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Pedro Rolo Duarte

31
Jan13

“Quem é fraco com os fortes acaba sempre sendo forte com os fracos”

Quer se goste ou não da sua forma intempestiva de viver a coisa pública, há que reconhecer ao Bastonário da Ordem dos Advogado, Marinho Pinto, a coragem de dizer o que pensa sem papas na língua, e de não ter medo das instituições e corporações que o cercam e presumivelmente condicionariam.

Como se costuma dizer, ninguém o leva preso.

Ontem, no seu ultimo discurso como Bastonário dos Advogados, na abertura do Ano Judicial, e perante as mais altas entidades do Estado, Presidente da Republica incluído, Marinho Pinto abriu fogo sobre tudo e todos e disse alto e bom som bem mais do que a maioria pensa baixo. Foi incómodo, assertivo e deixou a sua marca bem prensada naquela sala cheia de protocolos e paninhos quentes.

Vale a pena ler na íntegra o seu longo discurso, disponível aqui. Mas não resisto, mesmo alongando o post para lá do recomendável, a deixar-vos quase toda a parte final das suas palavras. No mínimo, deixam-nos com o sabor amargo das verdades incómodas.

Como se não bastasse, deixar ecoar no Supremo Tribunal de Justiça as palavras do poeta Ary dos Santos...

 

“Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:

cabeçudo dromedário

fogueira de exibição

teorema corolário

poema de mão em mão

lãzudo publicitário

malabarista cabrão.

Serei tudo o que disserem:

ADVOGADO castrado não!”


... É ousado e corajoso, e vai contra a corrente das falinhas mansas tão em voga nos dias de hoje. Populista, Marinho Pinto? Talvez. Mas mais vale um populista que diz verdades e enfrenta poderes, do que muitos antipopulistas escondidos no vazio do politicamente correcto.

Leiam-no, que vale a pena:

 

“Há dois mil anos, na Palestina, um homem inocente foi condenado à morte por uma multidão de pessoas fanatizadas.

Antes foi preso, interrogado, torturado, humilhado e julgado diante da turba de justiceiros que ululava pela sua condenação.

O julgamento, a sentença e a sua execução foram rápidas e exemplares.

Não houve, como agora se diz, manobras dilatórias, nem excesso de garantismo, nem outros expedientes que atrasassem ou dificultassem a justiça que todos queriam.

Tudo aí se processou segundo um modelo que foi usado durante séculos e que alguns quererem hoje recuperar.

E se aqui, hoje, invoco, esse julgamento não é pelo facto de o arguido estar inocente, pois sempre houve e haverá inocentes condenados.

Não é pelo facto de, em troca da sua condenação, um criminoso ter sido libertado, pois sempre houve e sempre haverá culpados que escapam à justiça; e sempre que um inocente é condenado há um culpado que fica impune.

Também não é pela brutalidade da condenação, pois essas sentenças sempre foram as preferidas das multidões e dos justiceiros.

Não é também pela convicção dos julgadores sobre a culpabilidade do acusado, pois as turbas são sempre irracionais e só têm certezas.

Não é sequer pela tortura e pela humilhação pública do acusado, pois essas práticas também continuaram a existir durante séculos e continuam hoje em alguns estados modernos que se dizem democráticos e de direito, como o nosso.

O que ainda hoje me arrepia naquele julgamento é o facto de não ter havido ninguém que erguesse a sua voz em defesa do acusado.

De não ter havido ninguém que invocasse uma atenuante - pequena que fosse - para amenizar um pouco a brutalidade da sentença que se anunciava.

O arguido foi preso, interrogado, julgado e condenado em processo sumário, sem qualquer defesa.

Ali estava ele, sozinho, perante uma multidão de acusadores embriagados com as suas próprias certezas e ululando pela rápida execução de uma sentença que eles próprios proferiram, enquanto o juiz, que até tinha dúvidas sobre a sua culpa, acabou lavando, cobardemente, as mãos, para não prejudicar a sua imagem pública.

Ninguém foi capaz de um só gesto em defesa daquele homem; até aos seus amigos mais próximos faltou a coragem para uma simples palavra de conforto e de solidariedade.

Se aqui invoco esse terrível episódio é porque também há, hoje, em Portugal, quem sobreponha a rapidez do julgamento à ponderação da justiça; quem queira que crimes graves sejam julgados em processo sumário.

Se invoco, aqui, esse julgamento é porque, hoje, em Portugal está a tentar criar-se um ambiente um ambiente político e social que impede os acusados de exercerem os seus direitos de defesa – que iniba outras pessoas, incluindo os advogados, de os defenderem.

Alguns acusados são, hoje, enxovalhados na praça pública sem qualquer possibilidade de defesa.

A multidão de há dois mil anos foi hoje substituída por uma turba mediática onde se destacam, magistrados, polícias, jornalistas e os justiceiros que enchem as caixas de comentários on-line.

Simples suspeitos são condenados sem apelo nem agravo nos modernos pelourinhos em que se transformaram certos órgãos de comunicação social, sem que sobre eles tenha sido emitido qualquer veredicto formal de culpabilidade.

Políticos sequiosos de popularidade fácil, jornalistas moralmente corrompidos, polícias fundamentalistas, magistrados indignos da sua função – todos convergem para gerar o ambiente social que exige sempre penas mais pesadas, medidas de coacção mais duras e, sobretudo, para criar as condições de coacção psico-social propícias a que só se ouça ou se acredite na versão dos acusadores.

Todos se unem na tentativa de fazer gerar na opinião pública a ideia de que sãos os direitos dos cidadãos que estão a mais no nosso sistema judicial; que é o exercício processual desses direitos que entrava o funcionamento da nossa justiça.

O uso dos mais elementares direitos de defesa é apontado por eles como a causa dos principais males da justiça portuguesa.

Os Advogados, aqueles que detêm a missão constitucional de defender em juízo os direitos das pessoas, são desqualificados no discurso oficial deste governo e desvalorizados nos nossos tribunais. 

Eles são, por vezes, anatematizados e, até, silenciados nas salas de audiências dos tribunais por pequenos ditadores travestidos de magistrados.

Se o recurso de um cidadão contra uma decisão judicial que o prejudica tem de ser feito em alguns dias, pois senão perde-se o direito de recorrer dessa decisão, e se a apreciação desse recurso demora muitos meses ou anos – o que faz o governo e a Assembleia da República às suas ordens para corrigir esse atraso?

Acaba com o direito de recurso ou restringe-o gravemente, em vez de criar condições para que os magistrados os decidam mais depressa.  

Esta é a metodologia que este governo e a maioria parlamentar que o apoia estão seguir em matéria de justiça.

Quem é fraco com os fortes acaba sempre sendo forte com os fracos.

(...)

Contra tudo isso, contra essa subcultura que desqualifica o papel do advogado na administração da justiça, daqui ergo a minha voz.

Daqui denuncio também o populismo primário subjacente ao discurso das «manobras dilatórias» e do «excesso de garantismo» com que este governo e seus seguidores na comunicação social e nos tribunais têm vindo a intoxicar a opinião pública.

Não há excesso de garantias nas nossas leis.

O que há são demasiadas violações dos direitos dos cidadãos – dos direitos humanos - em alguns interrogatórios policiais (sem a presença de advogado), em algumas prisões, e até em algumas salas de audiência.

O que há em abundância no nosso sistema de justiça é o fundamentalismo justiceiro de muitos magistrados e polícias, de alguns políticos e de demasiados jornalistas.

O que há em excesso em Portugal é humilhação pública dos arguidos, condenados ou não.

O que há em excesso no nosso sistema de justiça é desrespeito pelos princípios do contraditório e da imediação; é desrespeito pelos cidadãos e pelos seus mandatários.

O que há em excesso no nosso sistema de justiça são alterações legislativas e cada vez mais leis com cada vez menos qualidade.

É hora de terminar.

Fez ontem, precisamente, seis anos que aqui discursei pela primeira vez como Bastonário da Ordem dos Advogados.

Faço-o hoje pela última vez nessa veste e, devo dizê-lo, com qualquer outra, pois dificilmente aqui voltarei, o que, aliás, vai agradar a muitos, incluindo a mim próprio.

Sinto aproximar-se o fim de uma longa caminhada.

Às vezes tenho uma estranha sensação de plenitude e outras um sentimento de vazio.

Sinto que aqui disse tudo o que havia para dizer; sinto que disse tudo o que devia ser dito.

Um advogado não existe para agradar mas sim para incomodar.

Um advogado existe para fazer tudo aquilo que faltou naquele julgamento de há dois mil anos e não permitir que os julgamentos sejam tão rápidos; existem para estar ao lado dos seus constituintes sejam eles vítimas, acusados ou condenados; existem para enfrentar todos os justiceiros.

(...)

Quando pensei na melhor forma de terminar esta série longa de discursos, quase sempre, fui parar ao regaço protector de um poeta, à companhia reconfortante da poesia.

 Umas vezes fui seduzido pelo arrebatamento demolidor de Jorge de Sena:


«Estão podres as palavras - de passarem/por sórdidas mentiras de canalhas/que as usam revés como o carácter deles»./E podres de sonâmbulos os povos/ante a maldade à solta de que vivem/a paz quotidiana de injustiça».


Em outras inclinei-me para a suavidade lírica de Camões:


«Oh como se me alonga de ano em ano/A peregrinação cansada minha! /Como se encurta, e como ao fim caminha/Este meu breve e vão discurso humano»!


Lembrei-me até de repetir o grito flamejante do cantor brasileiro, Cazuza:


«Meus heróis/Morreram de overdose/Meus inimigos/Estão no poder»


Mas acabei por escolher a exaltação clarificadora de um poema de José Carlos Ary dos Santos, a que apenas alterei uma palavra.

Por isso, porque este tribunal é, hoje e agora, o sítio certo para se dizer estas coisas, digo-vos que

 

«Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:

cabeçudo dromedário

fogueira de exibição

teorema corolário

poema de mão em mão

lãzudo publicitário

malabarista cabrão.

Serei tudo o que disserem:

ADVOGADO castrado não!»

 

António Marinho Pinto

Bastonário da Ordem dos Advogados

 

 

28
Jan13

Coisas que nunca interessaram aos governos de Portugal

“O nosso principal falhanço foi não assegurar um nível de educação ao nível da escolaridade obrigatória. A qualidade de um país é criada ao longo de gerações pela média do país. Não são as elites que criam o país. A média do país é o lastro do país. Para nós é critico assegurar que a esmagadora maioria das pessoas tenha acesso a uma educação e elevar o nível geral do país. Nesse aspecto falhámos rotundamente. Quer em relação à média dos países da Europa quer face às economias dos países emergentes. (...) É verdade (que) há mais pessoas com acesso ao ensino (superior), o que se reflecte em maiores despesas em educação. Mas o nosso problema é um problema de qualidade. (...) Deveríamos lançar programas que ao fim de duas décadas tivessem como consequência existirem professores altamente qualificados e melhores alunos, capazes de dar saltos qualitativos no futuro. Serão essas pessoas as mais preparadas. Isso leva 15 a 20 anos e preparar. É uma questão estratégica para o país”.

 

Horta Osório, entrevista ao Expresso.

25
Jan13

O “novo” sexo

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. A deste mês já está à venda, e bem, com a capa que aí mostro...)

 

Sim, eu também fui ler “As 50 Sombras de Grey”. São mais de 40 milhões de livros vendidos em todo o mundo, é uma saga que arrasta leitores do primeiro para o segundo volume, e daí para o terceiro, está a ser adaptada ao cinema, e não quis ficar de fora. Em todos os sentidos.

Quis perceber o fenómeno, quis entrar no universo que tem extasiado tantas mulheres, e quis ver até que ponto a vida sexual da minha geração tem sido desinteressante ao ponto de cativar leitores para um livro onde o sexo é quem mais ordena. Ou, numa pergunta: que tipo de sexo, ou de linguagem, ou de fantasia, poderia atrair para estes livros a geração a que pertenço?

Sei bem que são três volumes e o meu interesse morreu no primeiro – mas também sei que não estava sozinho. Mais ou menos ao mesmo tempo, amigas e amigos liam E.L.James, debatiam o livro, e boa parte deles chegava ao mesmo fastio a que cheguei...

... Na verdade, o primeiro volume da saga escrita por E.L. James é uma mistura de novela da Globo com Casa dos Segredos: tem tanto de amor proibido como de voyeur, e tudo radica nos universos onde se movem as personagens - uma pobre no universo de um rico, uma novata nas mãos hábeis de um sabido, uma virgem no mundo do mais ligeiro Sado-masoquismo. Ora, isto é o segredo da telenovela: misturam-se os extremos e dá drama, dá confronto, dá emoção. Logo, dá história.

Mas não dá mais nada. Se realmente quisermos falar de sexo e literatura, ou de erotismo e literatura, mais vale ir aos clássicos, de Henry Miller a Nabokov, passando pela incontornável Anais Nin, todos eles mais ousados e menos óbvios do que os corredores das sombras de Grey – ou então cair no outro lado do colchão e recuperar Catherine Millet, a mulher que descreveu a sua vida, muito vivida, em A Vida Sexual de Catherine M., totalmente escancarada, no melhor e no pior.

Porém, apesar do eventual exagero à volta da trilogia, parece-me que o fenómeno Grey é apenas a ponta do iceberg de algo mais interessante – aquilo que a revista (feminina) de sábado do jornal El Pais abordou recentemente sobre o mote “o novo papel da mulher (no sexo): de objecto passivo a sujeito activo”. Já sabemos como se faz jornalismo neste patamar - a palavra “novo” atrás de qualquer outra ganha dimensão de “dossier de imprensa”: o “novo sexo”, a “nova velhice”, os “novos jovens”, o “novo mundo”. O “novo” é a mais velha palavra que renova as matérias que já ninguém suporta...

Dito isto, lido o dossier do El País, com o sucesso Grey à mistura, e passando pelos estudos que se vão fazendo sobre o pasto para toda a espécie de envolvimentos que plataformas como o Facebook e o Badoo constituem, é indiscutível que o sexo, a nossa vida sexual, voltou a estar em cima da mesa, para debater ou apenas redescobrir. Dizem que os momentos de crise são dados à depressão – mas também dizem que são dados ao excesso, ao “perdido por cem, perdido por mil”. Não deixo de notar o regresso em força do culto da homossexualidade feminina na moda e na publicidade, e o número dos que vem defender que toda a sexualidade é, afinal, bissexual, aumenta de tal maneira que começa a ser difícil escapar a esta onda.

Está a começar um novo ano, dizem que vai ser o pior das últimas décadas. Apesar de tudo, mantenho uma réstia de esperança e luz: se for o ano de todos os pecados, se for o ano que prolongue para norte do Equador a velha frase de Chico Buarque – ele cantava “Não existe pecado do lado de baixo do equador/ Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor”... -, podemos pelo menos dar largas à fantasia, à imaginação, e não cair na asneira de dar razão ao actor Kevin Costner, que sobre o que é realmente importante na vida, disse: “a água fresca é tudo”. Não, não é. E não são precisas sombras para ter a certeza...

24
Jan13

Saída nenhuma

Depois do “nosso português” Baptista na ONU, vem a história de Carlos Mulas Granados, e parece que estamos no domínio da loucura assumida e consagrada. Um dos autores do estudo do FMI sobre Portugal – e este facto é verdadeiro... – é afinal um aldrabão que inventou um pseudónimo feminino para receber umas dezenas de milhares de euros extras da Fundação que ele próprio dirigia. Se se derem ao trabalho de seguir o link e passearem pelas matérias que o jornal El Mundo lhe dedica, vão pasmar com o talento de Mulas Granado.

Mas o que daqui resulta é menos a espuma de um aldrabão encartado, e mais a natureza da condição humana. Ainda há dias entrevistava Miguel Sousa Tavares e ele defendia que a circunstância de os políticos serem mal pagos e em geral mal tratados – seja nos media, seja por extensão nas ruas – explica a má governação que temos. Os bons não querem estar por perto – e restam os carreiristas dos partidos e os oportunistas consecutivos. Miguel tem alguma razão – mas quando nos confrontamos com exemplos como este, de um alto quadro espanhol bem pago e bem colocado, cuja ambição não parece ter limites, é no mínimo prudente perguntarmo-nos se a situação seria diferente caso os políticos fossem bem pagos e respeitados.

O que a História nos tem ensinado é que a ambição da raça humana, salvo raras excepções, não tem limites nem obedece a códigos de ética e moral. Assim sendo, estamos condenados a esta sucessão de espantos, e a pontuais momentos felizes em que as leis e os tribunais cumprem o seu papel.

Ou então, de vez, emigrar para os países nórdicos, onde misteriosamente uma mistura de cultura e educação civicas gerou uma população um pouco mais decente. Fora a fuga, não consigo ver outra saída. Ou antes: vejo saída nenhuma.

20
Jan13

A sorte de um momento

 

A fotografia mudou muito com a explosão digital. Nem preciso de chegar ao “Instagram” ou ao “Photoshop” para teorizar sobre o tema e chegar ao lugar-comum do costume: hoje, qualquer um consegue uma fotografia merecedora de espaço em catálogo ou portfólio. Somos todos grandes fotógrafos...

Claro que isto irrita os profissionais, e com razão - porque não é verdade: o talento de um autor está sempre acima da facilidade técnica em obter bons resultados. Está na sua forma de olhar, na intenção, e na busca por um determinado fotograma. Isso carece de cultura, talento, conhecimento e trabalho. Muito trabalho. Basta ver uma fotografia de Inês Gonçalves para perceber o que digo. Ou revisitar os clássicos, felizmente todos online.

Tudo isto para deixar aqui uma fotografia que tirei esta semana, em São Pedro do Estoril, ao meu filho, com uma Nikon D500, já “desactualizada”, sem qualquer espécie de tratamento ou filtro. Gosto muito desta fotografia – mas sou sincero: ela resultou de um feliz acaso que me calhou no caminho. Foi um de muitos disparos. Saiu bem.

Não chamo a isto talento, chamo sorte. Gosto muito da sorte que tive.

Mas sei distinguir a sorte do génio.

19
Jan13

O tempo a mudar

A propósito da ventania que para aí vai: repararam que fechou o clássico Instituto de Meteorologia e Geofisica e agora temos o Instituto Português do Mar e da Atmosfera?

É preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma? Deve ser isso, e mais uns dinheiros para logotipos, papel de carta, sites, um ou dois carros de serviços, meia-duzia de directores. Recursos, dizem eles.

Num próximo Governo mudam tudo de novo, e volta a Meteorologia ao seu lugar, mais a Geofisica.

17
Jan13

Marc e Eddy

Nunca ouvi falar na jornalista Cláudia Bancaleiro, do Público. Provavelmente, é mais uma estagiária de passagem. Mas a forma como entrou no mais delicado tema que me lembro de ter lido nos últimos tempos é sinal de que temos ali jornalista. Sensibilidade e bom senso. Inteligência e rigor. Saber abordar o que por natureza é quase impossível abordar bem.

O título da noticia é tão arrepiante quanto comovente:

 

Marc e Eddy ficaram felizes quando souberam o dia da sua morte


O primeiro parágrafo do texto de Cláudia:

"Marc e Eddy Verbessem, gémeos, surdos, de 45 anos, morreram no passado dia 14 de Dezembro na Bélgica. Morreram por que pediram para morrer. Além da sua surdez, descobriram que estavam a perder a visão e que iriam ficar cegos. Saber que em breve deixariam de poder ver-se e assim perder a única forma de comunicação, um código de linguagem gestual criado pelos dois, foi “insuportável”, segundo a família. Na segunda vez que recorreram aos médicos para que lhes fosse concedida a eutanásia, o pedido foi aceite. Mas num país onde a morte assistida é legal, este foi um caso considerado excepcional, já que nenhum dos homens sofria de uma doença terminal ou dor física permanente. É o primeiro caso de eutanásia de gémeos que se conhece no mundo".

 

Para ler na íntegra aqui. E pensar na coragem e na determinação, na lucidez assombrosa e na paz absoluta, enfim, no que é essencial para que duas pessoas tomem conscientemente esta decisão e os que os rodeiam a respeitem.

Pode haver quem ache abominável – eu acho que revela um patamar superior da civilização. Qualquer opinião, num caso como este, merece respeito. Mas eu não consigo deixar de respeitar, mais do que qualquer opinião, a vontade dos irmãos Marc e Eddy. Juntos agora noutro lado qualquer, nem que seja apenas na memória dos seus próximos.

16
Jan13

Amar o mar

 

Confesso a minha surpresa: não imaginava que um debate sobre o mar português, a forma de o vender, e a marca que pode constituir, mobilizasse mais de duzentas pessoas para o auditório do Oceanário de Lisboa, pequeno demais para acolher tanta gente, obrigando a uma segunda sala de recurso para todos terem lugar. Foi extraordinário testemunhar o sucesso da ideia do Oceanário e da Shift Thinkers.

Durante hora e meia, moderei uma conversa animada, útil, interessante, divertida, rica, que envolveu a plateia e até o Facebook à volta das palavras ditas por António José Correia (Presidente da Câmara Municipal de Peniche), Miguel Gonçalves (Idea Starter), Rita Oliveira (Especialista em Criação e Gestão de Marcas) e Ricardo Diniz (Navegador Solitário).

Foi um final de tarde surpreendente e cheio. Agora, ao longo do ano, uma vez por mês vai ser assim, com painéis diversificados, temas abrangentes – mas sempre à volta do mar – e já percebi que a minha surpresa é apenas ignorância. Há mais mundo para lá do cinzento que diariamente nos mostram os telejornais. Só desconfiava – agora tenho a certeza.

13
Jan13

Olhar e pensar e debater o mar

 

São as conversas Voxmar – “o mar em escuta activa”. Arrancam na próxima terça-feira, dia 15 (entre as 18:30 e as 20:00), no Auditório Mar da Palha, do Oceanário de Lisboa, e vão juntar especialistas e gente que inspira e convoca, debaixo do mesmo objectivo: criar uma nova imagem do Mar Português a partir de perguntas simples.

“Quem é o mar de hoje? Vive do passado ou reinventa-se? A inspiração que vem do mar, ficou-se pelas Descobertas? O mar gera riqueza? É possível ganhar a vida com o mar?” – são estas algumas das muitas questões que a organização conjunta do Oceanário de Lisboa e da Shift Thinkers pretende responder, ou pelo menos pensar e debater, procurando oportunidades e caminhos novos para o mar português, essa riqueza e mais-valia únicas que temos connosco.

Vão ser nove conversas temáticas ao longo de 2013, uma por mês, com mais de 30 convidados, que irão partilhar histórias inspiradoras e boas ideias. O turismo, a gastronomia, a moda, o cinema e as áreas de investigação e inovação das empresas portuguesas fazem parte da ementa desta iniciativa que vou ter o privilégio de moderar no palco do Auditório. Uma terça-feira de cada mês, sempre entre as 18:30 e as 20:00. Aberto a todos, mediante inscrição gratuita aqui ou aqui.

Esta primeira conversa vai procurar respostas à pergunta “Como Vender o Mar Português” e conta com a presença de António José Correia (Presidente da Câmara Municipal de Peniche), Miguel Gonçalves (Idea Starter), Rita Oliveira (Especialista em Criação e Gestão de Marcas) e Ricardo Diniz (Navegador Solitário).

Fica o aviso, o convite e uma certeza: o mar português é tão grande quanto a vontade de o tornar maior. Ou seja: é infinito. E é nosso. Venham daí...

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Blog da semana

O Diplomata. Dez anos de blog é obra. Alexandre Guerra festeja, e com razão, um espaço de reflexão, análise e opinião do mundo político internacional. Merece o bolo.

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