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Pedro Rolo Duarte

15
Out12

Análise politica

A análise política, no fundo, é muito fácil. Conforme nos dê jeito ou vá com a nossa tendência, podemos dizer:

 

1. O PS ganhou as eleições nos Açores porque a herança positiva de Carlos César se transferiu para o seu sucessor.

2. O PSD perdeu as eleições porque os eleitores não resistiram a contestar, numa eleição regional, as medidas de austeridade do Governo central.

3. O PS manteve a maioria absoluta porque mais de metade dos açorianos não foi votar.

4. O PSD não ganhou porque mais de metade dos açorianos não foi votar.

5. Berta Cabral foi vítima de Passos Coelho.

6. Berta Cabral demarcou-se demasiado de Passos Coelho e os sociais-democratas preferiram ficar em casa.

7. Os Açores são “um caso à parte”.

8. Vasco Cordeiro provou que era possível contrariar o “mota amaralismo”.

9. Carlos César não é como Mota Amaral.

10. Berta Cabral ganhou cedo demais.

11. Vasco Cordeiro provou que quem ganha cedo demais perde no fim.

12. António José Seguro teve a sua primeira vitória eleitoral.

13. São eleições regionais, António José Seguro não ganhou nada.

 

E por aí fora. Deve ser por isso que cada vez penso mais para dentro, e menos para fora. Quando vale tudo, no fundo nada vale.

13
Out12

Acaso existirão os portugueses?

 

Tropecei neste clássico de Carlos Drummond Andrade e ensaiei lê-lo “à portuguesa”, isto é, substituindo o Brasil e os brasileiros por Portugal e os portugueses. E fez tanto sentido que me arrepiei. Fica o original para quem quiser fazer o exercício que eu fiz...

 

Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas,
com a água dos rios no meio,
o Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.

 

O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonnettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas.

 

Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.

 

Cada brasileiro terá sua casa
com fogão e aquecedor eléctricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.

 

Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...

 

Precisamos adorar o Brasil.
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos...
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.

 

Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

08
Out12

A ironia dos lugares

 

Quis a vida que voltasse a passar recentemente pela Rua Gregório Lopes, Restelo, onde nasceu a nossa boa velha revista K – ou Capa, em rigor... -, aquele rés-do-chão com mezzanine incluída que assistiu a tanta euforia, caos, divertimento e... vá, trabalho também!

O destino quer-se irónico e divertido – no mesmo lugar onde nós, um verdadeiro “bando de pardais à solta” (!!!), criámos e quase matámos a revista (fomos matá-la para outras bandas...), brilha agora uma clínica que promete bem-estar e garante terapia... Não deveria ter sido ao contrário? Nós internados na clínica e depois a revista?

Não interessa nada. Mas que me ri com a descoberta, ri.

04
Out12

O passe-vite ou a picadora

Quando era miúdo, lembro-me de ver estas duas maquinetas a trabalhar na cozinha. Uma, o passe-vite, esmagava batatas e transformava-as na base do puré. A outra, picava a carne que dava origem a bons hambúrgueres caseiros. Nunca mais vi maquinetas destas – mas ao ouvir ontem o Ministro Vítor Gaspar, lembrei-me delas. Não sei como me sinto – mas sei que me sinto qualquer coisa entre uma batata esmagada e um bocado de carne a ser picada devagarinho.

E recuando aos tempos em que via o passe-vite e a picadora na cozinha de casa dos meus pais, penso que passaram trinta anos – no meu caso, foi o tempo de ir da mais absurda, apaixonada e ingénua convicção ao mais absurdo, sábio e sabido cepticismo.

Em resumo, é esta a história deste tempo.

 

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Blog da semana

Gisela João O doce blog da fadista Gisela João. Além do grafismo simples e claro, bem mais do que apenas uma página promocional sobre a artista. Um pouco mais de futuro neste universo.

Uma boa frase

Opinião Público"Aquilo de que a democracia mais precisa são coisas que cada vez mais escasseiam: tempo, espaço, solidão produtiva, estudo, saber, silêncio, esforço, noção da privacidade e coragem." Pacheco Pereira

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