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Pedro Rolo Duarte

30
Jan10

As taras que foram

(Crónica da revista do i, Nós Tarados, hoje nas bancas...)
 

O melhor das palavras é o tempo que duram. Mais tempo. Menos tempo. Tempo nenhum. Uma estação, uma época, uma geração. E o melhor do tempo que as palavras duram é o significado que têm – e também ele muda com o tempo. Quem trabalha com palavras e vive de as conjugar sob muitos tectos, em plataformas diversas, sabe bem como as palavras vão e vêm, como se encostam aos momentos, como desaparecem sem deixar rasto – como se tivessem vida própria. Emendo e ressalvo: as palavras têm vida própria. Têm a existência que lhes damos nos dias que elas ganham.

Ainda alguém se lembra de conduzir na “broa”? Já ninguém conduz na “broa”, agora guia-se muito depressa, ou “bué rápido”. Nem sequer se conduz na “ganga”. Já não há pessoas “baris” e as casas não tem carpetes. Nunca mais soube da existência de escalfetas, nem de carcaças, nem tão-pouco de números que se “discam” num telefone. Os táxis substituíram os “carros de praça” há muitos anos.

Muda tudo – e as palavras, ora vão à frente, tomando uma dianteira tantas vezes desnecessária e apressada, ora seguem a mudança com o ligeiro atraso que lhes dá estilo e charme. Ainda dizemos televisão e televisor – por mais que as palavras ecrã e plasma queiram tomar-lhes o lugar. Ainda dizemos filmar quando na verdade estamos a gravar. Ainda vemos um filme, mais do que um DVD.

A gestão corrente das palavras é um dos mais fascinantes mistérios da língua, porque é como a água - que corre sempre na direcção da foz, e vence barreiras, contorna impossibilidades, numa autonomia incontrolável e feliz -, mas não se vê o seu labor. Nunca se viu uma palavra esgueirar-se pela janela e voar para o infinito, ou agarrar-se às saias da mãe para não desaparecer ao anoitecer.

Não sei se lutou muito ou pouco pela sua sobrevivência, não sei se saiu discretamente de cena ou foi empurrada por palavras mais novas e mais apetecíveis, mas ainda hoje recordo com saudade a palavra “tara”. Não foi assim há tantos anos que estava na moda, era sofisticada, e dita com sonoridade fatal: “essas calças são uma tara!”; “aquela rapariga é uma tara!”; “que tara de vestido!”. Tara de tarar, tara de deixar tarado qualquer um.

E deixar qualquer um tarado era bom, muito bom – tão bom quanto hoje pode ser mau. Ou pelo menos esquisito. A palavra não se agarrou às saias de quem a usava - e foi pelo cano, sabe-se lá onde anda hoje.

Quando dei pela minha existência no mundo, ouvia as raparigas falar da “Tara” – uma boutique que abriu em Cascais e depois em Lisboa, nos anos 60 do século passado. A “Tara” estava na prateleira de sucesso dos “Porfirios”, da “Maçã” e de outras boutiques que trouxeram inovação ao comércio do trapo nos tempos finais da ditadura – e o nome da loja remetia para essa ideia: “é uma tara!”.

Passaram mais de 30 anos. A palavra teve o seu tempo e perdeu-o. Se eu disser que vou a uma loja que se chama “Tara”, posso ser denunciado, olhado de lado, ou discretamente interrogado: “algum fetiche por lá?». Já não há taras como antigamente. Já não há tarados sem mal algum. Ou melhor: há. Só as palavras mudaram. E é o melhor delas, essa capacidade de mudarem ou entrarem na reforma sem nos darem cavaco. Por falar nisso: cavaco, esse cavaco que se dá ou não dá, também é palavra que já foi. É assim.

26
Jan10

A escolha de Paula

Há uns anos largos, no ambiente de um programa de televisão, conheci Paula Teixeira da Cruz. Impressionou-me a sua rectidão, seriedade, sentido de justiça, uma inteligência indiscutível e um incomum (pelo menos, no universo político...) desapego ao “poder pelo poder”. Tornou-se, aos meus olhos, no exemplo do que deve ser um político. Além de uma muito competente profissional.

Depois dessa experiência intensa e rica, fui sabendo aqui e ali das suas intervenções públicas, mas não mais do que isso. A vida não tem sido amiga de Paula Teixeira da Cruz – mas às adversidades ela tem respondido com empenho e resistência. Esta mulher nunca desistiu, mesmo quando era evidente que desistir era mais cómodo e até compreensível.

Fiquei a saber agora que apoia Pedro Passos Coelho na corrida à liderança do PSD. Não sendo militante do Partido, nem sequer eleitor habitual, a escolha da Paula acaba por determinar (ou talvez, para ser rigoroso, reforçar...) a minha simpatia nesta eleição. E ao que já vinha de trás se junta este momento da entrevista ao “i”, que mostra uma vez mais de que (boa) massa é feita esta mulher:

 

A pergunta de Ana Sá Lopes: Na sua opinião, Pedro Passos Coelho é o homem certo para esta altura?

A resposta de Paula Teixeira da Cruz: “Não acredito em homens providenciais. Agora, penso que Pedro Passos Coelho fez três coisas que me levaram a apoiá-lo neste momento. Preparou-se - que é uma coisa a que estamos pouco habituados. Em Portugal, as pessoas têm horror a preparar-se e de improviso em improviso estamos a chegar aqui. Passos Coelho foi-se preparando com naturalidade e começou a construir a casa pelos alicerces: proposta de revisão do programa do partido, que não é alterado desde 1982, e proposta de governo para Portugal, ou um conjunto de propostas. Foi inequívoco numa atitude de querer a abrangência dentro do partido. Eu não o apoiei nas eleições anteriores! Não vejo mais ninguém a fazer este trabalho e a fazê-lo de uma forma coerente. Isto é, preparando-se, ouvindo, ouvindo, ouvindo, que é algo a que os nossos decisores também têm horror. Depois, abrindo um espaço de debate sobre o programa do partido, apresentando um projecto que porá à consulta de todos os militantes e recolherá contributos de todos, recentrando a matriz ideológica e apresentando uma alternativa a este governo. Não vejo mais nenhum dos candidatos de que se fala a fazer este esforço. Eu estarei onde estiverem as ideias que se aproximam mais daquilo que é o interesse público e o interesse nacional".

 

21
Jan10

Nascer antes de tempo?

Lendo a matéria de capa da revista de domingo do jornal espanhol El Mundo, e sabendo que, pelo menos, em política, “ter razão antes de tempo é o mesmo que não ter razão”, resta-me aceitar, conformado, que nasci cinco anos antes do ano ideal para ter nascido.

Por um lado, foi antes. Por outro lado, já sabia contar até dez quando os de 69 começaram a nascer. Pergunto-me se a politica imita a vida, porque nesse caso nascer antes de tempo é o mesmo que não nascer.

Ainda assim, e como diz o poeta, para todos os efeitos “Sinto-me nascido a cada momento / Para a eterna novidade do mundo...”

Agora ainda mais. E com mais vontade.

19
Jan10

Triste fado Alegre

Este post foi escrito por Bruno Sena Martins no Arrastão:

"Sei-me incapaz de votar num Manuel Alegre próximo (ainda que remotamente) daquele que se apresentou a votos nas últimas eleições presidenciais. É verdade que Alegre foi obrigado a encontrar o seu espaço entre as candidaturas de Cavaco Silva, Mário Soares, Francisco Louçã e de Jerónimo de Sousa. Com o território à esquerda tão densamente povoado, é lícito supor uma adaptação às circunstâncias no modo como a campanha viria a transformar Alegre numa insólita miscelânea de populismo anti-partidos,  nacionalismo saudosista e memória anti-fascista (versão  narcisista).

Se acaso votar em Manuel Alegre nas próximas eleições será porque a vontade de me despedir de Cavaco Silva encontrou respaldo na capacidade de esquecer o Manuel Alegre de 2006. Não depende de mim"

Se eu tivesse escrito sobre o tema, era mais ou menos isto que tinha escrito. Assim poupo-me um bocadinho, que ando muito cansado...

13
Jan10

Caixa de óculos

Uma curta história bem portuguesa: há dois dias, à noite, quando tirei os óculos para dormir, fiquei com a haste direita (que podem ver na fotografia) na mão... Não houve movimentos bruscos nem irritação, nada, o normal: tirar os óculos no momento de apagar a luz. Os óculos são Ray-ban, marca reconhecida pela competência nestas artes, e foram comprados em Fevereiro do ano passado na Grand Optical, que é uma dessas “fábricas” de óculos à pressão.

Já tinha tido um momento menos simpático com essa casa, que anunciava – e anuncia... - em letras garrafais que faz óculos em apenas uma hora, e logo no momento da encomenda me disse duas horas. Quando fui buscar os óculos, tinha havido um engano e era... no dia seguinte. Barafustei tanto que consegui o mínimo olímpico: foram levar-me os óculos a casa, dado que incumpriram o contratado...

... Desta vez foi ainda mais ridículo e absurdo. Chegado à loja do Centro Colombo, o simpático funcionário sentou-me no sofá do costume, olhou para os óculos (colados com fita-cola...) e disse:

- Não tire, não tire, já vi o que é. Uma haste nova, ainda vai custar algum dinheiro...

Olhei para o ecrã do computador dele:

- Mas diz ali que os comprei em Fevereiro do ano passado... devem estar na garantia...

- Sim, sim... Mas nem pense nisso: eles vão sempre dizer que foi devido a mau uso e o senhor nunca vai conseguir usar a garantia...

E eu:

- Então não adianta pagar 150 euros por uns óculos de marca (fora as lentes...) com garantia...

- Pois, disse o funcionário, isso o senhor é que sabe...

- É que uma criança, enfim, pode perceber-se mau uso, brincadeiras, escola, essas coisas... Agora um adulto, uma mola que saltou de uma haste...

O empregado:
- Só um bocadinho, volto já.

Pensei que ia reconsiderar, falar com alguém, admitir o absurdo da situação. Voltou com um papel na mão:

- São realmente 40 euros, e demora duas a 3 semanas... garantia, não vale a pena, não. Mas pode usar os óculos, assim com a fita-cola quase nem se nota.

A Grand Optical perdeu um cliente, claro. A Ray-Ban também. Se houver óculos na Loja do Chinês, a partir de agora é lá.

 

12
Jan10

O cheiro do tempo

(Crónica publicada na revista do i, Nós Nostálgicos, sábado passado...)
 

Todos os anos, quando caem as primeiras chuvas - e se porventura estou no campo -, o cheiro da terra molhada, misturado com o cheiro doce de uma lareira acesa, devolve-me à infância na Serra de Sintra, e pela memória passam-me imagens e momentos de um tempo que ficou lá, onde tinha de ficar. Mas volta, inesperadamente, pela via menos óbvia, a do olfacto. A memória, nestes casos, não tem tempo para apagar a lembrança – porque ela persiste, ano após ano, naquelas circunstâncias.

É mesmo assim: para mim, é o cheiro. Mais do que a saudade, que tenho de pessoas e de momentos, a nostalgia é palavra que associo a cheiros que passaram e voaram, nunca mais voltaram. Ou voltaram por instantes, geralmente de forma inesperada, e me deixaram nesse torpor cansado de quem revive o que já viveu.

Há tempos vivi de novo esse click, esse disparo acidental que o olfacto provoca. Para o perceber, vale a pena recuar a essa infância em Sintra. Na aldeia onde passava férias e fins-de-semana, a Dona Olímpia, ali mesmo ao lado, criava porcos e galinhas e coelhos, alimentados com as rações da época: erva, cascas de fruta, arroz. Para os porcos, a dieta incluía um prato que eu reconhecia à distância pelo cheiro: cascas de batata cozidas. Dona Olímpia ia juntando as batatas de consumo caseiro, guardava as cascas numas latas grandes, e depois cozia tudo numa fogueira ao ar livre. O cheiro das cascas cozidas era peculiar: algo como batata cozida envelhecida e oxidada, se é possível imaginar o cheiro destas palavras juntas...

Era incómodo, mas não era absolutamente repugnante – talvez porque fizesse parte dos cheiros da terra, como o cheiro a resina de pinheiro, ou a limões frescos junto aos limoeiros, ou aquela mistura da caruma com as folhas secas de eucalipto.

Os anos passaram e eu não voltei àquelas paragens e nunca mais senti o cheiro das cascas de batatas cozidas – mesmo quando as cozo com casca, mesmo quando são “a murro” para acompanhar o bacalhau assado. As batatas que chegam às cidades já não têm essa casca com esse cheiro que, para mim, ficou lá na infância e na adolescência na Serra de Sintra.

Há uns meses, então, a nostalgia disparou sob a forma de um cheiro. Desse cheiro. Ocorreu quando comprei, num mercado de rua, batatas de cultura biológica, daquelas escuras, com a casca suja de terra. Pus algumas a cozer com a casca. A água ganhou cor – coisa que nunca acontece... – e repentina, inesperada e brutalmente, senti o cheiro das cascas de batata cozida da minha infância no Penedo. Exactamente aquele cheiro ocre – ou seria acre? -, ligeiramente envelhecido, oxidado. Como se a minha cabeça fosse um armário dos anos, abriu-se a gaveta do tempo e tudo me envolveu de novo: os amigos daquele tempo, as brincadeiras de Verão e de Inverno, o tanque onde tomávamos banho, o caminho das pedras, a quinta do alto, as guerras de ameixas podres.

Foi quando me apercebi que já não me lembrava daquele cheiro, já não tinha na memória a sua existência - mas estava lá e despertou naquele instante. Foi também quando confirmei que andamos a comer amostras do nosso passado, primos químicos dos legumes da infância, produtos “limpos”, “higienizados”, “formatados”. Ou seja: sem origem.

Porque, na origem, as batatas tinham aquele cheiro, as maçãs às vezes tinham bicho, e os tomates tinham menos água e mais sabor. A minha nostalgia está no cheiro – mas quando se estende, espalha-se ao comprido.

 

09
Jan10

Taxatividade

Uma das “maravilhas” da idade – para cada uma, há seguramente uma faculdade que se perde, uma nota negativa a assinalar, mas isso agora não interessa nada... -, é o fim da taxatividade. O “Word” diz-me que a palavra taxatividade não existe, mas em tempos de acordo e desacordo ortográfico, deve valer tudo. Para mim existe.

E então: o fim da taxatividade. É quando deixamos de dar por adquirido mesmo o que estava adquirido desde sempre. Quando descobrimos que afinal acordar cedo não é assim tão mau – como deitar tarde não é assim tão bom. Ou quando pura e simplesmente deixamos de ser taxativos com o que nos rodeia, com a vida, com tudo.

Lá está. É assim que eu estou.

Sinto que diariamente perco mais uma taxatividade. Esta semana foi a das canetas. Desde o dia em que tive a minha primeira Montblanc, dei como adquirido que uma boa caneta tinha de ser uma Montblanc (mesmo que taxativamente achasse que o melhor marcador era uma coisa de 50 cêntimos chamada “tratto pen”...).

Tive várias Montblanc, perdi outras tantas, caneta de tinta permanente, esferográfica, rollerball, uma colecção. A última, uma espécie de mistura possível entre feltro e esferográfica, a “fineliner”, partiu-se numa queda súbita para um inesperado chão de mármore.

Achei que era um sinal – e iniciei o caminho terrestre para a descoberta de uma esferográfica que me enchesse as medidas: o design elegante, simpatia na forma de lhe pegar e escrever, e um correr no papel suave, mas potente. Gosto de traço grosso, firme. Acho que encontrei – e não pertence à marca do costume. É este modelo corriqueiro da Caran D’Ache, que aqui exibo, seis vezes mais barato do que a mediana MontBlanc clássica, e uma felicidade quando escrevo, como se tivesse recuperado a mão, a mão que escreve...

Hoje foi assim. Amanhã, logo se vê...

05
Jan10

Todos diferentes, todos diferentes

Começou por ser o penteado e a roupa. Quando dei por mim adolescente, era este o primeiro sinal que distinguia as pessoas, que separava classes e géneros e estilos: o penteado, a roupa. Em alguns casos, o perfume também contava – tive até uma amiga de Verão, na Praia Grande, que era conhecida como a “Sofia Johnson’s”, porque despejava frascos da água-de-colónia infantil dessa marca sobre si própria...

Nesses tempos longínquos, havia palavras que também identificavam origens – enterro ou funeral, vermelho ou encarnado, prenda ou presente – e crescia a absurda dicotomia entre um beijinho e dois beijinhos. Ainda hoje dou um beijinho a umas, dois a outras, e fico na dúvida com muitas pessoas...

Os anos passaram. Muita coisa mudou. A roupa e o penteado democratizaram-se de tal maneira que é praticamente impossível usar esse critério para distinguir géneros. Ter um visual próprio deixou de ser extravagância, ganhou estatuto de personalidade. E bem.

O problema é que nem por isso se quebraram barreiras definidas por aparências. A vida virtual encarregou-se de criar os novos códigos – e hoje são bem claros, como nos anos 80 eram as roupas e os penteados.

Se num qualquer Facebook desta vida alguém se me dirigir perguntando “kdo tas lvr p kfee?”, reconheço claramente de onde pode vir tal pergunta, e sei que há anos de distancia entre mim e quem me interpela. Se numa mensagem de telemóvel o texto chegar ao pormenor do “Desculpa incomodar-te a esta hora, certamente estás a almoçar...”, também estou certo de poder adivinhar a origem.

O toque de um telemóvel é hoje um sinal exterior de personalidade – até quando é banal, o toque permite-nos aferir da negligência do dono do aparelho face às tecnologias ou, simplesmente, da sua irrelevância no mundo... Há pouco tempo, descobri uma afinidade improvável com uma colega do jornal onde trabalho – o toque de telemóvel dela é uma das canções de sempre da minha vida. Ela não sabe de tal facto – nem tenho intimidade suficiente para lhe dizer... -, mas ouvir o seu telefone tocar é mais ou menos como encontrar mais alguém para quem o “Até ao Fim”, do Vergílio Ferreira, seja o livro de uma vida. São escolhas improváveis, incomuns, e um toque de telemóvel com Sakamoto e David Sylvian pertence certamente à mesma categoria...

Mas há mais. O ecrã de um computador é um diário, onde a existência se inscreve sob a forma de “wallpapers”, sons, pastas e fotografias – e a forma como se escreve um mail constitui em si um livro de estilo do seu autor. Há pessoas que começam pelo clássico “Olá, bom dia”, mas também há quem vá directo ao assunto sem sequer um cumprimento, há quem não responda ou quem presuma que aquele é o único mail que recebemos num dia.

Na ingenuidade de quem viu a chegada do computador como o começo de uma uniformização da vida, achava que a evolução da tecnologia nos tornaria cada vez mais iguais, cada vez mais indistintos. Desatento, nem me apercebi que o simples facto de, logo nas primeiras versões do “Word”, podermos escolher escrever em “courier”, “areal” ou “times new roman”, era apenas o sinal da revolução que aí vinha.

E veio. Foi tudo ao contrário. Com as roupas e os penteados havia apenas os freaks, os betos, os punks e mais um ou dois subgrupos.

Agora, cá para mim, nem há grupos: há uma espécie de corrente contínua de rios, afluentes e ribeiras que se juntam e afastam, confluem e se desfazem, para desaguar todas no mesmo mar. O da imensa liberdade de se exibir o mais próximo possível do que se é. E eu gosto de pensar que é mesmo assim.

 

Crónica publicada na última edição da revista Lux Woman. Daqui a dias sai uma nova...

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Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

Uma boa frase

“Se isto fosse no tempo do Sócrates, a esta hora o Trump já tinha em cima da mesa uma proposta da Mota-Engil para a construção do muro. Com financiamento do BES e projecto do Siza Vieira." Rui Rocha, Delito de Opinião

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