






Há dias em que a preguiça é quem mais ordena.
Deixo os links. Quem quiser que os siga. Quem os seguir vai perceber os chamados "pequenos nadas" que (também) nos conduziram ao estado em que estamos:
- "NAER investiu mais de 40 milhões a estudar construção do aeroporto na Ota"
- "Estado gastou mil milhões de euros com 14 empresas públicas"
- "RAVE gastou 14,6 milhões de euros com TGV em quatro anos"
- O buraco dos estádios de futebol em Portugal
Este sábado foi um dia simpático:
O Hotel Babilónia esteve bem ao lado do fado sem ser redundante.
O Benfica ganhou.
Aprendi a fazer sushi.
O meu filho teve uma boa notícia do seu processo de “internacionalização”.
Não fosse a leitura dos jornais, e tinha sido um belo dia com sol de inverno e tudo, como eu gosto...
Sei que ter sido honrado com uma presença de muitas horas na homepage do Sapo com o post anterior não apenas elevou a audiência do blog a números incomuns como resultou no segundo maior numero de comentários a um único post desde que o blog existe.
Um grande momento!
Mas, para mim, o melhor desse momento foi ter assistido, na caixa de comentários, a um debate de ideias civilizado sobre a situação do país e a greve geral em particular. Só fui forçado a rejeitar um comentário por ser ofensivo e mesmo ordinário.
Normalmente, não comento os comentários. Tenho no “livro de estilo” aqui do blog que só em casos excepcionais – correcção factual de um erro, equivoco demasiado exposto, etc... – eu escrevo “em cima” do que os leitores escrevem.
Abro essa excepção hoje apenas para dizer que, ao contrário do que sugerem alguns comentadores, eu não sou “contra” a greve geral. Como podia ser? Sou um democrata, respeito todas as opiniões, acho que a greve é um direito inalienável, seja parcial, seja geral, acho absurdo que se argumente com a crise económica para criticar a greve, enfim, que fique claro: eu respeito a legitimidade da greve e não ponho em causa a de ontem nem nenhuma outra.
Isso não significa que pessoalmente adira à greve ou que entenda que ela tenha algum efeito.
Não aderi, pelas razões expostas – e, entre nós, sinceramente, porque acho uma forma de luta ultrapassada e com poucos ou nenhuns resultados práticos. Mas (lá está...), também não tenho forma de luta (e/ou pressão) alternativa para sugerir, e não tenho a violência como saída para qualquer crise... Assim sendo, mantenhamos a greve como única forma de manifestar revolta e oposição à governação. Tudo bem. Uns alinham, outros não – é a boa da liberdade...
Sejamos, porém, meridianos: não consta que haja um responsável político, um gestor, um governante ou ex-governante, um deputado, um só que seja, que tenha sido prejudicado pela greve de ontem. No final do mês receberão todos os mesmos salários, as suas empresas funcionam como se nada fosse, e o Governo continua legitimamente em funções, eleito que foi com maioria absoluta há menos de meio-ano. A crise está como estava e as medidas de austeridade são as mesmas.
Qual foi então o efeito prático da greve?
O que é que mudou?
Que portas abriu?
Estou aqui e não vejo nada. Se alguém vir, por favor ilumine-me...
A educação dos meus pais, dos meus melhores professores, e até uma breve passagem pela juventude comunista na adolescência, ensinaram-me que a critica presume a alternativa. O “não porque não” pertence à infância.
Se entendo que algo é condenável, criticável, ou constitui uma medida que vai contra o que acho razoável e justo, tenho o dever (não é uma obrigação, claro, embora eu a sinta como tal...) de ter alternativas e soluções melhores.
É a velha história do tipo que entra no gabinete do chefe e diz:
- Chefe, temos um problema!
- E tem solução para ele?
- Não, chefe.
- Então você faz parte do problema.
Ora bem. Eu não tenho solução melhor para o momento que vivemos do que a maioria das respostas que o Governo lhe está a dar. Não é uma questão de estar de acordo ou de “desejar” – é um problema de falta efectiva de alternativa.
Que me custa? Custa.
Que vivo do meu trabalho e vivo hoje pior do que há cinco anos? Vivo.
Que gostava de ver julgados e penalizados aqueles que nos aldrabaram ao longo de anos e anos, conduzindo-nos direitinhos ao abismo? Gostava.
Mas que não vejo outro caminho, salvo em aspectos pontuais aqui e ali menos bem cuidados? É isso, não vejo.
É por isso que não participo na Greve Geral. Só participaria se pudesse dizer: o que está a ser feito é mau, mas olhem que eu tenho aqui muito melhor.
Não tenho. Não vejo quem tenha. Infelizmente.