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Pedro Rolo Duarte

16
Out11

Toda a gente faz anos em Outubro

O meu pai faria hoje, dia 16. O meu filho faz na terça, dia 18. A minha irmã Fátima fez a 13. A minha (grande, enorme) amiga Cila fez ontem, dia 15. O meu (grande, enorme) amigo Manel fez também no dia 13, e este ano foram 50, número redondo...

Mais gente de quem gosto muito “calha” neste mês: a Filipa Pinto Cardoso, o Nuno Miguel Guedes, a Fátima Pereira, a Isabel Jorge de Carvalho, a Sónia Marques, o Elvis, a Anabela Mota Ribeiro, a João Calado...

Para lá dos signos – Balança, na esmagadora maioria dos casos – o que me fica é o mês de Janeiro. Ano novo, frio, quentinho do edredon, e a coisa dá-se. Depois nascem todos em Outubro. Parece-me bem, e eu próprio terei sido sensível a essa conjugação de factores.

... Já os meus pais, quando me produziram, estava calor que fervia, era Agosto. Deve ser por isso que eu tenho o sangue quente.

Domingo serve para este tipo de pensamentos, tolices sem nexo, mas também sem consequências.

Há um facto incontornável: tem havido festa. E vai continuar.

15
Out11

Traduções livres (I)

É frequente ler matérias na imprensa e perceber o que está por detrás de opiniões, ideias, às vezes até noticias. Apetece traduzir? Apetece.

Um exemplo. No Correio da Manhã de ontem, numa notícia sobre a nova composição da Entidade Reguladora da Comunicação – efectivamente polémica na indicação prévia de um Presidente que supostamente seria escolhido de outra forma (se eu fosse o Carlos Magno, saltava já fora daquele barco, mas enfim, cada um sabe de si…) – é ouvido o putativo crítico de televisão Eduardo Cintra Torres. E depois de chamar “crime perfeito” à escolha de Magno, remata: “Sou completamente contra este processo de escolha. O que temos é um organismo que não é definido pelas qualidades das pessoas, mas pela filiação partidária”.

Tradução das palavras de Eduardo Cintra Torres: “eu quero ser o Presidente da ERC, ou quero pelo menos ser da ERC, e irrita-me esta coisa do bloco central nunca mais me escolher, o tempo a passar e eu aqui a escrever o Olho Vivo. Consegui tornar-me crítico do Público, e sabe deus com que dificuldade, consegui tornar-me professor universitário, já consigo compor umas frases inteiramente minhas por entre citações de gurus, e nunca mais me atribuem o grau publico de Sebastião da Lima Rego do século XXI. Que chatice”.

14
Out11

Em crise (mas ainda a fazer de conta que o Governo não matou à traição o que restava da classe média)

(Crónica originalmente publicada na Lux Woman, há já dois meses, sobre tema aqui vagamente abordado... Ainda não sabia que o Governo pretendia asfixiar de vez a classe média. Trata-se certamente de uma medida pensada e inteligente, e caso haja duvidas, todo eu sou ironia, para não dizer lágrimas...)

 

Ora bem, vou também dar um contributo para a crise. É a palavra de ordem, a desculpa, a culpada, a substituta do atraso, do “agora não posso”, do “ligo-te para a semana”. Até nisso poupamos, são apenas cinco letras e está tudo explicado: crise. Devemos ser solidários, amigos, braço dado. Devemos fazer de conta que não percebemos que a crise, esta crise, tem menos a ver connosco, comuns trabalhadores e cidadãos, e mais a ver com “eles”, maus governantes, empresários ambiciosos e com poucos escrúpulos, especuladores que vivem do negócio do dinheiro disfarçados de “agências de rating”. Mas isso, diria um amigo, “são outros quinhentos”.

Para o caso, interessa que temos menos dinheiro e queremos ser felizes na mesma. É fácil desenhar o manual da poupança caseira, ou atirarmo-nos à máquina de calcular para ver onde se corta, mas confesso que me parece pouco estimulante – até porque, se formos rigorosos, podemos cortar tudo, excepto a alimentação, a saúde, a educação. O tecto, no limite, mesmo que arrendado...

No meu caso, procuro ser imaginativo e, entre outras medidas, parte da solução – ou do “esforço de crise”... - custou-me 25 euros. O preço aproximado do livro “The Flavour Thesaurus”, de Niki Segnit, autora de uma coluna sobre combinações de alimentos no jornal britânico The Times, e uma especialista de gastronomia (que até descobriu a sua vocação há poucos anos – ou seja, uma mulher que nasceu já na crise...). Ainda não está traduzido em português, mas tenhamos esperança.

Niki passou os últimos anos a estudar combinações de sabores e produtos, e o resultado desse estudo é um livro onde se responde às perguntas mais (ou menos...) óbvias: o bacon e o chocolate combinam? A avelã fica bem com a banana? E que tal ovos e caviar, como Sinatra e Ava Gardner terão demonstrado em filme clássico? Café e cardamomo têm algo em comum? E se for canela com figos? Quais são as ervas aromáticas mais adequadas ao peixe? A laranja e o açafrão são primos?

Organizado como um dicionário, o livro é um manual de economia caseira para quem gosta de cozinhar e arriscar, sem com isso criar desperdício. Evita o tortuoso caminho que vai da ideia ao prato, deixando para o cozinheiro apenas o que interessa: faz sentido? Já se fez? É bem combinado, é mal combinado? Vamos em frente.

Sei que esta ideia “contra a crise” contraria outra, bem mais interessante, que alimenta os optimistas: em tempos difíceis abrem-se espaços para as novas oportunidades, tudo se pode experimentar e viver. Com certeza que sim.

Mas quando se chega à cozinha, nos confrontamos com as compras feitas no supermercado, e pensamos naqueles a quem fazem falta os produtos que, apesar de tudo, podemos adquirir, há qualquer coisa de irracional que nos conduz a esta poupança. Não estragar. Não “deitar fora”, que é expressão de um tempo que acabou, porque já não há “fora”, há caixotes de lixo separado e com cores diferenciadas... Adiamos o tempo da experimentação e, com o auxílio deste precioso dicionário, podemos continuar a inovar na cozinha sem o peso-pesado do desperdício.

Além disso, podemos sempre sonhar com o dia em que possamos misturar ovos e caviar, porque esse será o dia em que teremos dinheiro para tão desmedida loucura.

Se gostamos de inovar e arriscar – eu gosto... -, vale a pena os 25 euros de um livro. Explica-nos a lógica da combinação de sabores e até nos conta histórias de um passado já experimentado. Deixa-nos um nadinha mais tranquilos. Porque a verdade é só uma: estamos todos no mesmo barco. E o barco parece persistir na ideia de ir ao fundo.

11
Out11

Sobre o dinheiro, ou a falta dele

Estava no meu “café da manhã”, que é como quem diz, estava na crónica do Miguel Esteves Cardoso no Público. Li assim:

“O dinheiro não compra a felicidade, mas alivia a infelicidade. O dinheiro não compra a felicidade, mas torna a infelicidade mais pura, livrando-a das distracções desconfortáveis, provocadas pela falta de dinheiro, que concorrem com ela, disputando prioridades.

A felicidade está para o dinheiro como o riso para o meio de transporte. Há uma relação – mas estão apenas vagamente relacionados. Dito de outra maneira, é mais fácil estar-se triste quando não se tem dinheiro. A frase propagandística tem de ter alguma verdade para funcionar. Sim, o dinheiro não compra a felicidade – mas isso é uma frouxa máxima para quem tem dinheiro e, por causa disso, pensa que pode ser feliz”.

O Miguel tem razão, como de costume.

... E lembrei-me de imediato de uma frase que fixei há anos – há tão pouca coisa que eu fixe.. – e que felizmente a Internet me permite citar, porque lhe descobriu a autoria (Paul Laffitte): “Um idiota pobre é um idiota, um idiota rico é um rico”. No fundo é isto.

10
Out11

A democracia é como um relógio suíço

A democracia nunca falha. A hora que dá é a hora que é no lugar onde está. Acerta sempre – e o que dela resulta é o que a democracia é, onde se diz que está.

Há um ano, na Islândia, a democracia, num país civilizado, culto e politicamente instruído, levou o seu ex-primeiro-ministro Geir Haarde a tribunal para responder à acusação de negligência no colapso do sistema financeiro do país em 2008 e ao falhanço dos mecanismos para evitar a crise e gerir as suas consequências.

Ontem, na Madeira, a democracia, num país pouco civilizado, inculto e sem qualquer nível de instrução politica, renovou a maioria absoluta de um homem que tem uma ilha economicamente a naufragar e se prepara para afundar o que dela resta.

Impávidos e serenos, os seus pares no continente assistem a tudo isto sem piar.

No pior e no melhor, a democracia é assim mesmo e não falha: dá todas as oportunidades para que o povo, soberano e em maioria, se manifeste. Quando os governos contribuem para que o povo julgue com consistência e saber, em consciência e com cultura politica, estamos na Islândia. Quando os governos fazem tudo para que o povo vote em slogans, demagogia, inaugurações e betão, e garante o sossego da ignorância com um voto tranquilo e seguro, estamos em Portugal.

Alberto João Jardim não é diferente da esmagadora maioria da classe política que governa o continente desde 1974. Cultivam todos a ignorância, apostam tudo na demagogia, e vivem na expectativa de vencer o desconhecido.

Jardim dá nas vistas, tem mais lata, e diverte-se com a sua forma de exercer a governação - o que acaba por o distinguir dos seus pares. Mas isso seria um pormenor, não se desse o caso de esconder uma tragédia. Lá está: votaram nele. Espero que o aturem. Especialmente, espero que desta vez os madeirenses “aturem” também o custo financeiro da lata habitual de Alberto João Jardim.

09
Out11

Sobre a rádio (ou mais do que isso)

 

Às vezes perguntam a quem faz rádio sobre a magia da rádio (ou o "bichinho", que vem a dar no mesmo).

Quem a sente, não sabe responder.

Quem não a sente, fala sobre ela.

O que daqui resulta é simples: a magia da rádio existe. É mais imaginação do que facto, mais coração que razão. Mas fica connosco para sempre.

Quando voltei à rádio, em 2006, estava há dez anos em doca seca. Agora, que estou há cinco “de volta”, nem sei como aguentei os outros dez. Ou sei. Mas não muda nada: estava tudo como estava. Foi só voltar a abrir o microfone. Quem sente e sabe a magia da rádio, sabe o que isto é.

(Acho que ainda um dia vou escrever um post assim sobre jornais e revistas.)

Blog da semana

Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

Uma boa frase

Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

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