Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pedro Rolo Duarte

07
Out09

ACP agora também na política...

Leio e não quero acreditar: “ACP diz que Costa não tem «competência» para resolver problema do trânsito”. ACP em campanha politica? Sim. Carlos Barbosa (aviso de interesses: já foi meu patrão, e é um dos profissionais dos media que mais respeito e considero), presidente do Automóvel Club de Portugal, disse à Lusa que ”António Costa não pode abordar este tema na sua campanha porque não tem competência para o resolver. Só se preocupa com bicicletas».

Ora, eu não pago uma quota anual a um Club cujo Presidente faz campanha contra um candidato à autarquia lisboeta. Era o que faltava.

Como ouvi um dia dizer, “vou-me desarriscar”… Adeus ACP.

05
Out09

O estado da coisa

Leitura (do meu fim-de-semana) obrigatória para quem se interessa por jornais, jornalismo, informação. O dossier da “The Atlantic” sob o chapéu “who is killing the media?” tem de tudo, como na farmácia: factos, análises, opiniões. Tem até um ensaio de Christopher Hitchens – o da Vanity Fair – sobre o humor e a politica, que antecipa de alguma forma o que o Gato Fedorento trouxe ao nosso cenário politico. É uma edição de luxo.

Deixo apenas um parágrafo de Mark Bowden, antigo jornalista do The Philadelphia Enquire:

“Nobody is actually right about anything, no matter how certain they pretend to be. The truth is something that emerges from the cauldron of debate. No, not the truth: victory, because winning is way more important than being right. Power is the highest achievement. There is nothing news about this. But we never used to mistake it for journalism. Today it is rapidly replacing journalism, leading us toward a world where all information is spun, and where all ‘news’ is unapologetically propaganda”.

Não sei porquê, mas ocorreu-me uma palavrinha: Portugal.

02
Out09

Carta aberta à Bibá Pitta

Originalmente publicada na revista Lux Woman, há poucos meses.
Cara Bibá:

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que falámos. Não nos conhecíamos de parte alguma, ainda que eu soubesse quem era – sou um consumidor de revistas sociais… Coincidimos numa estreia de cinema e a Bibá ficou sentada uma fila à minha frente. Chegou em cima da hora, cumprimentou-me, pediu desculpa pela súbita confusão causada pela chegada ruidosa com marido e filhos. Disse uma ou duas banalidades, eu devo ter respondido na mesma moeda, e ficámos assim.

De si, tinha a ideia de uma dondoca cuja actividade principal consiste em aparecer em revistas e rir e mostrar a casa, a família e o periquito. Não lhe conheço profissão, e sempre me causou espécie o generoso número de pessoas que existe socialmente sem ter qualquer actividade conhecida ou obra que se visse. A Bibá, para mim, estava nessa prateleira onde abundam nomes estranhos e apelidos compostos. Lilly, Vicky, Pequenina, enfim…

É certo que se distinguia no meio da “multidão” que os fotógrafos perseguem por uma pose mais descontraída, ou apenas histriónica, que acaba por ganhar protagonismo. Mas isso não distinguia a árvore da floresta. Até ao dia 28 de Junho do corrente ano.

Nesse dia, um domingo, dei comigo a ler uma matéria numa revista cujo título era este: “Bibá não tem medo da palavra mongolóide”. E na entrada da matéria Bibá passava a Maria Gabriela de Viterbo Pitta Gouveia. E contava-se a história do livro escrito com a jornalista Inês de Barros Baptista sobre o cromossoma da Trissomia 21 que marcou um dos seus filhos - a Madalena, hoje com 11 anos.

Li o trabalho da jornalista Ana Rute Silva, que recolheu o testemunho e o transformou numa espécie de depoimento extenso, quatro páginas, sempre pontuadas pelo seu sorriso e o da sua Madalena.

E sabe o que senti, Bibá? Senti um misto de vergonha e de constrangimento. Por mim e pelos meus preconceitos. Especialmente pelos meus preconceitos – os mesmos que levam qualquer um de nós a fazer julgamentos prévios sobre pessoas que não conhecemos, os mesmos que nos empurram para a frases taxativas e as condenações sumárias. Agora, ao ler o seu testemunho, engulo as lágrimas que levam com elas esse olhar ligeiro e leve com que a sociedade nos vai ensinando a viver.

Todos os dias, por todos os lados, no autocarro ou num blog, num jornal ou no barbeiro, ouvimos os julgamentos sumários, os palpites, ouvimos até noticias que nunca ninguém viveu. Raramente pensamos que, por detrás de um sorriso ou de um vestido esvoaçante, está uma pessoa igualzinha a nós. Que se mostra? Que gosta de sorrir? Que tem uma vida social? E daí? Quem somos nós para catalogar, crucificar, menosprezar ou idolatrar os outros?

Cito-a, Bibá: “Costumo dizer que a minha filha foi feita com tanto amor que nasceu com um cromossoma a mais”. A frase até podia parecer tonta, se não viesse acompanhada de uma reflexão profunda, de um desabafo despojado sobre a tristeza e o luto, sobre a realidade com que se confrontou: “quem acredita que um bebé diferente é obra e graça de Deus está enganado”; “Com a Madalena, aprendi a ter objectivos e não expectativas. Cada dia é um dia”.

Claro que quero ler o livro. E claro que esta carta serve apenas par lhe dizer: bem haja, Bibá, por existir e ser como é. Mais ou menos histriónica, mais ou menos “socialite”, mais ou menos sempre em festa. O que fez com a sua Madalena, pela sua Madalena, e por todas as Madalenas deste mundo, chega e sobra para justificar as páginas de revista sem história e responde a quem vê o Mundo apenas com uma cor. E não consegue sequer sorrir.

Pág. 2/2

Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais comentários e ideias

pedro.roloduarte@sapo.pt

Seguir

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D