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Pedro Rolo Duarte

31
Jan11

E o passatempo passou...

 

Era esta a fotografia, e eram estas as perguntas:

 

Primeira: Quem são os dois cantores que se apresentam neste palco?

Segunda: Em que circunstância (isto é, espectáculo, evento, festa, festival, etc.) foram fotografados?

Terceira: em que ano tal fotografia foi tirada?

Acertou quem disse Jorge Palma e Fernando Girão, quem disse que estavam no Festival da Canção, e quem localizou o ano de 1975. Ou seja, está certa a Paula, que podem “conhecer” no seu blog – e que foi a primeira a acertar em cheio...

Paula, parabéns! E agora faça o favor de me mandar um mail aqui para o blog (pedro.roloduarte@sapo.pt) para lhe poder enviar o disco prometido...

29
Jan11

Passatempo de fim-de-semana de Inverno...

 

Às vezes dá-me para aqui, que fazer?

São três perguntas sobre a fotografia deste post...

Aceitam-se palpites e respostas para a caixa de comentários...

O primeiro/a que acertar nas três respostas ganha um CD que descobri ter em duplicado (e de que gosto muito, apesar de ter sido injustiçado pela critica e pelo publico): “A Nova Aurora”, da Madredeus.

Lá vão as perguntas:

 

Primeira: Quem são os dois cantores que se apresentam neste palco?

Segunda: Em que circunstância (isto é, espectáculo, evento, festa, festival, etc.) foram fotografados?

Terceira: em que ano tal fotografia foi tirada?


Para não deixar todos à nora dou algumas ajudas:

Uma. A canção que os dois “cromos” interpretam no momento da fotografia chama-se “O Pecado Capital”;

Duas. A imagem foi retirada de uma edição da revista Flama algures entre 1974 e 1977, e é assinada por Carlos Gil, de boa e doce memória;

Três. Ambos os cantores exercem, ainda hoje, actividade musical...

E agora é só acertar...

26
Jan11

A vida aos gritos

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman)

 

Sou muito sensível ao ruído. Sempre fui. Um aspirador no andar de cima consegue impedir-me de escrever, e aquele clássico aumento de som nos intervalos comerciais das televisões tira-me do sério. A vida nas cidades aniquilou qualquer espécie de sensibilidade em relação ao ruído: os automobilistas buzinam sem dó, ninguém repara no barulho insuportável que os empregados de café parecem ter gosto em fazer quando empilham chávenas e pires, não há prédio que se preze que não tenha um trolha a deitar uma parede abaixo. Não falando das ambulâncias do INEM sonhando que Lisboa é Nova Iorque. A cidade é, em si, um foco de ruído - e quem não lhe quer vestir a pele, é favor mudar para o campo…

Das várias vezes que tenho equacionado a hipótese de deixar de ser urbano, o ruído é responsável pela maioria. Porém, persisto em Lisboa – e acordo com o martelão de mais uma cozinha refeita de novo, e tenho o televisor no volume 1 para evitar a estridência da publicidade, e vivo de janelas fechadas porque os dias da avenida onde habito oscilam entre buzinas, autocarros, aviões e sirenes…

O ruído é seguramente um dos motivos pelos quais nunca, nem no tempo em que só recebíamos produções da Globo, vi telenovelas. Talvez minta: lembro-me de ter seguido espaçadamente o Dancing  Days, por causa do disco-sound, que coincidiu com o momento em que comecei a sair à noite. Mas não recordo sequer a trama. O que sei é que, boas ou más, portuguesas ou mexicanas, na TVI ou na SIC, não vejo telenovelas. Não é complexo nem preconceito – vejo coisas piores, como debates sobre futebol, e até espreito a Casa dos Segredos… -, mas tenho uma reacção epidérmica quando “sinto” uma novela no ar. Mudo de canal. Nesta rentrée, decidi perceber por que raio de fenómeno me repele aquele formato.

E descobri. Uma vez mais, é o ruído. O ruído e a energia. Nas novelas, qualquer que seja a sua origem, os personagens estão invariavelmente em uma de quatro situações: a chorar, aos gritos, aos beijos, ou às escondidas. Exceptuando os beijos – e mesmo esses, são quase sempre mal roubados… -, os restantes momentos implicam uma ou ambas as sensações: ruído, má energia.

Gritam e discutem como se não houvesse amanhã. Choram porque tudo lhes corre mal, mesmo quando aparentemente corre bem. Escondem porque mentem ou acham que lhes mentem. É tudo mau – mesmo que o final possa ser feliz. E é tudo incomodativo para ouvidos sensíveis e cansados. Tive a sorte, na minha vida familiar e pessoal, de raras vezes ter convivido com gritos e discussões fora do tom. Talvez por isso, cresci com a ideia de que isso era coisa exclusiva das novelas da Globo. Quando percebi que também as ficções portuguesas seguiam o mesmo caminho, aceitei que o problema, por fim, era meu. Na verdade, as famílias disfuncionais, as traições, as deslealdades, a gritaria, a mentira, o desentendimento, não são mais nem menos do que a vida real, e as novelas limitaram-se a reproduzi-la. Também por isso, foram bem sucedidas – e é um facto que, à minha volta, mais recentemente, esse círculo de ruído e violência apertou e cresceu.

Mas foi preciso ter passado a barreira dos 40 anos para perceber que, afinal, a razão pela qual as novelas são vistas por toda a gente é a mais simples de todas: elas são iguais à vida de toda a gente - e o que não é igual, é sonho do que possa vir a ser, ou medo daquilo em que se possa tornar. Com jeitinho, um dia destes estou sentado em frente ao televisor a vê-los ao gritos.

Com o som do televisor no volume mínimo. Posso suportar tudo – mas o ruído, o ruído vai continuar a ser objecto estranho. Não consigo viver aos gritos.

24
Jan11

O meu balanço eleitoral em quatro pontos

Um. O cromo destas eleições não foi José Manuel Coelho, um anti-sistema que canibalizou o voto em branco, mas Fernando Nobre. Tentou encaixar-se numa “candidatura da cidadania”, uma expressão mais oca do que um ovo kinder (...e sem surpresa lá dentro). Tentou a escola do eanismo, do PRD, do MEP, enfim, mais do mesmo: descobrir virtudes numa presumível independência como se a politica, em si, constituísse pecado original. Mas foi vítima da sua própria presunção: qual politico do costume, dois dias antes das eleições dizia “não é possível demover-me da minha intenção. Só há uma maneira: dêem-me um tiro na cabeça, porque sem tiro na cabeça eu vou para Belém”, acrescentando que era entre ele e Cavaco que se discutia a segunda volta - e ontem declarava que a sua candidatura era a única realmente vitoriosa. Ficar em terceiro lugar e declarar vitória é coisa que já nem os políticos profissionais fazem. Fernando Nobre veio a esta eleição lembrar-nos que quanto mais diferentes querem parecer, mais iguais acabam...

Dois. O partido a que desta vez pertenci, o do “voto em branco”, alcançou qualquer coisa como 4,5% dos votos (o dobro das ultimas eleições). Se lhe juntarmos 52,5% de abstenção, estamos perante uma confortável maioria absoluta. Ninguém quer pensar um bocadinho sobre isto? Vale a pena abrir o debate sobre o voto obrigatório? Acho que sim.

Três. Depois de ouvir os discursos, as declarações, os debates, os comentários, tenho saudades de Mário Soares, de Cunhal, de Sá Carneiro, gostava de ouvir Freitas, Adriano Moreira. Sou fiel a Marcelo, mas queria ouvir Vasco Pulido Valente. E Paulo Portas era tão melhor editorialista. Sabendo bem quão politicamente incorrecto é dizê-lo, cá fica: também tenho saudades de António Guterres.

Quatro. A reeleição de Cavaco vai trazer-nos a revelação: vamos finalmente saber quem é este homem. E do que é capaz.

23
Jan11

A fazer (II)

Não esquecer: votar.

Por mais infimo que nos pareça o valor de um voto, é a infinita cásima decimal que nos cabe no regime.

E se é isso que temos, é isso que devemos usar.

Ao final da tarde, as pessoas que se levam demasiado a sério vão "explicar-nos" o que fizemos, por que fizemos, e como fizemos. E todos os candidatos vão, de alguma forma, ganhar. É o que vale.

E tem uma vantagem: é o costume. A dada altura, já só peço que não me surpreendam...

22
Jan11

A fazer

Não esquecer hoje, dia de reflexão:

Um. Reflectir sobre a pobreza nível zero de uma campanha eleitoral que deu da Presidência da Republica a ideia mais triste de todas: a de um pedestal dourado onde se senta quem se julga de fora, estando dentro; quem se vê acima, estando na verdade abaixo; quem se julga livre, estando efectivamente preso.

Dois. Reflectir sobre o facto de, aqui chegado, não ter em quem votar, não ter vontade de votar, nem saber que voto serve o quê. O caminho do voto branco parece o mais óbvio, mas um voto absurdo num candidato impossível também é tentador.

Três. Reflectir sobre o momento político à luz da austeridade e da crise: até quando vamos continuar a fazer de conta que estes senhores que nos governam são inimputáveis? Até quando vamos aceitar pagar a despesa que não fizemos?

Quatro. Reflectir sobre o voto à luz da mesmíssima crise: ainda que a imperfeição da democracia a isso obrigue, será efectivamente justo pedir sacrifícios e pagamentos extras a quem não votou no centrão que pôs Portugal na bancarrota? Que sentido faz cobrar o preço da negligência, da incompetência e da lassidão a quem não apenas não votou como não alinhou?

Cinco. Por fim, reflectir sobre o caminho a seguir. Uma amiga minha comunicou oficialmente ao seu grupo de amigos que, estando farta de contribuir para o peditório dos governantes incompetentes, deixava de fazer trabalho a recibo verde e passava apenas a dar explicações pagas em dinheiro “vivo”. Conheço um casal que desistiu da cidade e vai tentar, no campo, viver no velhíssimo sistema da troca: produzem parte do que consomem, trocam o que resta pelo que lhes falta. Talvez freak e romântico em excesso, ainda assim plausível. Há sempre o caminho da emigração. Não sei...

 

... Uma coisa é certa: não se aplica a Portugal a ideia kennedyana do “não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta o que podes fazer pelo teu pais”. Esqueçamos isso. Já não temos país, pertencemos em dia incertos a uma Europa, nem idealismo que nos valha. A ideia agora é outra: tenho a certeza de que o meu país não vai fazer nada por mim, nem merece que eu faça algo por ele. Por isso me pergunto o que posso eu fazer por mim, sem incomodar o país nem ser por ele incomodado.

E para dia de reflexão, fico por aqui.

20
Jan11

Mais uma lição de vida (a que posso também chamar uma certa forma de maturidade) do meu grande amigo

 

"Nós somos os autores, através das escolhas que escolhemos fazer, das desilusões que nos esperam. Fazemos o nó e construímos o cadafalso (com a tónica em "falso") onde acabamos sempre por nos enforcarmos.

Fabricamos a nossa própria infelicidade. Armamo-nos em exigentes e orgulhamo-nos disso, por muito que isso nos custe: no prazer do qual abdicámos e nos sofrimento de que nos recusámos a fugir.

O segredo não é apenas não querer o que não é possível. É aceitar que já é bom poder aceitar o que é possível. É uma pessoa resignar-se a não ser surpreendida".

Miguel Esteves Cardoso no Público de hoje.

14
Jan11

Uma soma impossível

Cada vez mais pessoas querem ser minhas amigas no Facebook.

Cada vez mais, as mesmas pessoas são efectivamente as minhas amigas.

Cada vez mais, essas pessoas efectivamente minhas amigas são menos do que as pessoas minhas amigas no Facebook.

Diz-me o que resta do que aprendi nas aulas de Matemática: a soma das partes não é igual ao todo que conta.

Resto zero.

Se for rigoroso, tenho o mesmo número de amigos que tinha antes de terem inventado o Facebook.

Um dia destes decido se quero ser rigoroso, ou apenas contabilista.

10
Jan11

O país através da televisão (III)

Portugal está chocado com a morte macabra de Carlos Castro. E logo uma multidão de bem pensantes vem reclamar que as televisões exploram excessivamente o tema, que não há limites para o decoro, que vale tudo nos tempos que correm.

Confesso que me impressiona o desfasamento entre quem “pensa o país” e quem nele efectivamente vive. Dez minutos num computador a navegar pelas redes sociais, ou cinco minutos no café da esquina, dão para perceber que a morte do cronista social mexe com o país, mexe com as pessoas, é tema e é notícia.

Brando é o país que, apesar das circunstancias, decide não explorar o lado efectivamente subterrâneo e negro deste mundo social onde Carlos Castro se movia – e onde a troca de favores de toda a espécie é corriqueira, e a ideia de “cronista polémico” não passa de uma ameaça vaga, “ai, ai, se eu abro a boca”...

Conheci bem o Carlos Castro, de quem gostei e que respeitei pelo seu lado de lutador incansável por um lugar ao sol, e de trabalhador dedicado. A sua morte impressiona e comove. Mas sei que o meio onde o Carlos se movia vive desta rede escorregadia de promessas de sucesso, de contactos, de croquetes, de ofertas, de borlas, de “eu sei a pessoa certa para...”

... E também sei que ele nunca se libertou dessa teia - razão pela qual, na verdade, nunca afrontou quem quer que fosse e calou-se sempre mais do que falou. Morre com a glória de uma coroa que lhe estão agora a criar. E isso é triste, talvez até injusto. Mas seria ainda mais triste se os media não explorassem a sua morte. Porque, quer seja politicamente correcto dize-lo ou não, foi também disso que fez a sua vida.

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Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

Uma boa frase

“Se isto fosse no tempo do Sócrates, a esta hora o Trump já tinha em cima da mesa uma proposta da Mota-Engil para a construção do muro. Com financiamento do BES e projecto do Siza Vieira." Rui Rocha, Delito de Opinião

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