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Pedro Rolo Duarte

11
Abr12

A Maternidade Alfredo da Costa

Confesso: as questões financeiras, económicas, de racionalização de recursos, são as que menos me interessam neste caso. Se esse fosse o único critério para a gestão da coisa pública, os Museus fechavam, as escolas fechavam, acho que o próprio Governo fechava.

Na iconografia e na simbologia de um país, há instituições que devem estar acima da fúria de negócio do poder. A Maternidade Alfredo da Costa é seguramente uma delas.

Se me dissessem que a fechavam para fazer dela um Museu, custava mas aceitava. Se me dissessem que ia ser transformada num pólo da Faculdade de Medicina, libertando espaço em Santa Maria ou no Pulido Valente, bem necessário, achava razoável e compreendia a racionalização de recursos humanos.

Agora, esta forma atabalhoada de olhar aquele edifício, aquele espaço no centro de Lisboa, e pensar no que dali pode vir, é um atentado à memória, à História, e um potencial roubo ao património que é de todos.

Devia haver uma forma de classificar os edifícios também do ponto de vista funcional e até politico.

09
Abr12

A crise é lixada...

 

... E afecta tudo: o sexo, a medicina, a fidelidade, os valores, e até a criatividade da imprensa...

 

 

... Estamos em Abril e já é esta rebaldaria, normalmente reservada às capas de Verão...

Ora, assim sendo, da mesma forma que chovendo em Novembro temos Natal em Dezembro, e com o clima enlouquecido, preparem-se para os próximos dossiers da imprensa:

 

- Como emagrecer a tempo da praia.

- As novas dietas.

- As dietas sem dieta.

- As praias secretas (apesar de toda a gente as conhecer já). De Portugal.

- Tudo sobre o Euro-2012

- Os paraísos ainda por inventar no Algarve

- Os melhores restaurante de praia com preços abaixo dos preços da reportagem do ano passado.

- Onde os famosos poupam nas férias, pagos por uma marca qualquer.

- A Costa Alentejana como nunca a viu, apesar de todos os anos a mostrarmos.

- Férias low-cost em tempo de crise (parte XXIII)

 

... E talvez ainda: Sexo no Verão - como fazê-lo enquanto faz dieta, vê Ronaldo a jogar sozinho, sofre austeridade e vive em crise.

A crise é lixada - mas o jornalismo, felizmente, não perdoa. Haja imaginação, criatividade e, lá está, ousadia.

 

07
Abr12

Para este fim-de-semana, é o que temos

Encontrei este video - e este tema, que não conhecia... - no blog que está em destaque esta semana. São bons encontros, melhores cruzamentos e ideias que podem marcar os dias:

 

"Tás a ver a linha do horizonte?
A levitar, a evitar que o céu se desmonte
Foi seguindo essa linha que notei que o mar
Na verdade é uma ponte
Atravessei e fui a outros litorais
E no começo eu reparei nas diferenças
Mas com o tempo eu percebi
E cada vez percebo mais
Como as vidas são iguais"

 

05
Abr12

Na ardósia

Uma vez elogiei um blog onde uma “estranha pessoa esta” – era assim que assinava - andava pela rua com uma máquina fotográfica, uma ardósia e um pedaço de giz, a fazer perguntas a quem passava, e a fotografar depois as respostas escritas no quadro negro.

Por causa disso, a “estranha pessoa  esta”, na verdade Filipa, quis que eu também lhe respondesse a uma pergunta. Lá nos encontrámos no Chiado e a pergunta foi “O que é a vida?”.

Vi hoje a fotografia com a resposta. E gostei do que vi.

 

04
Abr12

Pode parecer declaração de parte interessada, mas não é. E dá-me igual que pensem que é.

Entendo o futebol como entendo a música ou o cinema, a literatura ou a culinária: todos temos os nossos gostos, as nossas preferências, e isso não faz de nós piores pessoas. Pelo contrário: faz de nós pessoas - logo, melhores pessoas.

Quem comenta, critica, analisa, estas artes e actividades, não deixa de ter preferências pelo facto de comentar. Lembro-me sempre do meu pai, que muitas vezes me dizia que só valia a pena dizer mal do restaurante que nos desilude por ter obrigação de ser bom, não daquele que sempre foi mau. Ou seja, merece bola preta aquele de quem esperamos cinco estrelas e não nos convenceu.

Neste quadro, não consigo perceber a polémica que envolveu o meu amigo, “sócio” e compadre João Gobern – e o consequente afastamento do programa Zona Mista, na RTP-I. O facto de ser benfiquista nunca fez dele um comentador menos rigoroso (até já ouvi acusações de que era excessivamente exigente para com o Benfica...), e não conheço um só amante de futebol que não vibre com as vitórias do seu clube. É o mínimo. É o âmago da coisa.

Entender o futebol como ciência e tratá-lo como assunto político – em que cada clube é um partido – é absurdo, estapafúrdio, e paradoxal com o próprio futebol, na essência uma actividade lúdica e que naturalmente legitima paixões. Não perceber isto é levar a vida demasiado a sério – “não bom”, como gosto de dizer...

Como se não bastasse, o caso serviu para alimentar a gritaria sobre o serviço público de televisão. Já percebi que agora é mesmo assim: qualquer coisinha que ocorre nos canais estatais de comunicação e aqui-del-rei que é o serviço publico e o povo a pagar e o catatau. Fica escrito: os mesmo que agora reclamam ainda vão ter muitas saudades do tempo em que havia dois canais de serviço publico de televisão. Como vão ter saudades da inteligência, do saber e do falar português (tão cada vez mais raro...) que o João levou à Zona Mista.

03
Abr12

Brincar com coisas sérias

Quem anda pelo twitter – eu passo por lá, por razões profissionais, mas não brinco com os outros meninos -, divertiu-se ontem (ou levou a sério, nos casos mais absurdos) com um pretenso golpe de estado que estaria a ocorrer em Portugal. Li twitts sobre tanques em Benfica, tiroteios no Porto, e até mulheres nuas a manifestarem-se na baixa lisboeta. Um fartote.

O pior foi ver que, por essa Europa fora, há quem ache possível um ridículo golpe de estado em Portugal. O ainda pior foi ver como o twitter é realmente pouco credível num momento de duvida. Porque, no momento da dúvida, os ignorantes acreditam, os militantes duvidam, e os informados gozam.

Não há rede social que mude a realidade. Somos ali o que somos aqui. No melhor...

... Ou no pior, que é viver pela vida dos outros, dizendo mal, dizendo mal, dizendo mal. E fazendo nada. Apetece-me recriar o apelo de J. F. Kennedy: “Não perguntes o que o país pode fazer por ti (enquanto dizes mal dele e dos que nele ainda fazem qualquer coisa); pergunta-te o que podes fazer pelo país (de forma a teres maiores razões para o elogiares e menos frustrações na tua vidinha)”.

02
Abr12

Até eu já estou farto da história do Sócrates

Basta andar uns quantos posts para trás, neste blog, para se perceber o que penso sobre o consulado do Engenheiro Sócrates e o mal que fez a este país, sabe deus por quanto tempo, e com que profundidade. De acordo, portanto, quanto ao crime de lesa-pátria.

Mas uma vez que a legislação vigente não permite levar à barra do tribunal os que nos governaram mal, de forma negligente, tantas vezes deliberadamente – e, pelo contrário, sugere e convida a que lhes sejam concedidos bons empregos públicos e privados (os primeiro no âmbito do centrão, os segundos para pagar os favores feitos enquanto governavam...) -, também acho que já é tempo de parar o chinfrim à volta do ex-primeiro-ministro. Começa a parecer a história do “agarrem-me senão eu bato-lhe”...

Das duas, uma: ou arranjam forma de levar o senhor, mais os seus ajudantes de campo, aos tribunais – ou, se não conseguem fazê-lo, nem têm coragem para mudar a legislação no sentido de prevenir o futuro (que se adivinha, infelizmente, demasiado parecido com o passado...), deixam de agitar a bandeira que tudo explica e justifica.

É muito fácil condenar o passado sem mudar as leis que podiam prevenir um futuro igualzinho a esse mesmo passado. Mas é isso que vou vendo num Governo que já teve tempo de sobra para dar o exemplo.

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Blog da semana

Mesa do ChefePara quem, como eu, gosta de cozinha, gastronomia e restauração, este é mais um dos poisos certos...

Uma boa frase

O Insurgente“Isaltino Morais: perda de mandato autárquico; condenado a 9 anos de prisão por fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais. Resultado 2017: 41.7% Esta é a imagem do país. Em suma, temos o país que merecemos, com os políticos que merecemos, com o fado que merecemos." Mário Amorim Lopes

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