Blog da Semana
Catedral da Luz
Já o tinha destacado aqui ao lado, mas ainda não tinha sido eleito aqui para o cantinho...
Uma boa frase
“Desta vez não há um lord Byron a defender a civilização helénica... A opinião publica europeia é bem mais fraca do que há dois séculos. Uma vergonha para tantos recursos humanos «well educated»”
José Medeiros Ferreira, Cortex Frontal
Mais comentários e ideias: pedro.roloduarte@sapo.pt
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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

 

De vez em quando venho aqui, como vou a outros lugares, descansar das minhas palavras. Canso-me de me ler como se me ouvisse. Às vezes quero meter férias de mim e partir para outro que não eu. Nada de grave: apenas 46 anos de convívio intenso com a mesmíssima figura e as “suas coisinhas”, como dizia um amigo dos meus pais.

Bom, este domingo, enquanto descansava das minhas palavras, passei pelo Nuno Júdice e gostei deste domingo dele (lá está: devolveu-me domingos que me fazem falta. Com sinos):

 

Aos domingos, quando os sinos tocam
de manhã, o que neles se toca é a manhã,
e todas as manhãs que nessa manhã
se juntam, com os dias da infância que
nunca mais acabavam, as casas da aldeia
de portas abertas para quem passava,
as ruas de terra batida onde as carroças
traziam as coisas do campo, os cães que
corriam atrás delas, uma crença no sol
que parecia ter expulso todas as nuvens
do céu, e a eternidade desses domingos
que ficaram na memória, com o ressoar
dos sinos pelos campos para que todos
soubessem que era domingo, e não havia
domingo sem os sinos tocarem a lembrar,
a cada badalada, que os domingos não
são eternos, e que é preciso viver cada
domingo como se fosse o primeiro, para
que o toque dos sinos não dobre por
quem não sabe que é domingo.



publicado por PRD às 01:21
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Sábado, 29 de Maio de 2010

 

Parte 1.

Entro numa loja Vodafone para obter uma informação sobre determinados serviço. Simpático e solícito, o funcionário esclarece que aquilo que pretendo não pode ser tratado no balcão, mas sim por telefone e depois encaminhado para onde me disserem. Dá-me um número: 16014200.

Parte 2.

Chego a casa, ligo para o número, atende-me um simpático funcionário a quem repito tudo o que já tinha dito na loja. Que sim, mas que não era ali, ou melhor, eu deveria ligar um outro número, de resto gratuito: 800910200.

Parte 3.

Ligo o número gratuito, espero cinco minutos que atendam, por fim um simpático funcionário ouve-me repetir pela terceira vez o mesmo pedido. Pede-me para esperar. Regressa à linha e diz: sim senhor, há com certeza informações sobre o que pretendo, mas neste caso a Vodafone entra em contacto comigo se eu fizer o favor de dar o meu número de telemóvel.

Explico que não vou dar numero algum de telefone, por razões longas de explicar mas que os leitores podem encontrar aqui. Explico também que, sem alternativa, vão perder um potencial cliente de um determinado serviço. Nada a fazer. Sem o meu contacto, nada feito.

Sem alternativa, desligo e esqueço o assunto.



publicado por PRD às 10:50
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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Neste circo que se montou a respeito da crise financeira e das medidas de austeridade, nunca se fala de responsabilidades.

Diz-se que é preciso cortar na despesa, diz-se que andámos 30 anos a assobiar para o lado e a gastar o que não tínhamos, mas não há responsáveis nomeados – somos todos, é o todo a que se chama Portugal.

Ora, sendo certo que Portugal somos todos, não é menos certo que elegemos regularmente uns indivíduos que supostamente governam a casa. Governam a casa e as contas da casa – cortando ou investindo, emprestando ou cobrando, em principio de acordo com o “superior interesse da Nação”. Esses indivíduos são responsáveis pelas contas públicas - não sou eu, trabalhador a recibos verdes (que quando não trabalho, não recebo nem tenho 13º mês...), nem o desgraçado do padeiro ou do engenheiro informático. Eu cuido das minhas contas privadas, o melhor que sei (e sei pouco), e quando me descuido não há Banco Central Europeu que me ajude e salve.

Dizer-se que somos todos nós responsáveis pela má gestão e irresponsabilidade de uns tantos, é uma aldrabice política rasteira e uma tremenda injustiça. Como se não bastasse, enquanto os actuais ministros tentam vender-nos o peixe do “somos todos responsáveis”, os ex-ministros dos últimos 30 anos tornam-se subitamente comentadores encartados e vêm explicar como se resolve a caldeirada – a caldeirada que eles criaram e alimentaram, e pela qual nunca foram responsabilizados...

Agora que se discute pela Europa fora a possibilidade das Constituições dos estados-membros contemplarem um tecto para o endividamento publico, era bom que também considerassem a responsabilização, o julgamento e a condenação dos responsáveis políticos que arrastaram os países para a situação em que se encontram. Muitas fizeram-no para ganhar eleições, com a plena consciência de que enterravam a economia ou para manter aparências de boa governação. Não raras vezes foram deliberadamente negligentes, mentirosos e trapaceiros. E agora comentam, comentam, comentam, como se tivessem acabado de aterrar na terra e fossem “a caminho da missa”. Uma vergonha publica que todos pagamos como se nada fosse.

O circo está montado. Mas parece-me que há malabaristas a mais na arena.



publicado por PRD às 11:50
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

 

Divido as ruas de Lisboa por classes de doenças: há as ruas constipadas, engripadas, com pneumonia. E depois há as ruas terminais, as que não têm cura, as que me deixam à beira de um ataque de nervos, e que parecem ser sempre ignoradas pela diligente divisão de trânsito da PSP. A Avenida João Crisóstomo está nesta última categoria: é uma das insuportáveis artérias da capital.

O que me encanita na João Crisóstomo? Simples: o facto de ser uma rua sempre em “modo engarrafamento” não por ter um excesso de veículos em circulação, mas por ter um excesso de veículos... parados. Em segunda fila, em terceira fila, quatro piscas, desrespeito total por quem circula, egoísmo puro, “espera aí um bocadinho que é só cinco minutos”. Tira-me do sério. Mas o pior não é isso – o pior é que parte do engarrafamento permanente da Avenida João Crisóstomo resulta do estacionamento abusivo, em segunda fila, dos carros... de uma escola de condução! A Grancoop (a foto é manhosa, tirei-a com o telefone em andamento, sim, deve ser crime, venha lá a multa...), em vez de ensinar, começa logo por desensinar os seus alunos. Pois se eles aprendem a conduzir em carros sempre mal estacionados, a atravancar todo o trânsito, a desrespeitar os outros condutores, não se lhes pode pedir que sejam depois bons condutores, respeitadores e civilizados.

De passagem: nunca vi a polícia por ali, a pôr aquela gentinha na ordem, nem quando a Avenida sediava uma esquadra de polícia (entretanto desactivada)...



publicado por PRD às 11:38
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Terça-feira, 25 de Maio de 2010

 

A edição de Junho da Vogue alemã parece um daqueles catálogos de exposição de arte. São 200 páginas dominadas pelas mesma “actriz”, em mil imagens e versões e personagens diferentes.

Sempre Cláudia Schiffer. À beira de voltar a ser mãe – entretanto, já foi... – Cláudia entrega-se à revista e deixa explorar a sua maior virtude: a capacidade de se desmultiplicar. Cláudia não é camaleónica – é versátil. Mais do que modelo, é actriz. Mais do que versátil, é múltipla de si própria.

O resultado é uma edição de luxo. Não consigo ler uma linha de alemão, mas chegam-me as imagens de Ellen Von Unwert, Karl Lagerfeld, Camila Akrans e Francesco Carrozzini - os fotógrafos estrelas desta edição.

Chegam-me para pensar que, enquanto houver fotógrafos assim e pessoas que se deixem fotografar desta maneira, dispenso que me falem de écrans e plasmas e tábuas – o papel é que manda. “É quem mais ordena”. O papel é que imprime. O papel é que sabe distinguir todos os tons do preto. Ou a profundidade de um olhar.

 

 

 



publicado por PRD às 09:02
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