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Pedro Rolo Duarte

06
Jul12

“O Pudim Central”

 

Um artigo de Rui Rangel (em boa hora me corrigiram: era Paulo Rangel, claro), no “Público”, evocando Maria José Nogueira Pinto – cuja saudade partilho com o juiz -, provocou-me uma corrente de ar que me levou ao livro “Os Dias de Amanhã”, que reúne o essencial do que Victor Cunha Rego escreveu nas páginas do Diário de Notícias. Dou comigo a ler páginas e páginas de pequenas e deliciosas obras de arte no domínio da crónica. Além da capacidade inteligente da síntese, do estilo, do talento, as ideias – e o pior de tudo: a verificação de que quase nada mudou nos últimos vinte anos.

Os mesmos problemas. Os mesmos dramas. As mesmas negligências. As mesmas incompetências. Até o mesmo FMI e um Cavaco não muito diferente do que hoje temos.

A páginas tantas, um título deixou-me a sorrir: “O pudim central”. Este bocado: “Com o capital a centrar na moeda única a batalha final de um imenso triunfo, faltam à direita outros objectivos e um discurso de autoridade. A esquerda está destroçada, mas a direita dos interesses reduziu demasiado a direita sociológica a o seu discurso político. É por isso que se recorre tantas vezes à convergência num bloco central mais eficaz quando não é formalizado. É por isso que o pudim está em cima da mesa. É por isso que não há culpados em Portugal”.

A falta que me faz a lucidez de Victor Cunha Rego é como a falta que me faz a visão descomplexada de Maria José Nogueira Pinto. Em ambos os casos, tenho a certeza de que não gostariam de ver o Portugal que estamos. Admitindo, num remoto optimismo, que este não é o Portugal que somos.

03
Jul12

Menos 73 500

Sempre que a Associação que controla as tiragens e as vendas da imprensa revela números, os meios de comunicação entram em delírio e parecem partidos políticos em noite eleitoral: todos ganham. Mesmo quando é óbvia a sangria desatada, os titulos das noticias sobre esta matéria oscilam entre “somos lideres” e “somos o único jornal/revista que cresce em período homólogo”. O período homólogo dá cá um jeitaço...

Ou porque não perdem, ou porque perdem pouco, ou porque a comparação segundo o critério Y os favorece, ou apenas porque sim, a verdade é que não há derrotas nesta competição, mesmo que tal facto coincida com despedimentos ou descontos na publicidade. Parece que há níveis de realidade distintos, em camadas, quando se fala de tiragens e vendas de imprensa. As piores notícias podem sempre ser boas.

É triste, mas é assim. E falamos de notícias de jornais...

Tenho tendência a ler tudo, sorrir aqui e ali, e depois seguir, no noticiário, o Correio da Manhã, porque é o jornal que apresenta a que me parece mais fiável das contabilidades: a venda em banca, isto é, os exemplares que se vendem diariamente ou semanalmente na rua, nos locais de venda, nos quiosques. Isto exclui assinaturas – que podem ser relevantes, mas não reflectem a tendência efectiva do momento que vive o mercado -, e vendas em bloco (para a TAP, para empresas, etc), que são negócios laterais ao interesse efectivo dos leitores.

Dito isto, e num ambiente em que, nas noticias publicadas, todos vencem, a realidade é só uma. Esta: nos 10 meios de imprensa mais vendidos em Portugal, entre diários generalistas e desportivos, semanários e revistas, perderam-se, NA VERDADE, entre 2011 e 2012, 73500 compradores de imprensa.

É um número pesado. Superior às vendas médias de oito dos dez mais vendidos. Qualquer coisa como se, de um ano para o outro, o “Expresso” passasse a vender 6000 exemplares em banca, em vez dos actuais (escassos, se olharmos para a história do jornal) 79943 exemplares.

Se é compreensível esta queda brutal na imprensa diária – vencida pela net, pelas rádios, pelas TVs, pelas redes sociais, em todas as frentes -, é claramente um sinal de ineficácia dos semanários e das revistas, que têm nas mãos o mercado, o potencial, o futuro, e preferem seguir as receitas que as novas tendências de consumo condenam e rejeitam.

Pertenço ao cada vez maior grupo de profissionais que defende que a imprensa em papel vai ser a jóia da comunicação nos próximos anos. O ouro. O diamante lapidado. Só a melhor imprensa, a de excepção, a de nicho, a de paixão (nem que seja por um artista ou clube de futebol...), vai sobreviver ao digital e à virtualidade. Os nossos semanários, as nossas revistas, já deviam estar a trabalhar esta nova abordagem de um velho mercado. E já deviam estar a reinventar o seu universo e negócio. Os velhos paradigmas morreram lá atrás. Ninguém quer ver o óbvio?

01
Jul12

No Livro de Reclamações...

Há uma companhia de seguros chamada Liberty que decidiu comemorar os seus 100 anos de vida no mundo moendo o juizo a todos os que moram nos arredores do Parque do Inatel, em Alvalade, Lisboa. Das canções melosas de André Sardet a locutores improvisados que dizem "a genta vamos", passando por improvisados jogadores de futebol aos gritos e fogo de artificio, e não esquecendo discursos a agradecer aos "colaboradores" que constituem "a família Liberty", tem valido tudo desde manhãzinha cedo.
Para mim, só uma certeza: nem que me paguem vou fazer um seguro na Liberty. E acho que o Inatel devia ter respeito por quem mora nas suas imediações. Mas já é pedir muito, respeito pelo vizinho do lado e festas barulhentas em lugares que não incomodem terceiros, não é?

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Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

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