Blog da Semana
Catedral da Luz
Já o tinha destacado aqui ao lado, mas ainda não tinha sido eleito aqui para o cantinho...
Uma boa frase
“Desta vez não há um lord Byron a defender a civilização helénica... A opinião publica europeia é bem mais fraca do que há dois séculos. Uma vergonha para tantos recursos humanos «well educated»”
José Medeiros Ferreira, Cortex Frontal
Mais comentários e ideias: pedro.roloduarte@sapo.pt
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Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Vou apressado para o carro estacionado no esventrado Parque Mayer. Faltam poucos minutos para o jogo de Portugal, está muito calor, e eu vou apressado para o carro que ficou de frente para o que resta do Teatro Variedades. Ou será o Capitólio? Há paredes entaipadas e obras a alimentar a pó o calor, lembro-me da galinha corada da Dona Mimi, e incomoda-me o calor do alcatrão, o calor do pó, o calor da degradação e da decadência.

Mas, num breve fotograma deste quadro miserável, o meu olhar é chamado para um cartaz que recorda um passado daquele lugar. E eu reconheço um nome, um apelido que é um nome que orgulha o nome que tenho.

A pressa deixou de ser apressada e o calor parece que abrandou. A ansiedade desapareceu, Portugal não precisava de mim para começar a jogar, nem eu dele.

Como se fosse um oásis no deserto de um dia, ali estava o meu pai a olhar para mim num cartaz. E eu a pensar assim: Pedro, aprende com os erros dele, deixa lá essa ansiedade e essa pressa. Portugal pode começar a jogar sem ti. E tu sem Portugal. E este encontro merece um sorriso, e a doce memória que persiste em aliviar as dores. Vês, Pedro, às vezes tu sabes como se faz.

E então parei, respirei fundo, sorri para ele, e tirei uma fotografia:

 

 

 



publicado por PRD às 09:45
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

Tenho lido diariamente as páginas centrais do Correio da Manhã (tem dias que não é nas centrais, mas anda sempre ali perto). Desde há semanas, aquela dupla-página reproduz integralmente as escutas telefónicas do caso PT/TVI. Metódica e organizadamente. Com os nomes, os casos, as sms, os telefonemas. Tudo preto no branco, sem comentários ou interpretações, apenas factos, reproduções de conversas que foram gravadas - e, portanto, não podem ser desmentidas -, numa soma de episódios que parecem mais italianos do que portugueses, e numa cronologia que não permite duvidar ou negar o que ocorreu. Só não vê quem não quer mesmo ver…

A vantagem deste serviço público do Correio da Manhã é que, liberto dos empecilhos habituais dos legalismos que tantas vezes têm impedido que se faça justiça, permite que cada leitor ajuíze, por si, sobre o que está em causa. Aquelas conversas ocorreram, aquelas sms’s foram trocadas. Podem os Tribunais e os Parlamentos fazerem-se de surdos “em nome da lei” e por obediência ao “regimento”, ao ”regulamento” ou ao tão amado “erro processual”, pode a esgrima dos advogados ser mais ou menos feliz sobre as armadilhas do legislador, mas nada disso apaga evidências e factos.

O que resulta da leitura diária do CM é radicalmente divergente do que sucede na praça pública. Trata-se de um insólito caso de inversão da prova: ainda que aquelas páginas nos demonstrem e provem um dos mais graves atentados à democracia e à liberdade de expressão de que tenho memória no pós-25 de Abril (ok, 1975 à parte…), e que se estende bem para lá da TVI e do casal Moniz/Moura Guedes, e estando o escândalo nas páginas do jornal diário de maior expansão, o que sucede é que a Comissão Parlamentar não consegue concluir nada, os mecanismos da justiça não conseguem e/ou não podem “ouvir”, e os procedimentos legais encarregam-se do resto. Os (outros) jornais também não lêem o Correio da Manhã. O Presidente da Republica persiste em não ler jornais. A “Europa” não conta para este insólito acontecimento.

Todas as escutas que exibem tristemente a verdade são, afinal, “nulas” e servem hoje apenas para que saibamos como o sistema está feito para que não funcione. Ou seja: encarregam-se de fazer com que o elefante que se passeia pela sala não seja afinal visto por alguém.

Se quisermos ir mais fundo, este caso mostra o que mudou dos tempos de “O Independente” aos dias de hoje – há 20 anos, este trabalho do Correio da Manhã já tinha feito cair o Governo, já tinha feito algumas pessoas mudarem de vida, e certamente recentrara o mundo político. Nos dias que correm, não apenas nada acontece como a maioria dos envolvidos continua a passear-se em cima do elefante que todos fazem de conta que não vêem.

Já tinha visto muita coisa nestes 46 anos de vida. Nunca tinha visto o visível tornar-se invisível mesmo estando à vista.



publicado por PRD às 11:57
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Domingo, 27 de Junho de 2010

 

Ao domingo, acordo a pensar que tenho de ir para outro lado.

Ao domingo, acordo e penso que, quase sempre, o lado para onde tenho de ir é o mesmo de onde vim ainda há bocado.

Ao domingo, ando de um lado para o outro sem sair do mesmo lugar.

Depois, quando consigo, passo a noite de domingo a sonhar com outros lados onde não estive, ou quero estar, ou sei que um dia vou estar.

Os domingos cansam-me.



publicado por PRD às 12:32
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Sei que Portugal joga hoje com o Brasil. Vou ver o jogo e torcer pelos nossos.

Mas tropecei nesta música, neste vídeo, nesta magistral realização. Neste jogo de luz e sombras, realizado num tempo em que o tempo televisivo era mais pausado e rigoroso. Num preto e branco iluminado pelo génio. E nas palavras:

“Para quem quer se soltar, invento o cais”.

Tenho saudades de Elisa Regina todos os dias. É raro o dia em que não oiço a sua voz.

Hoje, uma vez mais, e por mais razões, é ela quem quero ouvir. E por isso partilho.

Lembrando de passagem outra canção em que Elis repetia: "Vivendo e aprendendo a jogar"...

 



publicado por PRD às 10:20
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

 

Tenho recebido algumas reclamações por estarmos já em Junho e não haver sinal de "bracinhos"... Bom, o tempo não tem estado de feição para bracinhos, e o meu telefone actual é péssimo nessa função de fotografar com rapidez e eficácia (aliás, é péssimo em quase tudo, da net à duração da bateria, do software ao ecrã táctil nada prático, dos crashs consecutivos ao dinheirão que me leva de ligação à rede sem eu pedir... para que conste: é o Nokia N97, se puderem, fujam dele!). Mas agora que o Verão começou, tem de ser... Cá vão os primeiros bracinhos da temporada 2010, antes que mude de telefone e volte a ver a vida móvel como ela deve ser...

 



publicado por PRD às 12:01
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