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Pedro Rolo Duarte

28
Nov09

Voar como o Sr. Abílio

Crónica publicada hoje na revista do "i", "Nós, Rurais"...  Continuam as reclamações de que jornal e/ourevista não chegam a muitos pontos de venda (incluindo em Lisboa...), reclamações para revista@ionline.pt ou geral@ionline.pt ...

 

Passei a sala principal do “Café Pinto”, o corredor que dava acesso ao pátio traseiro, subi umas escadas e a Dona Luísa, ao entrarmos numa cozinha misturada com varanda-entretanto-marquise, olhou para o Sr. Abílio, sentado numa cadeira a olhar o vazio, e disse assim:

- Pois ali está ele, entregue aos seus pensamentos.

Dona Luísa queria que eu ditasse sentença sobre o seu marido anestesiado, porque eu era um miúdo dotado que já tinha dado à Dona Olímpia explicações suficientes que lhe permitiram tirar a quarta classe, e daí a carta de condução. Mas, aos 12 anos, de psicologia percebia o mesmo que percebo hoje, aos 45. Nada.

Bom. Quem ali estava entregue aos seus pensamentos era o Sr. Abílio, o mais habilidoso condutor de carros de burros do Penedo e arredores, o homem que garantia que o “Café Pinto” era o sinal vital da aldeia, no televisor a preto e branco ou nos matraquilhos cá fora, nas cartas para a sueca ou na malha lá atrás. E aquele Sr. Abílio era, citando os Gato Fedorento, “um animal como a galinha, não podia estar bem; tinha asas mas não voava…”

Foi no café do Sr. Albino que soube que o francês - com quem organizava os Jogos Olímpicos do Penedo com medalhas feitas com caricas de garrafas -, roubava galinhas e limões para consumo individual e de família.

Foi no café do Sr. Albino que percebi que a ida do homem à Lua era desenho animado – e pela primeira vez o meu pai me surpreendeu, ao dizer que sim, que era tudo mentira, tudo animação televisiva. O meu pai trabalhava para a RTP e aquela gente acreditou. E cá fora ele riu, e rimos, e ainda hoje lembramos, entre os que ficaram, o corolário da história, que era o Sr. Abílio a contar o seu momento de horror no alto de uma “esgalha de uma árvore”, quando uma rabanada de vento o fez temer pela vida e ele percebeu, por fim, que nem os aviões voavam bem nem o homem chegava à Lua com aquela meridiana facilidade.

Na verdade, o Sr. Abílio “estava entregue aos seus pensamentos” porque um médico lhe notou excessiva agressividade e tendências pouco simpáticas em relação à raça sua semelhante - e vai daí, deu-lhe um potente calmante que o punha nas nuvens, bem mais flutuantes do que a esgalha da árvore que o fez duvidar da aventura humana.

Aqui chegado, eu terei comentado com a Dona Luísa algo como “a vida é mesmo assim”, e ela terá respondido: “o que é preciso é saudinha”.

E fomos às nossas vidas. Até aos dias de hoje, persisto em ser este falso rural que quer o campo com as luzes da cidade, quer na cidade o silêncio que só há no campo, e nem sabe dar conselhos decentes a quem se confronta com doenças urbanas.

Anos volvidos, no lugar do Sr. Abilio está outro qualquer Abílio – com a mesma delicadeza e profissionalismo, entregue ou não aos seus pensamentos, já sem burro mas certamente “montado” numa Toyota Hiace ou numa Hiunday a suaves prestações.

Anos volvidos, também mantive a ruralidade limitada aos fins-de-semana, ao cheiro a lareira, e às saudades dos matraquilhos no café do Sr. Abílio. Mas sempre que me perguntam, não minto: saudades do cheiro do campo, das palavras ditas no campo, do cheiro das lareiras e fogões de chão que há no campo. Acima de tudo, saudades de sonhar com um tempo que sempre me pareceu maior e melhor no campo. Mesmo quando tinha a certeza de ser igual. Há tempos que não vale a pena comparar.

26
Nov09

Publicidade completamente gratuita

Há alguns anos fui convidado para escrever uma crónica mensal na revista Lux Woman. Tem sido das mais ricas experiências profissionais da minha existência, porque é muito raro não receber mails sobre os textos que publico. Muitas vezes apercebo-me de que a revista já está à venda porque começo a receber comentários ao que escrevi. É o melhor que pode acontecer a quem escreve...

Nestes anos a Lux Woman tem sofrido modificações, remodelações, tem procurado encontrar mais público e, ao mesmo tempo, o seu público. Este mês chegou ás bancas com um visual renovado.

Renovado? Mais do que isso. A Lux Woman cresceu, amadureceu, tornou-se mais sofisticada e exigente. Nesta primeira edição "nova vida"  podem ler-se, entre outros, textos de Clara Ferreira Alves (Sobre Michelle Obama), e de José Luís Peixoto (solidário, nas noites de Lisboa). Não faltam as secções clássicas de moda, beleza, consumo, sempre cuidadas e criativas - mas temos uma nova cronista (Fernanda Freitas), mais reportagem, mais atenção a temas sociais. É a mesma Lux Woman - mas uns bons passos à frente. Na capa, a lindíssima (e inteligente) Evelina Pereira.

Isto parece um anuncio, se calhar isto é um anuncio: a Lux Woman merece-o. E eu estou muito orgulhoso de continuar a ser colunista da revista, e saúdo a nova directora, Rita Machado (que conhece os cantos à casa como ninguém...), e a equipa que a rodeia.

É bom ver, no meio da crise, que há quem se chegue à frente para ousar e fazer melhor.

24
Nov09

Solidão muito acompanhada

A fotografia não está assinada. Saiu na página de João Paulo Martins na edição de sábado passado da “Única” do Expresso. O que me chamou a atenção foi o momento registado: num jantar onde é suposto existir convívio, diálogo, certamente alegria e risos, o que a máquina registou foi um Francis Ford Coppola de olhar caído, como se estivesse em nostálgica viagem interior, ou apenas enfastiado com a circunstancia, ladeado por uma mulher (não identifico quem seja...) que ao primeiro olhar poderia estar a teclar num smartphone, mas depois se percebe que está a deitar açúcar no café, e pelo próprio colunista da página que, numa atitude negligente, fala ao telefone deixando o realizador nesta pose pouco animada.

É a imagem trágica da solidão demasiado acompanhada.

Curiosamente, lendo o texto de João Paulo Martins, parece que o jantar foi animado e que Coppola se entusiasmou com os nossos vinhos e revelou-se um apreciador do clássico Porto. Ainda bem.

Quem apenas passasse o olhar pela página e visse esta fotografia com o titulo “Das fitas para a adega”, ficaria a pensar “coitado do americano, veio de tão longe para isto...”.

É um daqueles casos a que se aplica o lugar-comum ao contrário: uma imagem não vale por mil palavras.

21
Nov09

Conservador, eu?

(Crónica de revista do "i" deste sábado, "Nós, Conservadores")
 
Há dois tipos de conservadores no mundo: os que sempre foram, e vivem felizes na sua condição, tranquilos nos blazers espinhados, nos padrões Burberry e nas camisas de xadrez; e os que demoram anos a reconhecer o seu próprio conservadorismo e fazem-no sempre a contragosto, resistindo às evidências.

Pertenço, evidentemente, a estes últimos – razão pela qual persisto na ideia de conviver harmoniosamente com a modernidade, embora só me sinta feliz nos lugares e cenários que já conheço. Uma agenda Filofax. Um disco que já ouvi. Um autor que não me surpreende. Uma bebida que conheço há anos. O eterno Cozido à Portuguesa do Painel de Alcântara. O croquete do Gambrinus. Vergílio Ferreira. Sting. João Gilberto. O pastel de massa tenra do Frutalmeidas.

Gosto do que é novo – mas o confronto cansa-me Gosto de conhecer novas cidades – mas logo que posso volto a Londres e a Barcelona. Defendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo – mas se me falam em adopção, vacilo.

Propositadamente misturo o que não se mistura – para que se perceba que há, no conservador não assumido, algo que está aquém e além da ideologia ou sequer da cultura familiar. Como se tivesse uma marca genética que não se consegue vencer por decreto.

Um exemplo: nasci numa família que se assumia como sendo de esquerda, e que saudou o 25 de Abril de 1974 como o verdadeiro dia de Natal por fundar. No entanto, eu e os meus irmãos tratávamos o meu pai por “você” e a minha mãe por “tu”... Nenhum deles nos impôs a diferença e ambos defenderiam, em teoria, a igualdade no tratamento, até porque dentro de casa eram iguais em direitos e deveres, e ver o meu pai lavar loiça foi o mínimo a que me habituei ao longo do tempo. Mas a marca estava lá – havia qualquer coisa conservadora que me levou a seguir os meus irmãos, e que conduzia a esta diferença num tratamento que nem por isso era menos afectuoso ou respeitoso para qualquer dos dois.

Nos dias que correm, quando alguém olha para o passado e vê os lugares por onde passei – nomeadamente “O Independente”, a “Kapa”, o DNA -, é corrente falar da modernidade associada a estes títulos, da ideia de vanguarda ou inovação. Normalmente, não me excedo no contraditório – mas a verdade é só uma: o que une todos estes títulos de jornais e revista é uma ideia conservadora. A ideia de que os jornais e as revistas se fazem com pessoas que escrevem, fotografam, investigam, imaginam – e cuja força maior é serem elas próprias. Nenhum destes títulos inventou a roda – todos recuperaram rodas já muito rodadas: a entrevista, a reportagem, a fotoreportagem, a crónica, o humor, a notícia, a investigação, a causa, a critica. O grafismo de todos eles foi inspirado no melhor que já se tinha feito. A estrutura foi sempre uma síntese do que de bom víamos fazer noutros lugares. E até o sucesso que estes títulos tiveram resultou da fórmula mais conservadora de comercializar produtos: se dermos ao consumidor o que ele não tem – e, chave do cofre, se tivermos a oportunidade de lhe provar que lhe faz falta o que nem sempre ele tinha consciência da falta que lhe fazia -, é muito provável que ele nos compre regularmente.

Tenho dificuldade em dar o braço a torcer. Mas ele já foi tão torcido e retorcido ao longo da vida que já nem sente a dor quando eu digo, baixinho, timidamente, “sim, conservador, talvez seja...”

20
Nov09

Como um romance

 

Para poder falar na rádio sobre este livro, passei parte da noite de ontem a ler páginas soltas, bocados de tempo que fui escolhendo em função do meu gosto pessoal. Há muito tempo – eu diria, desde o ultimo ensaio histórico de Vasco Pulido Valente – que não tinha tanto prazer a ler um texto de História. Não é só a consistência e a clareza da escrita, é essencialmente a fórmula, a meio caminho entre a investigação e o relato. Tem algo de jornalismo – no que o jornalismo pode e deve ter de vida e mundo.

Vou ler como se lê um romance. E garanto que era coisa que não me passaria pela cabeça se não tivesse sido bem agarrado pelo talento de Rui Ramos, Bernardo de Vasconcelos e Sousa, e Nuno Gonçalo Monteiro.

Duas notas mais: ao contrário do que é hábito, esta História de Portugal chega até aos dias de hoje; e pelo número de páginas pode dizer-se que, em média, cada ano da nossa História teve direito a uma página de texto. Claro que em rigor esta proporcionalidade não se verifica, mas dá para ter uma ideia da concisão da obra e do esforço que foi feito para, ainda assim, manter vivacidade e cor na escrita. Para mim, é o livro do ano.


18
Nov09

Onde está Lima?

Lá se voltou a falar do que sente Cavaco – e lá veio Cavaco desmentir. As fontes de Belém, afinal, não secaram.

O que ninguém me diz, o que parece ter caído de vez no esquecimento da agenda dos jornais, é por onde anda Fernando Lima. Está com Cavaco Silva? Faz o quê? Está a escrever outro livro? Voltou ao Diário de Notícias? Ninguém quer saber? Já não tem telemóvel?

Sobre ele caiu aquele manto da invisibilidade que tanto jeito deu no começo da saga Harry Potter. Não surpreende que a memória me devolva histórias de feitiços e aprendizes de feiticeiros – talvez porque, neste caso, os feitiços se têm virado quase sempre contra os feiticeiros. Quem escuta e quem é escutado, quem é negligenciado e quem negligencia, parece uma brincadeira de crianças. Em lugares muito sérios.

Ando a reler Victor Cunha Rego n’Os Dias de Amanhã e sorrio quando descubro a expressão que usou para denominar um “centrão” que não se entende mas também não se consegue libertar. Era o tempo de Guterres e de um PSD aos papéis, e ele chamou-lhe “O pudim central”.

Como noutro momento, e sobre Cavaco, deixou esta ideia tão actual: “O silêncio não é a encenação. É o embaraço”.

A falta que Cunha Rego nos faz todos os dias num bom jornal.

15
Nov09

Dois anos

Este blog faz hoje dois anos. Ao notar a efeméride, lembrei-me de como nasceu – mas lembrei-me mais de uma crónica do meu grande e generoso amigo Miguel Esteves Cardoso sobre o tempo. Uma crónica em que ele desafia os “mestres-relojoeiros” a criarem o relógio ideal...
 

“Este relógio com que sonho seria eterno – como já há por aí -, mas marcaria a passagem das horas conforme a alma de quem passasse por elas. Aquelas sestas que me obrigavam a dormir quando era pequeno podiam tecnicamente ser de duas horas, mas que conforto seria ter um instrumento que nos confirmasse que tínhamos aguentado um dia inteiro de inquietude debaixo dos malditos lençóis!

O mecanismo básico deste relógio ideal seria um princípio que não é menos sólido do que qualquer das leis da física: quando estamos a divertirmo-nos, o tempo passa depressa; quando estamos aborrecidos ou a sofrer, o tempo passa devagar. E aqui chegamos à dúvida que me levou a partilhar este meu sonho, na ânsia de algum leitor poder esclarecer-me.

Pois se quanto mais envelhecemos, mais depressa passa o tempo, isto não quererá dizer que, quanto mais velhos, mais felizes nos tornamos?”

 

E termina a crónica assim: “o tempo, desde que bem pensado e medido, é a única coisa que vale mesmo a pena – ou o prazer – passar”.

Foi nisso que pensei também quando me apercebi que este blog nasceu há dois anos.

14
Nov09

Coisas que a política me tem ensinado

Ou de como o link é quem mais ordena...
 
O amor é lindo, mesmo que possuído por alguma agressividade.
Namorar é publico ou privado, conforme quem namore com quem
Mas quem namora também tem opinião
Ai tem, tem
 
Tudo o que se passa e é notícia anda demasiado perto do primeiro-ministro.
Por exemplo, a licenciatura...
Ou as escutas das conversas entre José Sócrates e Armando Vara...
Ou a embrulhada de Manuel Godinho
 
É tão bom estar na oposição.
Socrates mentiu mesmo que não se possa ouvir o som da mentira...
 
É tão bom estar na oposição (parte II)
É verdade, e os submarinos, alguém se acusa?

Estamos sempre a aprender.

Vai ser mesmo assim...

 

13
Nov09

i no sábado será assim...

 

Num país de marialvas, mais corrupto menos corrupto, é só uma questão de trocar o cavalo pelo automóvel de luxo e saber andar a trote e a galope pelos corredores do poder... Vejamos então:

 

Portugal desde menino
Foi cavaleiro e campino
Deu cartas com calção
A cavalo venceu mouros,
A cavalo picou toiros
Foi destemido e pimpão.
A nossa história
É toda de lés a lés
Uma vitoria do ginete português


Eu cá para mim
Não há oh não maior prazer que o selim e a mulher...
Rédeas na mão, sorrir amar, trotar esquecer,
E digam la se isto é descer!


Rapaziada de agora,
Voltem à bota e à espora
Com orgulho e altivez
Deixem as coisas modernas
Arranjem força nas pernas
Trotar é que é português
Quem anda a trote em cima de um bom alter
Leva no bote a mais difícil mulher...


Letra do Fado de Estevão Amarante, também na revista do i de amanhã...

 

11
Nov09

No pântano

Sempre que um caso judicial aparentemente relevante começa a tropeçar na nulidade dos documentos ou das acções, no arquivamento das certidões, nos recursos e nos subterfúgios da lei, nos estado de pendência, nas imunidades e nas excepções – por mais legais que sejam… -, eu sinto que mergulhou no pântano e de lá não volta a vir à tona…

No pântano nacional jazem milhares de processos que, acredito, a terem sido concluídos em tempo util, fariam de Portugal um país um pouco melhor. E mais justo. E mais sério.

 

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Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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