Blog da Semana
Catedral da Luz
Já o tinha destacado aqui ao lado, mas ainda não tinha sido eleito aqui para o cantinho...
Uma boa frase
“Desta vez não há um lord Byron a defender a civilização helénica... A opinião publica europeia é bem mais fraca do que há dois séculos. Uma vergonha para tantos recursos humanos «well educated»”
José Medeiros Ferreira, Cortex Frontal
Mais comentários e ideias: pedro.roloduarte@sapo.pt
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Quarta-feira, 31 de Março de 2010

Um de vários mails recebidos nas ultimas semanas oriundos de pessoas que não conheço e que obviamente me não conhecem (só a referência às caixas de comentários diz tudo sobre a construção do mail “to all”...). O objectivo é que eu responda por escrito, permitindo um copy-paste sem qualquer trabalho de reflexão, organização de ideias, investigação, escrita. Fica o mail integral, exemplar, de uma colecção que nos ultimos anos atinge as duas ou três dezenas, e depois podemos falar de ensino “superior”:

 

“Olá !

Peço desculpa por estar a incomodar, mas a situação é a seguinte: costumo acompanhar os vossos blogs, estudo na Faculdade de Ciências sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e como este é o meu último ano estou a frequentar a cadeira de Seminário de Inglês, na qual tenho que desenvolver um trabalho de pesquisa com vista à criação de um ensaio. Como os temas se enquadram todos no Pós-Moderno, optei pela Cibercultura. Mais especificamente, a importância das novas tecnologias no papel desempenhado pelo leitor, na medida de haver uma substituição da passividade pela interactividade, o jornalismo de opinião, os blogs, como é que os comentários influenciam ou não o seu conteúdo, e coisas desse género...

Pelo que, era uma óptima ajuda se pudesse 'entrevistá-lo' para saber como funciona com o seu.

E as questões são as seguintes:

1 - Qual o papel que desempenham os comentadores no seu blog?

2 - Em que medida é que os comentários influenciam  o conteúdo do blog?

3 - Qual o critério que leva a que um comentário seja excluído?

4 - No seu blog os comentários estão abertos a todos. Porque optou por essa acessibilidade? Pensa que os comentários são então parte fulcral do blog, sem discriminação?

5 - Se não for indiscrição, a sua carreira está de algum modo relacionada com a escrita/jornalismo ou trata-se apenas de um hobbie? (na maioria dos casos sei à partida a resposta, apenas preciso confirmar)

6 - Leva em conta e valoriza a participação/opinião dos users?

7 - Alguns autores no campo dos media afirmam que 'cada cidadão pode ser um repórter' ou questionam 'can bloggers be journalists?' , Qual a sua opinião?

Agradeço à partida a atenção dispensada e agradecia realmente muito que respondesse.

Cumps”


Assina uma das muitas Sandras, Vanessas, Joanas e Timóteos que por essas Universidades fora chegam assim ao final dos seus cursos. Em breve andarão por aí.



publicado por PRD às 10:59
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Sábado, 27 de Março de 2010

(Crónica publicada na edição de hoje da revista do i, Nós, Infiéis)

 

Em Novembro passado, o i publicava a noticia: “O site gleeden.com apresenta-se como um “jardim de felicidade” e já são 1500 os portugueses inscritos neste portal dedicado às pessoas casadas que querem ser infiéis, mas de uma forma discreta”. Prometia-se então que, depois de passar a versão beta, “os interessados poderão encontrar parceiros disponíveis para uma aventura extraconjugal. Dos 1500 portugueses já inscritos, 65% são homens e 35% são mulheres. O facto de o site não ser gratuito não parece ser impeditivo para os interessados numa relação fora do casamento”.

A última barreira abateu-se: até para a infidelidade a Internet encontrou facilidade de acesso, rapidez de execução, eficácia na concretização. Podem os conservadores vir falar dos tempos modernos e do fim da ética e da moral, podem as igrejas continuar a pregar no deserto, podem os teóricos construir teses sofisticadas sobre o mundo moderno. Nada ultrapassa a simplicidade dos factos: há um problema? Há uma fronteira para ultrapassar? Há uma dificuldade para vencer? Falta-lhe qualquer coisinha? Alguém, a esta hora, num qualquer canto do globo, está a tratar do assunto. Não tarda e aí estará o site que vai tornar banal o que antes era incomum.

A Internet é o maior facilitador da vida – no que isso tem de deslumbrante e útil, mas também de perigoso e falso. É um pouco como crescer a comer hambúrgueres – não há duvida de que é prático, mas no dia em que um bife nos aparece à frente, não sabemos o que fazer com aquele bocado de carne e é muito provável que tenhamos problemas de resistência nos dentes. Para tudo, na vida, tem havido equilíbrio – excepto para a Internet, avassaladora na sua criatividade, imaginação, no seu caos e felicidade, na sua reinvenção diária.

Foi nisso que pensei quando li aquela notícia – bolas, já nem para ser infiel é preciso trabalho, estratagema, um guião bem afinado, um novelo bem enrolado. Nada disso. Um click, uma password, e navegamos na infidelidade controlada. Por pouco, combinada com o cônjuge, já agora podem enganar-se em dias certos, sempre se poupa qualquer coisa...

Não consigo conceber facilmente a ideia de infidelidade – e nisso parece que sou antigo. Mas consigo menos ainda conceber a traição com “profile” incluído e cartão visa em site devidamente protegido. No meio de tanta felicidade ao alcance de um click e de uma password, onde fica o velho e bom lugar do talento, do saber, da aprendizagem?

Ser infiel dá tanto trabalho como ser fiel - porque ambas as condições exigem dedicação, vontade e às vezes algum esforço. Pedem sabedoria, na verdade e na mentira, na escolha daquilo que queremos para a nossa vida, e na metódica dedicação à causa. Há anos que alimento a ideia simples de que a infidelidade não compensa – bom é estar com quem se gosta enquanto se gosta, e não ter medo de mudar de vida quando se deixa de gostar. É mais fácil de dizer do que de fazer – mas quando se faz e se persiste, tem compensações evidentes. Dorme-se mais tranquilamente. É-se mais feliz. E mesmo na infelicidade consegue-se paz, que é um dos bens mais preciosos da vida. Não me tenho dado mal com o princípio.

Talvez por isso me tenha chamado a atenção a notícia do site que promove a infidelidade de forma prática, discreta e eficaz. Tenho vontade de me inscrever e passar a mensagem aos sócios: em vez de trair a sua mulher (ou o seu marido), já pensou em tentar ser feliz? Sabe que pode divorciar-se e ter o mundo todo pela frente? Não é tão fácil, talvez, mas é muito melhor. E nem precisa de password.



publicado por PRD às 13:40
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Quinta-feira, 25 de Março de 2010

Num país que compra e lê poucos jornais, um “jornal de letras, artes e ideias” resistir 30 anos é em si absolutamente extraordinário. Ter a capacidade de continuar a renovar-se, é ainda mais extraordinário. E ganhar uma nova vida, é a cereja em cima do bolo.

O JL que ontem chegou às bancas ganhou uma nova vida – um design rejuvenescido, elegante, atraente na sua clássica discrição, actual sem se armar em moderninho. Desde a fórmula gráfica original – com aquele modelo de capa notável que João Segurado criou, com as chamadas em passadeira seguida e o desenho de Abel Manta a encher a página... – que não via o JL com tão bom aspecto. A fonte “glosa”, criada por Dino de Santos, é um encontro feliz entre tradição e contemporaneidade, e cai que nem uma luva no inspirado projecto gráfico de Vasco Ferreira. É um jornal que respira e dá vontade.

É claro que continua a ser o jornal de uma “certa” cultura, muito oficiosa e previsível, e que lhe faltam mais Josés Luís Peixotos na sua lista de colaboradores (falta-lhe, nomeadamente, a frescura com que, no mundo dos blogues, se olha a literatura e as artes em geral...). Mas os defeitos do JL não ofuscam a sua maior qualidade – que é a resistência, a persistência, e a forma feliz como foi absorvido sem ser asfixiado dentro do universo comercial do grupo Impresa. José Carlos de Vasconcelos é o obreiro dessa obra.

Aos 45 anos, voltei a comprar o JL. Tinha 15 quando o conheci.



publicado por PRD às 15:06
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Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Arraso a forma como já lá fui algumas vezes tratado, irrita-me frequentemente a ausência de funcionários em número suficiente para a atenção que o volume de clientes exige – mas, mesmo assim, o IKEA encanta-me desde os tempos em que tínhamos de ir a Madrid para comprar irrelevâncias essenciais (o paradoxo é propositado, só quem nunca viveu a “experiência IKEA”...), ou mobílias de casa completas, do pano de cozinha ao “vaso sanitário”...

E encanta-me mais quando esbarro num utensílio que imaginei existir, que sonhei que existia, que pensei que devia existir, mas nunca imaginei que alguém inventasse tão depressa e bem.

Ei-lo, então: o apoiozinho almofadado para estar com o portátil ao colo em qualquer lado sem aquecer as pernas e irritar o corpo. Tão simples, tão óbvio. Mas foi lá que encontrei, sempre com um nome “a condizer”: “Bräda”. Trocadilho tipo Sílvia Rizzo: já bradava aos céus, é verdade.

Nem vi o preço, comprei logo. É essa a ideia, certo?



publicado por PRD às 00:40
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Domingo, 21 de Março de 2010

Resultados práticos da vitória do Benfica:

1. Portugal deixou de estar em crise.

2. Chegou a Primavera, acabou a chuva.

3. A produtividade nacional, pelo menos amanhã, vai subir brutalmente.

4. Hoje e amanhã os indices de violência doméstica descem para valores irrelevantes.

5. Seis milhões de portugueses sorriem como há muito não se via.

6. O número de portugueses deprimidos desce para níveis historicamente baixos.

7. José Sócrates vai ter uma semana de descanso.

8. A oposição bem pode dizer que o rei vai nu, que ninguém quer saber disso.

9. Somos felizes, enfim.

O meu Benfica é assim.

Portugal segue dentro de momentos.



publicado por PRD às 23:16
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