






Conta o Público de hoje, nesta noticia, que “o actual Governo de José Sócrates já criou 42 grupos de trabalho, 20 comissões, dois conselhos, dois grupos consultivos, uma coordenação nacional, um observatório e uma estrutura de missão desde que tomou posse no final de 2009. A pesquisa efectuada pelo PÚBLICO nos despachos publicados em Diário da República permitiu concluir que há grupos de trabalho que se sobrepõem a comissões, e comissões que se justapõem a outras e à actividade que deveria ser realizada por organismos e entidades já existentes na Administração Pública”.
Eu gostava de pertencer a um Grupo de Trabalho. Dos remunerados, claro, com senhas de presença ou coisa que o valha. Da lista de grupos e comissões existentes – eu escrevi existentes, que existem, não é humor... - que o jornal apresenta, já escolhi o meu top 5. Ei-lo:
1º Grupo de trabalho para apresentar um Plano Nacional de Promoção da Bicicleta e outros modos de transporte suave
2º Grupo de trabalho para transpor a directiva comunitária relativa à identificação e designação das infra-estruturas críticas europeias e à avaliação da necessidade de melhorar a sua protecção
3º Grupo de trabalho para reflectir sobre a certificação florestal
4º Grupo de trabalho para elaborar um relatório para definir claramente o conceito do "voto em mobilidade""
5º Grupo de trabalho para a coordenação técnica de implementação do novo regime de inventário das necessidades de aplicações informáticas na Justiça
É ainda impossível entrar na água. É ainda imprescindível um casaco. É ainda improvável o calção de banho.
Mas poder voltar a ter este ar nos pulmões, esta pureza, este sabor salgado no ar, e haver Sol, compensa a escuridão do Inverno.
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos, as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Uma boa ideia. De Maria Filomena Mónica, há alguns anos, na SIC-Mulher...
Estávamos a gravar o Hotel Babilónia deste sábado, o convidado era o António Manuel Ribeiro, eterno líder dos UHF, eterno lírico do rock nacional. Tenho com ele uma memória muito forte de um tempo em que, jornalista do semanário “Sete”, acompanhava o dia-a-dia dos UHF e o António me abriu as portas para o backstage da banda. Os UHF eram, naquela primeira metade dos anos 80, o super-grupo do rock nacional e tinham verdadeiras hordas de fãs que os seguiam para todo o lado. Protagonizaram a primeira transferência de editora com valores finaceiros que se vissem. Vendiam discos como pipocas em cinema. Eu estava lá e vi.
Depois veio o projecto “O Independente” e afastei-me do jornalismo musical – por isso, naturalmente, afastei-me também do convívio com muitos músicos, nomeadamente o António Manuel Ribeiro. Ele sabia que a musica dos UHF não era exactamente a minha praia, ainda que gostasse de algumas canções e tivesse uma enorme admiração pela dedicação, empenho e paixão do António. Ficou a memória e uma intimidade que se prolonga até aos dias de hoje.
Quando entrou no estúdio, o António abriu um saco e começou a tirar discos e livros que nos queria oferecer. Entre eles estava a edição em CD de “Noites Negras de Azul”, um disco de 1988, auto-produzido e depois editado pela Edisom, editora de que o meu irmão António Manuel foi sócio-fundador. De raspão, o António disse-me que esta reedição de 2008 tinha uma homenagem ao meu irmão, mas confesso que na confusão da pressa para gravar nem percebi bem o que ele queria dizer.
Mais tarde, em casa, abri o CD e no folheto interior li:
“Quero recordar aqui o António Manuel Rolo Duarte (A&R da Edisom), que em 1988 acreditou em mim, depois de ouvir «Na Tua Cama». Com ele partilhei momentos de grande profissionalismo: tinha um imenso sentido de humor, foi um criativo único no país da música. No dia em que entrámos para o Top de vendas, fomos até Almada celebrar e comer caracóis. À sua memória ergo a taça”.
Comovi-me, claro.
Muitos músicos e compositores portugueses, do rock à música popular, poderiam dizer exactamente o mesmo do meu irmão António Manuel. Talvez alguns deles tivessem até essa divida de gratidão. Mas foi o António Manuel Ribeiro que lhe fez justiça.
Ergo a taça, inesperadamente, a mão tremida. Nesta “noite negra de azul”.