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Pedro Rolo Duarte

31
Mai10

Ainda há bocado era domingo

 

De vez em quando venho aqui, como vou a outros lugares, descansar das minhas palavras. Canso-me de me ler como se me ouvisse. Às vezes quero meter férias de mim e partir para outro que não eu. Nada de grave: apenas 46 anos de convívio intenso com a mesmíssima figura e as “suas coisinhas”, como dizia um amigo dos meus pais.

Bom, este domingo, enquanto descansava das minhas palavras, passei pelo Nuno Júdice e gostei deste domingo dele (lá está: devolveu-me domingos que me fazem falta. Com sinos):

 

Aos domingos, quando os sinos tocam
de manhã, o que neles se toca é a manhã,
e todas as manhãs que nessa manhã
se juntam, com os dias da infância que
nunca mais acabavam, as casas da aldeia
de portas abertas para quem passava,
as ruas de terra batida onde as carroças
traziam as coisas do campo, os cães que
corriam atrás delas, uma crença no sol
que parecia ter expulso todas as nuvens
do céu, e a eternidade desses domingos
que ficaram na memória, com o ressoar
dos sinos pelos campos para que todos
soubessem que era domingo, e não havia
domingo sem os sinos tocarem a lembrar,
a cada badalada, que os domingos não
são eternos, e que é preciso viver cada
domingo como se fosse o primeiro, para
que o toque dos sinos não dobre por
quem não sabe que é domingo.

29
Mai10

Como não ganhar um cliente em 3 partes

 

Parte 1.

Entro numa loja Vodafone para obter uma informação sobre determinados serviço. Simpático e solícito, o funcionário esclarece que aquilo que pretendo não pode ser tratado no balcão, mas sim por telefone e depois encaminhado para onde me disserem. Dá-me um número: 16014200.

Parte 2.

Chego a casa, ligo para o número, atende-me um simpático funcionário a quem repito tudo o que já tinha dito na loja. Que sim, mas que não era ali, ou melhor, eu deveria ligar um outro número, de resto gratuito: 800910200.

Parte 3.

Ligo o número gratuito, espero cinco minutos que atendam, por fim um simpático funcionário ouve-me repetir pela terceira vez o mesmo pedido. Pede-me para esperar. Regressa à linha e diz: sim senhor, há com certeza informações sobre o que pretendo, mas neste caso a Vodafone entra em contacto comigo se eu fizer o favor de dar o meu número de telemóvel.

Explico que não vou dar numero algum de telefone, por razões longas de explicar mas que os leitores podem encontrar aqui. Explico também que, sem alternativa, vão perder um potencial cliente de um determinado serviço. Nada a fazer. Sem o meu contacto, nada feito.

Sem alternativa, desligo e esqueço o assunto.

27
Mai10

Todos responsáveis? Não, uns mais do que outros...

Neste circo que se montou a respeito da crise financeira e das medidas de austeridade, nunca se fala de responsabilidades.

Diz-se que é preciso cortar na despesa, diz-se que andámos 30 anos a assobiar para o lado e a gastar o que não tínhamos, mas não há responsáveis nomeados – somos todos, é o todo a que se chama Portugal.

Ora, sendo certo que Portugal somos todos, não é menos certo que elegemos regularmente uns indivíduos que supostamente governam a casa. Governam a casa e as contas da casa – cortando ou investindo, emprestando ou cobrando, em principio de acordo com o “superior interesse da Nação”. Esses indivíduos são responsáveis pelas contas públicas - não sou eu, trabalhador a recibos verdes (que quando não trabalho, não recebo nem tenho 13º mês...), nem o desgraçado do padeiro ou do engenheiro informático. Eu cuido das minhas contas privadas, o melhor que sei (e sei pouco), e quando me descuido não há Banco Central Europeu que me ajude e salve.

Dizer-se que somos todos nós responsáveis pela má gestão e irresponsabilidade de uns tantos, é uma aldrabice política rasteira e uma tremenda injustiça. Como se não bastasse, enquanto os actuais ministros tentam vender-nos o peixe do “somos todos responsáveis”, os ex-ministros dos últimos 30 anos tornam-se subitamente comentadores encartados e vêm explicar como se resolve a caldeirada – a caldeirada que eles criaram e alimentaram, e pela qual nunca foram responsabilizados...

Agora que se discute pela Europa fora a possibilidade das Constituições dos estados-membros contemplarem um tecto para o endividamento publico, era bom que também considerassem a responsabilização, o julgamento e a condenação dos responsáveis políticos que arrastaram os países para a situação em que se encontram. Muitas fizeram-no para ganhar eleições, com a plena consciência de que enterravam a economia ou para manter aparências de boa governação. Não raras vezes foram deliberadamente negligentes, mentirosos e trapaceiros. E agora comentam, comentam, comentam, como se tivessem acabado de aterrar na terra e fossem “a caminho da missa”. Uma vergonha publica que todos pagamos como se nada fosse.

O circo está montado. Mas parece-me que há malabaristas a mais na arena.

26
Mai10

Coisas que me encanitam (III)

 

Divido as ruas de Lisboa por classes de doenças: há as ruas constipadas, engripadas, com pneumonia. E depois há as ruas terminais, as que não têm cura, as que me deixam à beira de um ataque de nervos, e que parecem ser sempre ignoradas pela diligente divisão de trânsito da PSP. A Avenida João Crisóstomo está nesta última categoria: é uma das insuportáveis artérias da capital.

O que me encanita na João Crisóstomo? Simples: o facto de ser uma rua sempre em “modo engarrafamento” não por ter um excesso de veículos em circulação, mas por ter um excesso de veículos... parados. Em segunda fila, em terceira fila, quatro piscas, desrespeito total por quem circula, egoísmo puro, “espera aí um bocadinho que é só cinco minutos”. Tira-me do sério. Mas o pior não é isso – o pior é que parte do engarrafamento permanente da Avenida João Crisóstomo resulta do estacionamento abusivo, em segunda fila, dos carros... de uma escola de condução! A Grancoop (a foto é manhosa, tirei-a com o telefone em andamento, sim, deve ser crime, venha lá a multa...), em vez de ensinar, começa logo por desensinar os seus alunos. Pois se eles aprendem a conduzir em carros sempre mal estacionados, a atravancar todo o trânsito, a desrespeitar os outros condutores, não se lhes pode pedir que sejam depois bons condutores, respeitadores e civilizados.

De passagem: nunca vi a polícia por ali, a pôr aquela gentinha na ordem, nem quando a Avenida sediava uma esquadra de polícia (entretanto desactivada)...

25
Mai10

Cláudia impressa

 

A edição de Junho da Vogue alemã parece um daqueles catálogos de exposição de arte. São 200 páginas dominadas pelas mesma “actriz”, em mil imagens e versões e personagens diferentes.

Sempre Cláudia Schiffer. À beira de voltar a ser mãe – entretanto, já foi... – Cláudia entrega-se à revista e deixa explorar a sua maior virtude: a capacidade de se desmultiplicar. Cláudia não é camaleónica – é versátil. Mais do que modelo, é actriz. Mais do que versátil, é múltipla de si própria.

O resultado é uma edição de luxo. Não consigo ler uma linha de alemão, mas chegam-me as imagens de Ellen Von Unwert, Karl Lagerfeld, Camila Akrans e Francesco Carrozzini - os fotógrafos estrelas desta edição.

Chegam-me para pensar que, enquanto houver fotógrafos assim e pessoas que se deixem fotografar desta maneira, dispenso que me falem de écrans e plasmas e tábuas – o papel é que manda. “É quem mais ordena”. O papel é que imprime. O papel é que sabe distinguir todos os tons do preto. Ou a profundidade de um olhar.

 

 

 

18
Mai10

Talvez o começo do fim do Facebook, tal como o entendo…

A uma mensagem que enviei para uma pessoa (via Facebook), tive esta resposta:

“Boa noite caro Pedro,
Este espaço não é gerido directamente pelo (…) mas sim pela equipa responsável pelo seu site oficial. Amanhã, sem falta comunicar-lhe-ei a sua mensagem. Contudo posso adiantar que… (bla bla bla…). Provavelmente será de tentar agendar outra oportunidade. Se pretender que coloque o (…) consigo, indique-me a melhor forma. Cumprimentos”

Não adianta dizer a quem pertence a página. Mas é a segunda vez que recebo uma resposta deste tipo. A graça e a força do Facebook era, até agora, a comunicação directa, espontânea, sincera, com aquele que assinava a sua página e era, até novas ordens, o próprio. Quando a coisa entra neste registo e se transforma em Páginas Amarelas, perde o sentido, a graça, e a própria lógica. Acima de tudo, perde credibilidade. Deixa de ser uma “rede social”, passa a ser uma "rede socioprofissional”.

Uma pena.

O que vale é que, a continuar esta tendência, alguém vai inventar outra rede onde as pessoas são as pessoas outra vez. Voltaremos a encontrar-nos todos.

É assim desde o tempo dos sinais de fumo. Não vai mudar agora.

17
Mai10

Surfar e mergulhar

Alguma imprensa norte-americana anda a publicar uma dupla-página comercial sobre o mundo das revistas e a Internet. O anuncio leva a fotografia de Michael Phelps (feita por Jim Fiscus), o que lhe garante visibilidade imediata, com a lógica que está subjacente à campanha: "We surf the Internet. We swim in magazines"...

Em si, o conceito é brilhante. Mas o melhor mesmo é o texto do anuncio, uma extraordinária peça de comunicação, criatividade e informação. Uma prova de que a publicidade pode ser bem mais do que vender - e o jornalismo bem mais do que informar. Leiam, por favor...

(E no fim vejam o video, que está relacionado e vale a pena...)

We surf the Internet.

We swim in magazines.

The Internet is exhilarating. Magazines are enveloping. The Internet grabs you. Magazines embrace you. The Internet is impulsive. Magazines are immersive. And both media are growing.

Barely noticed amidst the thunderous Internet clamor is the simple fact that magazine readership has risen over the past five years. Even in the age of Internet, even among the groups one would assume are most singularly hooked on digital media, the appeal of magazine is growing.

Think of it this way: during the 12-year life of Google, magazine readership actually increased 11 percent.

What it proves, once again, is that a new medium doesn’t necessarily displace an existing one. Just as movies didn’t kill radio. Just as TV didn’t kill movies. As established medium can continue to flourish so long as it continues to offer a unique experience. And, as reader loyalty anda growth demonstrate, magazines do.

Wich is why people aren’t giving up swimming, just because they also enjoy surfing.

 

 


13
Mai10

Mensagens que não ignoro em momento algum

Uma mensage, um pedido, um sinal. De uma pessoa muito próxima. Merece tudo:

"A minha prima foi internada ontem à noite para começar o tratamento que combate a aplasia medular. Ficará um mês em isolamento, porque não pode estar exposta ao exterior nem nada que venha de cá, uma vez que o organismo dela não tem defesas. Já se sabe que a irmã, a mais provável dadora, não é compatível nem existe ninguém no banco nacional de dadores que seja.

Neste momento só nos resta esperar que o tratamento resulte ou que exista alguém no banco internacional que seja compatível com ela.

Estou a tentar através de todos os meios divulgar os sites que explicam como as pessoas se podem esclarecer e informar, para que possamos ser cada vez mais. À semelhança do que já fiz com outras pessoas que tenho a sorte de conhecer, queria pedir-te se podias, da forma que quiseres e puderes, divulgar também. E se essas pessoas, mesmo não podendo ser dadoras, divulgarem também, talvez possamos ajudar mais alguém.

 

 

http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/informacoes+uteis/doacao+de+orgaos+e+transplantes/medulaossea.htm

http://www.chsul.pt/

 

Muito e muito obrigada"

Aqui está. Com amizade, com afecto.

12
Mai10

Pequena história banal

Costumo contar entre amigos uma história sobre comércio & turismo que vivi anos a fio na Zambujeira-do-Mar. Passava-se na padaria, onde chegava sempre em cima da hora de fecho para comprar o pão.

No Inverno, a padeira era esclarecedora:

- Já não tenho pão! Então, estamos no Inverno, isto tem pouca gente, faço pouco pão, vende-se todo...

No Verão, a padeira era esclarecedora:

- Já não tenho pão! Então, estamos no Verão, isto está cheio de gente, vendo o pão todo...

E assim vivia eu (quando me esquecia de “reservar pão”...), a penar os excessos do Verão e as faltas do Inverno. A padeira da Zambujeira-do-Mar nunca fez contas ao dinheiro que não ganhou, ou ao dinheiro que poupou. Para ela era simples: este é o meu negócio e é feito assim.

Julgava que a coisa era típica dos lugares menos desenvolvidos, menos formados e aptos para o negócio, menos ligados aos fluxos sazonais. Mas não.

No fim-de-semana do 25 de Abril, com sol em Lisboa e gente na rua, aterrei num espaço todo moderno, todo fashion, seguindo uma recomendação da crítica gastronómica sobre brunch na capital. O lugar chama-se “Cais do Chiado” e fica na Rua do Alecrim. Entrei pouco antes das 4 da tarde e perguntei pelo famoso brunch...

- Sabe lá, disse a simpática senhora que recebia, isto hoje foi uma enchente, olhe, acabou tudo, não temos nada para comer...

Já me tinha lembrado da padeira da Zambujeira quando, nos primeiros dias com sol e calor, fui aos Meninos do Rio e ouvi a empregado dizer que “não esperávamos tanta gente de um dia para o outro”... Agora, no sofisticado “Cais do Chiado”, confirmei a mais velha ideia sobre a urbanidade: é como nos outros sítios, mas com layout.

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Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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