater. E há coisas que não mudam, o que nem sempre é sinal de coerência. Muitas vezes é apenas cegueira. Ou um ensaio sobre ela…

 

PS – Para dar um toque humano ao debate: a fotografia mostra este vosso blogger, aos 14 anos, de microfone na mão, a discursar num Encontro de Jovens Comunistas do Ensino Secundário (salvo erro, numa sala do Hotel Vitória...). A minha intervenção era sobre a violência nos liceus e defendia a tese de que não se devia responder na mesma moeda e que a teoria do “olho por olho, dente por dente”, não era digna de uma esquerda moderna. Lá está...

02
Dez08

O congresso do sono

No seu excelente blog, o comunista Vítor Dias exibia, no domingo, as primeiras páginas do DN e do Público para demonstrar que ambos passavam ao lado desse “grande” acontecimento que era o XVIII Congresso do PCP, no que constituía obviamente um atentado às boas práticas do jornalismo. Pelo contrário, a SIC Noticias encheu-nos o fim-de-semana com o congresso e deu-nos a ideia de que aquele era um acontecimento relevante do fim-de-semana.

Lamento discordar da SIC Noticias e de Vítor Dias, e estar de acordo com o Diário de Notícias e o Público: o evento não merecia primeira página de jornal – nem aqui, nem no deserto da margem sul...

Sejamos objectivos e claros: o Congresso do PCP só é relevante para os militantes do Partido e para os seus eleitores. Nas últimas eleições, o PCP, coligado com os verdes, recebeu o voto de 432000 portugueses – um quarto do número médio de espectadores da novela “Feitiço de Amor” da TVI (1, 5 milhões)...

Parece-me óbvio, portanto, que um acontecimento que mobiliza alguns milhares de participantes e mexe praticamente nada com a vida política portuguesa – a não ser, claro, como “case study” que provará que Portugal é tão pobre, tão conservador, e tão analfabeto, que ainda tem 430 mil almas a teimar num partido comunista... -, só é notícia de relevo pelo lado politicamente correcto de um jornalismo de quotas, com medo da ERC, e sentado no sofá quentinho da mais banal agenda.

Um congresso do PCP – o partido onde o “centralismo democrático” impede qualquer espécie de polémica, debate ou confronto – é seguramente interessante para reportagens sobre coisas que nos escapam, programas sobre o além, ou para o “Caia quem caia”. Mas não é, como aliás se viu, um acontecimento jornalístico. Além do mais, dá sono.

 

 

Adenda...
Vítor Dias, sempre atento, decidiu responder-me. Não tenho por hábito alimentar polémica aqui no blog, mas abro excepção por ter também estima por Vítor Dias e porque a sua resposta diz muito sobre a forma como no Partido Comunista se convive com a opinião alheia. E convive mal:
1. Em parte alguma do meu post se diz que as 320 mil pessoas que deram o seu voto ao PCP “sejam igual a zero”. 320 mil eleitores do PCP valem o que valem – só não constituem, por si, matéria de primeira página. Caso fosse esse um critério noticioso, a China seria manchete diária de toda a imprensa – já viu o Vítor Dias quantos são eles?
2. O critério jornalístico que norteia o meu pensamento é a síntese de 25 anos de trabalho e experiência. A relevância de uma notícia, que a leva à primeira página do jornal, resulta de um ou mais itens (conjugados ou isolados, conforme os casos): novidade, surpresa, revelação, choque, inovação, descoberta, polémica, exclusividade, denuncia, etc... Ora, o congresso do PCP foi ordinário (isto é, não extraordinário), não trouxe uma única novidade relevante, não foi surpreendente, não teve polémica, não mostrou nada que se não soubesse já. Foi curricular, normal, meridiano. Jerónimo de Sousa disse o mesmo que diz sempre – e desta vez nem houve um momentozinho animado de divergência ou dissidência para inspirar os comentadores do costume. Nada. Por isso - e lamento ter de explicar de cátedra ao Vítor Dias...-, do ponto de vista técnico foi aquilo a que chamamos um “não-acontecimento” jornalístico. Foi isso que eu quis dizer - apimentadamente, como gosto de escrever...
3. Não é saudável confundir este facto - o não-acontecimento - com a circunstância do congresso do PCP ser ou não noticiável. O congresso merece ser noticia? Merece. Merece estar na primeira página? Não merece.
Caro Vítor: ver nisto, e no meu post, uma “tenebrosa e degradada concepção de jornalismo, de pluralismo e de vida democrática”, é como admitir que um dia o povo vai querer ver o PCP no poder - é apenas um sonho mau. Cá vai então a sugestão: basta acordar...

 

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Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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