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Pedro Rolo Duarte

30
Abr09

Sem “Portfolio”

Como viciado em imprensa, militante de jornais e revistas, sou dos que compra praticamente tudo. Não é impossível encontrar no meu mundinho revistas sobre decoração, culinária, moda, música, cinema, politica, psicologia, sociedade, e muitas cor-de-rosa, que me alegram as horas vagas. Só quem não gosta de imprensa não consegue perceber que compre com o mesmo prazer o El Pais, o El Mundo ou o ABC – isto é, jornais de direita e de esquerda, conservadores e modernos. É uma sorte, gostar do que se faz como se gosta de um hobbie...

... Mas há, no meio de tantas publicações, algumas cuja empatia natural, o estilo, a forma, as faz entrar no meu top ten pessoal. Entre essas, do topo da tabela, estava até hoje a “Portfolio”, uma mensal do grupo Condé Nast que tratava temas económicos com detalhe e rigor, sem perder de vista algum humor, imaginação e criatividade. Poderia ter sido uma “Vanity Fair” da economia, se tivesse tido tempo para viver. Não teve.

Submergiu no mar da crise, deixou 85 trabalhadores desempregados, incluindo os excelentes Joanne Lipman e William Li, responsáveis pela revista. Não é o melhor começo de dia para um amante do papel impresso. Mas é a notícia que me acorda hoje.

 

Já agora, e sem qualquer ordem definida, cá vai parte desse Top Ten (ou talvez mais que Ten...) de revistas: Vanity Fair, Esquire (edição espanhola), Saveur (edição norte-americana), Monocle, Wallpaper, Jamie, Olive, Condé Nast Traveller (edição italiana), Veja, The Atlantic. E a Portfolio, até agora...

29
Abr09

Um pouco de política

Nasreddin Hodjâ, a seu modo, escolheu entre sonho e realidade. O seu filho disse-lhe um dia:
- Esta noite sonhei que me davas cem dinares.

- Perfeito – disse-lhe o pai – Como és um rapaz muito sensato, podes guardar esses cem dinares. Compra o que quiseres.

 

Lido na “Tertúlia de Mentirosos”, essa notável compilação editada e trabalhada por Jean-Claude Carrière (Edição portuguesa da Teorema traduzida por Telma Costa)

26
Abr09

Domingo noutro lugar

 

Sempre que passo por aqui, quero parar e fotografar esta placa. Mas como nornalmente tenho sede de chegar a este mar (foto abaixo), acabo por só parar quando há caracóis - não é o tempo... - ou quando volto e é de noite. Mas há sempre um dia em que penso: é hoje. E foi há bocado. Inesperadamente, é certo.

 

23
Abr09

As boas ideias resistem ao tempo...

 

 

 

Vejo Rodrigo Guedes de Carvalho na SIC elogiar a ideia “original” da “Visão” desta semana, e leio depois na edição online da revista esta “forma interessante e pedagógica” de assinalar “os 35 anos do 25 de Abril”: publicar a revista com os cortes que a censura faria, se existisse, a traço grosso, azul.

Eu sei que a memória dos homens é curta, mas não foi assim há tanto tempo que uma equipa dirigida por mim teve a ideia - então sim, original... - de assinalar exactamente dessa forma a mesma data. Foi há 5 anos, no DNA, e até o processo de “censura” – técnico, gráfico, e editorial – foi agora fielmente “seguido” pela “Visão”. António Ruella Ramos e Vítor Direito (ver este post...) foram as nossas boas escolhas para “censores” – e também nessa matéria, a revista convocou uma dupla, Almeida Martins e Daniel Ricardo.

Falar de plágio é talvez “desajustado” nos tempos que correm. Já não há originais, já não há cópias...

... Por mim, prefiro pensar pela positiva: houve boas ideias no DNA que felizmente continuam a inspirar e ser usadas pelos nossos colegas...

 


 

22
Abr09

A novela

A única palavra que me ocorre para a noite informativa de ontem é esta: previsível.

Previsíveis as perguntas. Previsíveis as respostas. Previsíveis os comentários. Previsíveis as reacções. Previsível o debate. Previsível a posição de cada um em cada debate. Previsíveis as sequências. A clara sensação de deja vu. Um Canal História em alta definição.

Como se estivéssemos perante uma novela (da TVI, porque não...), já se sabe que há beijos e choros e lágrimas e traições e um ou dois cadáveres. A “novela” assenta o seu sucesso na repetição de um modelo narrativo, e basta apanhar cinco minutos de um qualquer episódio para perceber toda a trama.

Nesta noite de Sócrates na RTP, houve novela: cada um cumpriu religiosamente o seu papel, multiplicando o efeito pelos vários canais de notícias, e o resultado foi a sistemática repetição do modelo anterior.

A política é cada vez mais um ritual. Para religião, só lhe falta a fé.

20
Abr09

Recado ao João Pereira Coutinho

Num dos seus textos deste fim-de-semana no Correio da Manhã, a propósito das reacções à escolha de Paulo Rangel para a Europa-do-PSD, João Pereira Coutinho, cronista que admiro e sigo com gosto, refere-se ao mundo dos blogues como a “lixeira blogoesférica”.

Não vou contestar a opinião do João – mas vou lembrar-lhe, humildemente, que eu também tinha tendência a referir-me aos blogues de forma altiva e sobranceira, quando mandava palpites semanais na última página de um jornal diário (à época) de referência.

Depois, quando esse jornal “não quis mais” e os outros jornais e revistas não tiveram tempo para me responder aos mails, foi nessa presumível “lixeira” que me abriguei. Porque é livre. Porque pude. Porque existe. E apesar de “isto” não ser de ninguém, senti-me parte de alguma coisa.

Aprendi essa lição relevante, que passo ao João, se ele a quiser apanhar: o mundo é sempre o mesmo – só o lugar a partir do qual o observamos vai variando. É sensato não nos habituarmos à ideia de que o vamos ver sempre do mesmo ponto de vista. Porque um dia a lixeira pode transformar-se num espaço gourmet, como o que antes nos parecia longínquo pode subitamente estar à nossa frente.

O nosso comum amigo Miguel Esteves Cardoso já me tinha explicado isto vezes sem conta – mas eu demorei a perceber, é verdade.

17
Abr09

Uma boa notícia para o fim-de-semana

 

"A rádio portuguesa ganhou, no 1º trimestre deste ano, quase 110 mil novos ouvintes, em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados ontem divulgados pelo Bareme Rádio, da Marktest. O número médio de ouvintes de rádio foi, entre Janeiro e Março, de cerca de 4,8 milhões, o que representa uma subida de 2,3% face ao mesmo trimestre de 2008. Os níveis totais de Audiência Acumulada de Véspera (AAV - percentagem de indivíduos que escutaram uma estação no período de um dia, independentemente do tempo dispendido) foram de 58,1% no 1º trimestre deste ano".
A Antena 1 foi uma das rádio que viu as suas audiência subir. O que constitui para mim a cereja em cima do bolo.
O fim-de-semana pode, enfim, chegar...
Copiei a noticia daqui.

15
Abr09

O Franco do Sobreiro

Para mim, nunca existiu o José Franco. Foi sempre o “Franco do Sobreiro” – como os meus pais lhe chamavam quando, uma vez por ano, nas férias de Verão entre o Penedo e a Praia Grande, havia um daqueles dias de tempo encoberto (o “capacete” de Sintra, quem não o conhece...), e lá íamos até Mafra visitar aquela miniatura de aldeia que o oleiro e ceramista criou e foi desenvolvendo ao longo dos anos.

É das mais ternas memórias que tenho de infância: a figura do “Franco do Sobreiro”, corpo curvado, a rodar a sua roda de oleiro, olhando para nós com vagar, enquanto moldava o barro que eu depois via acabado e cozido ali ao lado.

Os meus pais compravam-lhe barro fresco, enrolado em serapilheira, e eu fazia peças que depois pintava, secavam ao sol e duravam o que tinham de durar. Pouco.

Cresci e nunca mais lá voltei – a não ser, claro, quando fui pai (oportunidade mais que certa para voltarmos aos lugares onde fomos filhos...).

Há alguns anos levei então o António Maria ao “Franco do Sobreiro” – e apesar de um crescimento excessivo da obra e da transformação de todo o espaço numa Disneylândia rústica, confusa e muito virada a feira, deliciei-me a rever nos olhos do meu filho o mesmo fascínio que retinha da minha infância. Vemos nos olhos deles o que os nossos olhos guardaram, não é verdade?

Há bocado, navegando na net, soube que o José Franco morreu. E fui invadido por uma tristeza mansa, muito parecida com nostalgia. Como se por momentos me tivessem retirado um bocado do passado. Não é verdade, está cá tudo. Mas eu preferia pensar que pessoas como o “Franco do Sobreiro” jamais desapareceriam. E nem me apetece desenvolver teorias sobre a razão por que.

Embora saiba bem que o que nos enfeitiça e deslumbra na infância nenhuma idade adulta tem o direito de nos tirar.

 

(A fotografia é mesmo tirada no Franco do Sobreiro. Não sei que idade eu teria. Deve ser a minha irmã Fátima a autora da foto)

 

10
Abr09

Os prismas da crise

Acho sempre interessantes as reportagens sobre os tempos de crise: os portugueses compram mais atum em lata e menos carne, os portugueses trocam o peixe fresco pelos congelados mais baratos, os portugueses isto, os portugueses aquilo.

Nunca me exibem os dados que efectivamente me assustariam e deixariam perplexo. Esses dados seriam:

- Quebra do número de assinantes da SportTV
- Quebra de receitas nos estádios de futebol

- Quebra de receitas nos corners de unhas e nos cabeleireiros

- Quebra de receitas nas portagens e nas gasolineiras
- Aumento de receitas nos transportes públicos

- Aumento das “insolvências” efectivas (particulares) nos pagamentos dos carros

E mais uns tantos itens que não me apetece agora escrutinar.

... Enfim, que a crise existe e está instalada, não tenho duvidas – ninguém com bom senso terá. Já sobre a forma como os portugueses reagem à crise e refazem os seus orçamentos, gostava de estudos mais rigorosos, trabalhos mais próximos da realidade, e menos momentos palpitadeiros. Porque pode dar-se o caso da família portuguesa andar a poupar no peixe e na carne para manter a Sport TV, ou deixar de comprar o livro light anual para continuar agarrada à Maria e ao Record. Cortar no lombo para continuar a comprar a grade de cerveja não conta também...

E assim sendo, falem-me então da crise e dos seus contornos. Há, eu sinto-a bem na pele – mas dramatizar também não é o melhor caminho.

E dito isto, Boa Páscoa!

08
Abr09

Afinal a Cicciolina não entrava no filme

Leio na net uma nota de João Miguel Tavares. Diz o seguinte: “Por muito tentadora que possa parecer a ideia de ir a tribunal discutir tangentes entre o primeiro-ministro e a ex-deputada italiana, há que fazer justiça ao engenheiro Sócrates e ao escritório de advogados do dr. Proença de Carvalho e esclarecer que fui processado por muitas frases desse artigo, mas nenhuma delas inclui antigas estrelas de cinema pornográfico. Lamento pôr em causa tanta criatividade textual e visual que saiu em meu auxílio na blogosfera, mas opiniões são opiniões - e factos são factos”.

Pois é: factos são factos.

… Andou meio mundo a espalhar por aí que o processo se devia à frase “Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina” – e isso deu pano para mangas para a indignação, o protesto, a solidariedade, o gozo, a ironia, e até o abaixo-assinado. Afinal, parece que o processo tem outros contornos, e assenta sobre pressupostos diferentes. Talvez Sócrates queira ver João Miguel Tavares explicar em tribunal o que quis dizer, factualmente e com provas, quando escreveu: “A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral”. Atrevo-me a admitir que é mais por aqui que a coisa deu para o torto.

Mas agora a lama já está lançada sobre o processo. E nunca ninguém se lembrará do confronto entre Sócrates e os jornalistas sem citar Cicciolina, ainda que provavelmente não se recorde, no futuro, o que sucedeu efectivamente em tribunal, se algum dia o caso lá chegar…

É claro que a grande virtude da blogoesfera é esta liberdade ilimitada, este caos onde todos podem passear – de alguma forma, um blog é um jornal de que somos simultaneamente redactor, colunista e director, e nessa medida um espaço pessoal sem fim. Mas nesta grande virtude há de vez em quando grande equívoco. Muito excesso. E frequentemente pouco ou nenhum rigor.

Se calhar, boa parte dos argumentos contra Sócrates – no essencial, perseguir a liberdade de expressão – desaparece quando se conhecer em pormenor o processo. O que eu gostava era de saber quantos dos que escreveram sobre o tema, usando a frase onde se fala de Cicciolina, terão agora a sensatez e a seriedade de emendarem o tiro. Afinal, se o mundo dos blogues é "viral" para espalhar um boato, também devia ser "viral" para o corrigir...

Lá está: corrigir, emendar, isso, bom, isso pede-se a um jornal – não se pede a um blog...

 

Adenda tardia: para quem queira ver neste texto a defesa simples de José Sócrates, vale a pena ler este post, onde sou bastante claro sobre o facto de não considerar o voto.

 

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Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

Uma boa frase

“Se isto fosse no tempo do Sócrates, a esta hora o Trump já tinha em cima da mesa uma proposta da Mota-Engil para a construção do muro. Com financiamento do BES e projecto do Siza Vieira." Rui Rocha, Delito de Opinião

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