






Por razões que não interessam nada, este blog vai estar em banho-maria alguns dias. Para não deixar afogar as ideias e as visitas, deixo aos leitores 3 testes de identificação. Hoje, este - e mais dois nos próximos dias...
A fotografia foi tirada em 1963 e o fotografado disse recentemente a uma revista norte-americana: "Quando me falam dos meus casamentos e divórcios, conto sempre o mesmo: uma vez perguntei a Stephen Hawking, um dos homens mais inteligentes do planeta, se havia algo no Universo que não entendesse. Ele respondeu-me: "as mulheres". Se nem ele as entende, como posso eu?!"
Podem deixar as respostas - quem é o cromo? - na caixa dos comentários. Daqui a uns dias eu confiro tudo...
Nunca - repito, nunca - estou de acordo com Daniel Oliveira. É uma questão de principio e higiene mental. Porém, há já um monte de horas que tropeço num post dele sempre que penso em Cavaco Silva. Porquê? Porque lamentavelmente ;-) estou totalmente de acordo com ele e por isso o cito:
"Que este homem (Cavaco Silva), que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos".
Felizmente há comentadores nas televisões que estão lá para explicar tudo o que nós, ignorantes básicos, não percebemos. Mas se acaso não estivessem sempre atrás da porta dos estudios, de gravata já posta, as luminárias do costume, eu diria que o Daniel Oliveira tinha toda a razão: Cavaco está sempre a sacudir o pó do armário onde se enfiou no dia em que foi fazer uma rodagem de um automóvel a Coimbra. E por que é que ninguém explica isto aos espectadores - ou, vá lá, ao próprio Cavaco Silva?
(Disclaimer: não voto, nunca votei, e nem sob a ameaça de arma votarei no Bloco de Esquerda. Ou em Cavaco Silva.)
(Crónica originalmente publicada na última edição da revista Lux Woman)
Não adianta fugir ao óbvio: em qualquer roda de conversa, em qualquer diálogo com mais de 3 frases, aparece a palavra “facebook” ou a expressão “redes sociais”. Está a mudar o paradigma da forma como nos comunicamos, envolvemos, desenvolvemos. E isso não é bom, nem é mau – é um facto. Incontornável como a invenção da roda.
Lembro-me do tempo imediatamente anterior ao telemóvel, quando andávamos todos de “bip” na mão. Não foi assim há tanto tempo. O “bip”, ou “pager”, era um aparelho do tamanho de um maço de cigarros que recebia mensagens escritas. O processo era simples: quem quisesse comunicar comigo, tinha o meu número de bip, ao ligar o número a partir de um telefone fixo aparecia-lhe uma operadora a quem ditava a mensagem. Segundos depois, eu recebia no meu aparelho. Não podia responder directamente, mas podia ir ao telefone mais próximo enviar um bip à pessoas que me contactava.
Hoje parece ridículo – na altura discutíamos entre amigos se “aquilo” não estava a acabar com a comunicação entre as pessoas (havia quem terminasse namoros enviando um bip...), e víamos o ridículo aparelho como uma revolução. E agora a conversa volta ao mesmo. Estamos a acabar com quê?
Com nada. Estamos a recomeçar tudo. A forma de comunicar, a hierarquia da comunicação, a rapidez da comunicação. Há pessoas com quem só falo ao telefone, como há pessoas com quem só comunico por sms. Há relações limitadas ao facebook e há relações que nunca irão passar por uma rede social. Vivemos o mais fascinante tempo de sempre: toda a gente pode comunicar, toda a gente pode ter acesso a informação. Melhor: toda a gente escolhe a sua forma de estar neste novo mundo. E em teoria toda a gente pode estar com toda a gente
Em teoria. Na prática – e esse é o deslumbre do tempo actual -, nada mudou. Um amigo de infância é sempre um amigo de infância, e não há facebook que o perca de vista. Da mesma maneira, um amigo perdido que se recupera numa rede social pode vir a ser o top one dos amigos, mas nunca deixará de ser o amigo que se recuperou numa rede social. Na nova lógica das relações e da comunicação, prevalece a antiga lógica, a eterna lógica: a dos sentimentos. Havia quem amasse por correspondência no tempo dos nossos avós? Agora pode amar-se por Messenger. Havia quem fosse “oferecido” ou “oferecida” no baile da aldeia ou na discoteca da moda? Agora há quem se “ofereça” pela net. Havia a tímida que baixava os olhos quando algum “gandulo” a mirava? Agora há quem esteja numa rede social sem fotografia nem nome próprio.
Nós somos na rede o que somos na vida real, mesmo que nos assustem com os malandros que aí andam. Claro que andam – são os mesmos que enchem as notícias de jornal de crimes de violação, exibicionismo, pedofilia. São os mesmos no mesmo pasto. Mas nós também somos os mesmos a proteger os nossos e a protegermo-nos a nós próprios.
Não deixou de haver solidão por haver milhares de pessoas ligadas numa rede. Não deixou de haver gargalhadas nem lágrimas, gritos e desesperos, não deixou de haver sonho e desilusão. Há novas maneiras de veicular emoções, de desabafar ou gritar – mas acima de tudo há democracia. Somos todos iguais na rede, e a cadeia de comando somos nós quem a escolhe.
Resta-me, no meio desta (ainda) confusa forma de olharmos o novo mundo, uma dúvida: se é verdade que o tempo faz parte da equação dos sentimentos, que papel tem ele numa existência em que tudo parece ser imediato? Até que ponto a rapidez altera a profundidade, impede que o tempo de reacção seja diferente do tempo real, como sempre foi?
Aqui, bom, o mais sábio conselho é clássico: deixemos que o tempo passe e nos ensine o que sobre ele terá a ensinar. Porque isto é apenas o começo...
Notícia lida aqui:
"Um homem detido quinta-feira em Macedo de Cavaleiros por violência doméstica e suspeito de ameaçar de morte a mulher com recurso a armas vai aguardar julgamento em liberdade e continuar a partilhar a residência com a vítima, divulgou ontem fonte policial.
O homem, de 45 anos, foi ontem ouvido em primeiro interrogatório no Tribunal de Macedo de Cavaleiros e saiu em liberdade mediante a obrigação de se apresentar de 15 em 15 dias no posto territorial da GNR. O tribunal proibiu-o ainda de "comprar ou ter em sua posse qualquer arma proibida, seja arma branca ou de fogo".
Se não fosse verdade, lá está, seria um bom guião de filme de terror...
(A notícia de um destes dias - e rezemos para que não ocorra - poderá dizer algo do género: o homicida já tinha sido sinalizado pelas autoridades mas bla-bla-bla...)
Nunca escondi que contribui, com o meu voto, para a primeira maioria de José Sócrates. Disse-o publicamente, como disse que tinha acreditado na renovação do PS que ele protagonizou. Mas depois foi o que se sabe que foi – e já não consegui voltar a votar no PS nas últimas eleições. Nem no PSD. Os ditos por não ditos dos últimos anos – últimos? De tantos anos passados... -, as negligências e incompetências, as mentiras e as patranhas, os tachos de toda a espécie criados e usados à fartazana, e o evidente interesse individual e partidário sempre espezinhando o interesse público, deixaram-me estranhamente perto da frase que sempre odiei: “eles são todos iguais”.
Passei anos a contestar o lugar-comum em que, subitamente, caio sem remédio nem alternativa: “eles são todos iguais”. Oiço Pedro Passos Coelho no “confronto” com o Governo e pergunto-me: por que raio vou confiar que este tipo será diferente do que lá está? Quem me diz que ele não é exactamente como foi José Sócrates: prometendo uma coisa e fazendo outra, escudando-se na “crise internacional” para alimentar demagogias e depois dar o dito por não dito, salvando a pele em eleitoralismos fáceis pagos mais tarde em “tsunamis fiscais”?
Durante muitos anos, acreditei em políticos, em alternativas. Não votei sempre nos mesmos partidos, porque entendi que a alternância era uma forma saudável de alimentar a democracia, mas votei sempre em políticos (e politicas) em quem depositei um módico de confiança. Infelizmente, o tempo demonstrou que a alternância não existe – é entre o nada e coisa nenhuma – e confiar é mais ou menos como acreditar no Pai Natal: um dia acordamos e nunca existiu.
No momento final da crise, que é este que vivemos, à beira do abismo, quando o argumento principal para o que tem de ser é “não há mais nada a fazer”, volto a fazer contas a estas dezenas de anos.
Faço colunas de prós e contras, tento aritméticas esquisitas de reformas e retrocessos, procuro “progressos” que contrariem recessões. Estranhamente, chego sempre ao mesmo número. E regresso à escola primária, quando a chave de uma conta bem feita dava isto: resto zero.
Resto zero é o que resta de tudo aquilo em que acreditei, de todos aqueles em quem confiei.