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Pedro Rolo Duarte

09
Mar11

Sem máscara

Nunca gostei do Carnaval. Nunca gostei de máscaras nem de me mascarar. Quando era miúdo, para não ser o anormalzinho lá da escola, disfarçava-me de cowboy – porque era fácil, só isso.

A ideia de máscara assustava-me quando era pequeno e incomoda-me em adulto. Nada contra – mas nada comigo.

Curiosamente, o meu filho, que em tantas coisas se parece comigo, é mais descontraído nesta matéria e gosta de se mascarar, gosta de exibir na rua a sua fantasia, sempre bem feita, sempre perfeita. Pelo que vou percebendo, gosta de provocar reacções e de as ouvir. Até admito que há algo de solidário e voluntário no acto de se mascarar, dado que anda pelas ruas sem participar em concursos ou bailes – ele sente-se feliz por animar aqueles que vêem aquela máscara sempre tão bem feita, um trabalho em que se envolve directamente, e que comentam, tiram fotografias, abraçam, riem. Este ano andou por aí de pinguim, como se pode ver pela imagem anexa, uma fatiota perfeita que também servia de sauna...

Custa-me um bocadinho andar com ele na rua, porque fico meio sem jeito, e prefiro a discrição e o recato, como bem sabe quem me conhece – mas acabo por me render e sou sempre contagiado pelo gosto que ele tem na coisa. Lá fui, portanto, dar uma volta pela cidade, tirar fotografias, ouvir comentários, piadas, elogios.

Mas pensando nisto das máscaras e do Carnaval, confesso que a única máscara que não me importava de usar - só para ver se funcionava - era aquela que escondesse a indignação, a revolta, a frustração, enfim, tudo aquilo que faz de mim uma pessoa desanimada com o rumo que Portugal leva, com aquilo que fizeram com o nosso voto aqueles que tranquilamente falam em sacrifícios que eles próprios não fazem, com a profissão que escolhi e na qual tantas vezes não me consigo rever, com o estado a que chegaram os valores, as ideias, os princípios.

Claro que também queria uma máscara que me tirasse a barriga e os excessos entre o queixo e o pescoço, mais as olheiras.

É pedir demais, não é?

Mais vale continuar a não gostar de máscaras. E limitar o meu gosto ao contágio do gosto que o meu filho tem em fazer de conta que é um pinguim. Um pinguim com um metro e oitenta, neste caso...

07
Mar11

Politica externa, modo de ser

Sobre o Brasil, mas também sobre política internacional, quando quero perceber alguma coisa de raiz – tipo, “conta-me muito bem, e devagar, a história, como se eu tivesse dez anos” -, a brasileira “Veja” continua a ser a revista de referência. Na semana passada, um “Especial Médio Oriente” prometia essa clarificação. Confesso-me ignorante nestas matérias, confundo sunitas com xiitas e até a geografia local me baralha. Por mais que me informe, sinto sempre que me falta o quadro geral e as minudências essenciais.

Sou certamente um “homem comum”, como cantou Caetano Veloso, porque o editorial da “Veja” parecia escrito para mim: falando do “cenário cacofónico” criado pela Internet, sublinhava a relevância de uma revista que mostre semanalmente “a realidade de uma forma coerente, contextualizada e útil”. É exactamente o que responde ao que procuro – e com a leitura de um dossier de 17 páginas primorosamente escrito e editado, senti-me informado (sem que me tivessem chamado analfabeto, que também é relevante nestes casos...), esclarecido, e distante de excessos académicos.

Porém, e apesar desse sentimento de satisfação, foram escassas seis linhas daquela vasta matéria que me fizeram luz, e me deram a explicação que me faltava para, de uma vez por todas, perder a ingenuidade e entender o mundo tal e qual existe. Trata-se de uma citação simples e modesta de George Kennan, o diplomata americano que marcou o tempo da Guerra Fria e da bipolarização EUA/URSS. Escreveu ele:

“As sociedades não vivem para conduzir a sua política externa; seria mais exacto dizer que elas conduzem a sua política externa para viver”.

Dito isto, penso que não terei mais nada para dizer sobre o que se passa nestes dias por esse mundo fora, Portugal incluído.

05
Mar11

Se um blog é a nossa sala de estar...

... Então hoje convido o meu sócio João Gobern e juntos assinalamos aqui os dois anos do Hotel Babilónia, que a esta hora passa na Antena 1 e pode sempre ser ouvido via-net a partir do portal RTP. Quando começou, só sabíamos que ía ser um reencontro e um programa de rádio. Agora, já sabemos que é um pouco mais do que isso...

Para mim, têm sido as melhores duas horas semanais de trabalho dos ultimos dois anos -  e isso não diz tudo, mas diz muito.

Obrigado, João.

E usando o teu nome, sem pedir licença mas sabendo que a tenho, o nosso obrigado à Joana Jorge, à Paula Guimarães. E obviamente, porque os ultimos são na verdade os primeiros, obrigado à Antena 1, ao Rui (que teve a ideia de nos voltar a juntar...) e aos ouvintes da Antena 1.

Sábado lá estamos de novo...

 

PS - Os videos foram gravados pela equipa do blog do sitio RTP, que se lembrou de nós (e nos deixou tocados com o gesto...).

 

 

 

 

 

 

03
Mar11

20 anos

Andava à procura de qualquer coisa e encontrei esta edição da Capa (tenho sempre que lembrar: o logótipo era K, o nome era Capa...). Março de 1991. Olha que capa tão bonita da Capa! E lá dentro, que páginas...

E que nomes: Miguel Esteves Cardoso, Agustina, Hermínio Monteiro, Leonardo Ferraz de Carvalho, Pedro Ayres Magalhães, Rui Henriques Coimbra, Nuno Miguel Guedes, Carlos Quevedo, Alberto Castro Nunes, António Maria Braga. As fotografias da Inês. A guerra (do Iraque...) vista por Luís Miguel Castro, Manuel João Vieira, João Louro, António Cerveira Pinto, Francisco Rocha, Helena Almeida, José Fragateiro, Gerardo Burmester, Manuel San Payo.

Um luxo por apenas dois euros. O Miguel criou a frase de lançamento da revista: “Parece impossível!”. E parece mesmo. Mas não foi.

Só que foi há vinte anos.

Meu deus, já passaram vinte anos.

01
Mar11

Os deolindas

Nem "geração à rasca" nem "precária", nem "geração quinhentoseurosta". Nada disso. O melhor nome foi o que lhes deu João Miranda, no Blasfémias (e a graça resulta justamente de estar escrito no plural): os deolindas.

Eles são os deolindas.

Por mim, está adjudicado. Com humor, que é coisa que não nos pode faltar nunca. E menos ainda aos deolindas, que são novos...

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Blog da semana

Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

Uma boa frase

Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

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