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Pedro Rolo Duarte

28
Nov12

É oficial: acabou.

(Depois da entrevista, na TVI, ao Primeiro-ministro)

 

Quando eu votei nestes senhores, não votei nesta politica, nesta deriva neoliberal verdadeiramente selvagem, neste autismo politico e social.

Votei numa alternativa que afinal não existe, em solidariedade social que desapareceu do mapa, em responsabilidade politica que morreu na praia.

Resumindo: já não tenho mais ninguém em quem votar. Acabou.

27
Nov12

Em arrumações... (III)

 

Mais uma fotografia em que tropecei.

O ano: 1994. Da esquerda para a direita: Alberto Castro Nunes, Carlos Quevedo, Miguel Esteves Cardoso, e eu, alcunhado de "mosca", porque batia as asas com facilidade quando chegava a minha hora de recolher nas noitadas de Lisboa... Este quarteto era apenas parte da vasta pandilha que, entre "O Independente" e a "K", fazia questão de se divertir e trabalhar em simultâneo...

Nesta ocasião, estávamos bem vestidinhos porque um de nós casava nesse dia. Não interessa quem...

A verdade: nós ríamos todo o dia, todos os dias. E ainda trabalhávamos. Foi um prazer que raras vezes se repetiu depois deste tempo.

Mas sempre uma esperança, e uma certeza: quando queremos, e alguém quer connosco, temos.

26
Nov12

Em arrumações... (II)

 

Não sei porquê, mas esta fotografia, do  arquivo do meu pai, está cá em casa.

E está bem: apetece emoldurar a beleza serena (ía dizer nostálgica, pelo olhar...) de Elizabeth Taylor, e apetece estudar ao pormenor a iluminação escolhida pelo fotógrafo (não identificado, é uma fotografia de promoção da Warner Bros), a pose, a maquilhagem.

A fotografia será sempre mais do que um formato, por mais formatos que lhe inventem.

24
Nov12

Em arrumações...

 

Entre muitas edições da “Flama”, onde o meu pai colaborou e por isso faz parte dos meus registos de infância, encontrei esta fotografia e o meu sábado ficou com uma pergunta no ar: e se “isto” que se vê nesta imagem tivesse dado certo?

 

(até fica bem, amanhã é 25 de Novembro...)

21
Nov12

A cantiga do desgraçadinho

Uma matéria do Público, editada na segunda-feira, e que podem ler integralmente aqui, começava assim: “Há semanas, a cantora Teresa Salgueiro, ex-Madredeus, actualmente com carreira a solo, lamentava na sua página do Facebook a "grande dificuldade" que as rádios de cobertura nacional revelavam na passagem do seu álbum O Mistério. O assunto não é novo. Há muito que músicos portugueses sentem que as rádios deveriam ter um papel mais activo na divulgação da música portuguesa e nem mesmo a imposição de quotas obrigatórias parece ter alterado esse sentimento”.

Seguia-se uma página de jornal de lamento e critica porque a rádio não divulga música portuguesa. É certo que, no meio da matéria, lá se dizia que a Antena 1 passa 90% de música portuguesa, que a Antena 3 passa mais de 40%, que há uma Rádio Amália (privada) exclusivamente cantada em português, para citar os três exemplos mais flagrantes.

Mas a verdade é bem mais simples: nunca, como hoje, a rádio constituiu o veículo mais aberto a todas as espécies de música. Longe vai o tempo em que o jazz ou o fado estavam confinados a programas esotéricos a horas indecentes. Longe vão os tempos em que as programações das rádios eram dominadas por uma elite de promotores de editoras multinacionais. Longe vão os tempos da ditadura musical das rádios, que efectivamente menosprezava alguma música portuguesa. E digo longe, contra mim falando, que sou desse tempo e sei que foi há muitos anos, o que me coloca numa improvável posição de sénior na matéria. Não interessa nada.

Hoje, das rádios exclusivas da net às estações temáticas, das rádios públicas às estações especializadas, para todos os tipos de consumidores, idades, estilos, tendências, só não “passa” numa rádio “perto de si” (ou “perto do seu computador”), quem realmente tem pouco para cantar, dizer, ou fazer.

É de uma tremenda injustiça – chega a ser desonesto faze-lo... – acusar a rádio de não divulgar a produção nacional. Qualquer das grandes revelações dos últimos anos, de Carminho a Luísa Sobral, dos Deolinda aos Real Combo, dos Ovelha Negra aos The Soaked Lamb, podem desmentir esta acusação.

Mas o discurso de alguns artistas – que eu já ouvia quando me meti nestas alhadas, há 30 anos... – muda menos do que o discurso dos políticos com quem aparentemente aprenderam.

Lá está: aprendem com quem não devem. Até porque, na maioria dos casos, dão muito melhor música do que os professores que lhes ensinam os mais velhos chavões da cantiga do desgraçadinho.

18
Nov12

Oh meu Deus…

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. A edição de Dezembro já está aí nas ruas...)

 

“Se Deus existisse, o meu pai não teria morrido e eu não seria o homem mais infeliz do mundo” – li esta frase aos 14 anos, talvez cedo demais, no livro “Um Homem Só”, de Roger Vailland, um escritor libertino excessivamente promovido lá pelo final da década de 70 do século passado. Nunca mais me esqueci dela. Arrasta-se atrás de mim como uma divida, e já me serviu para entrevistas com eméritos padres, debates sobre religião, e até discussões filosóficas sobre o sentido da vida. Tenho a certeza de já a ter usado numa crónica aqui, nestas páginas.

Uso a frase como se de uma bengala se tratasse e dela precisasse – da mesma forma que olho a fé como uma corrimão para a vida de quem a tem, e invejo não conseguir essa revelação. Os estudos dizem que quem tem fé vive mais anos – e eu, que a não tenho, acredito que sim, que prolonga a vida. Dá sentido ao que muitas vezes nos parece sem sentido, ajuda-nos nos momentos mais difíceis, é fonte de alegria e de comunhão. E mais, muito mais, tem em si beleza e estética, seja nos templos ou na arte, na escrita e até nas orações. Daria um bom católico, se conseguisse acreditar.

Não conseguindo, resta-me crer nos homens – o que a cada dia se torna mais penoso… -, e na capacidade de sermos todos os dias um pouco melhores. Nem por isso deixo de querer perceber em que acreditam os que têm fé, e nas últimas semanas dediquei-me a ler aquele que é considerado um dos melhores tratados, para pessoas comuns, sobre as mais relevantes religiões. São perto de 500 páginas que Huston Smith publicou originalmente em 1958, e cujas sucessivas reedições comprovam a validade. O titulo: “A Essência das Religiões”. Do budismo ao islamismo, do confucionismo ao catolicismo, o quadro histórico, filosófico, ideológico e religioso de cada credo é-nos mostrado sem dogmas, mas também sem piedade. Com História e fundamento, mas num quadro aberto que não dá espaço ao bocejo. Deus, se existir, sabe quanto eu bocejo com livros aborrecidos…

Bom, aqui chegado, e perante um quadro de religiões que, mesmo quando partem de um mesmo Deus, inevitavelmente divergem em questões fulcrais, é enorme a tentação de responder à pergunta: e qual destas formas de ver a vida, o Homem, me diz mais? Me toca mais perto e mais fundo? Como se de um jogo se tratasse, não resisto a alinhar. A resposta é fácil, porque demasiado óbvia: o hinduísmo. A religião do amor, a religião que respeita as nossas qualidades e defeitos, que respeita as diferenças e a individualidade, ainda que promova a humildade e a aceitação do outro. A religião que defende o prazer da vida e que nos diz algo como “se quiseres, podes ter”, apelando ao ser, ao saber, e à alegria da vida. Tudo no hinduísmo faz sentido, mesmo quando reconhecemos que o ser humano é mais imperfeito do que os pressupostos das ideias puras.

Na verdade, lendo “A Essência das Religiões”, encontramos em todas boas ideias e razões para acreditar, seguir ou confiar. Não há religiões más – mas há quem faça de boas religiões, más condutas. E é nessa separação primordial, entre pessoas e a fé que perfilham, entre o que juramos e o que fazemos – e lá vem a clássica “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”… -, que perco o corrimão e não me agarro a mais do que a minha pobre realidade diária.

Gostava de acreditar. Por mais voltas que dê, não vejo que os princípios, os ensinamentos, as premissas, correspondam à vida de quem se entrega à fé. E volto ao principio: “Se Deus existisse, o meu pai não teria morrido e eu não seria o homem mais infeliz do mundo”. É isso.

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Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

Uma boa frase

“Se isto fosse no tempo do Sócrates, a esta hora o Trump já tinha em cima da mesa uma proposta da Mota-Engil para a construção do muro. Com financiamento do BES e projecto do Siza Vieira." Rui Rocha, Delito de Opinião

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