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Pedro Rolo Duarte

03
Jun11

“Adultos podem lamber a tampa do iogurte”, diz ele

Entremos já em reflexão e deixemos a política para domingo. “Calhou que” tive oportunidade de ler a crónica desta semana de Arnaldo Jabor, um dos meus cronistas favoritos, que é publicada em vários jornais do Brasil. Tocou-me a edição do Correio Popular de Campinas – há pessoas que gostam de mim e me trazem jornais de sítios improváveis... -, e a crónica é um delicioso manifesto sobre o confronto entre presente e passado a partir da frase de um filho de um amigo de Jabor: “Pai, você sabe tudo o que já aconteceu, mas não sabe nada do que está acontecendo”. Este encontro imediato entre a globalização do dia de hoje e a ideia de cultura como conhecimento adquirido é depois desenvolvido em toda a crónica, que tem um titulo ajustado: “O ataque do vírus da irrelevância”.

Quis partilhar, claro – lá está, aparente sinal de modernidade que, afinal, vem do passado mais remoto, do tempo em que os animais falavam. Porém, a crónica não está ainda disponível e aconteceu-me o que é recorrente quando procuro alguma coisa na rede: perdi-me com mil e um outros links que levam a Jabor, ao que ele escreveu, a ele, aos amigos dele... E de repente tropecei noutra crónica e foi assim, como quando não há pão de leite e vai croissant. Fica esta.

Titulo: “Seja um Idiota”...

Texto: “A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor ideia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.
Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!”

02
Jun11

Ainda sobre o voto, e para terminar...

Quando escrevi um post sobre o meu voto – procurando manter uma atitude, enquanto jornalista, que tem sido pouco usual em Portugal – não imaginei que ele entraria em poucos dias para o “top five” dos mais comentados no blog. Exceptuando um ou dois apontamentos (que não deixei entrar cá em casa por serem manifestamente ofensivos), as opiniões que desfilam por esse post abaixo são contributos para um debate sobre o momento que vivemos e as opções que se nos colocam pela frente. Mesmo quando manifestam de forma assertiva a sua discordância, gosto de ler os comentários – nunca pretendi ser unânime nem ando à “cata” de votos...

Dado que entendo o voto, nos tempos que vivemos, como algo instrumental - e não pura nem essencialmente ideológico -, posso perceber a estranheza da minha “declaração” naqueles que sintetizam o dever cívico numa opção de raiz. Mas não sigo esse caminho. Eu voto para atingir um objectivo, que neste caso são vários: obrigar o Partido Socialista, na oposição, a refundar-se e reestruturar-se, aproximando-se da sua origem a afastando-se do clientelismo do tempo Sócrates; garantir que o PSD não tem uma maioria folgada que lhe permita ser o “PS-que-se-segue”; e viabilizar Portugal num momento delicado, numa aliança em que o CDS funcionará como trinco de uma coligação. É portanto um voto cirúrgico – ainda que sustentado na convicção de que a cabeça de lista por Lisboa, Teresa Caeiro, será uma excelente deputada, facto que de resto já provou, e que a sua presença no parlamento será tanto mais relevante quando maior for a representação do seu partido.

Dito isto, espero ter respondido aos que se indignam com o voto à direita de um homem de esquerda, e tenho a certeza de não ter deixado duvidas aos que, à direita, pensam ter conquistado um voto. Nada disso. É apenas o efeito da vacina: dá-lhe agora para ter imunidade mais à frente...

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