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Pedro Rolo Duarte

31
Mai13

O apelido Sousa Lara dá sempre cenas esquisitas...

Cito, do Correio da Manhã:

 

"Duarte Sousa Lara, que é pároco de Folgosa, Desejosa e Valença do Douro, na diocese de Lamego, diz que "o aumento dos casos de pessoas com graves distúrbios espirituais tem a ver sobretudo com a paganização que grassa na Europa e com o incremento das práticas de bruxaria, feitiçaria, ciências do oculto, rituais satânicos e coisas desse género". "Tantas coisas que agora estão muito na moda, como o yoga, o reiki ou outras formas de exercício espiritual, são caminhos facilmente percorridos pelo demónio. É preciso ter muito cuidado com essas coisas", adverte".


Onde já anda o pacato e inocente Yoga, meu deus...

26
Mai13

Palhaços somos nós

Palhaços temos sido todos nós, que elegemos consecutiva e militantemente aqueles que depois nos enganam com a sua incompetência e negligência; aqueles que não sabem governar ainda que saibam governar-se; aqueles que fecham os olhos ou negoceiam de olhos bem abertos tudo o que agora pagamos com juros; aqueles que passam pelos pingos da chuva da lei, e depois se sentam tranquilamente nas administrações das empresas que favoreceram; aqueles que nos trouxeram até à miséria em que estamos mergulhados.

Palhaços, sim: todos nós, que os mantemos no poder há quase 40 anos. Presumo que neste caso não seja crime. É sempre assim.

24
Mai13

Sobre o preconceito

(Crónica originalmente publicada na revista Lux Woman. Mais uma à venda desde hoje...)

 

Esta frase já deve ter sido escrita por alguém, provavelmente com maior propriedade, mas só agora a senti na pele: o preconceito é o pai da cegueira. Podia ser o pai da burrice, mas isso implicava um raciocínio mais profundo, e para o caso interessa-me o básico: a cegueira, não no sentido de quem está condenado, mas no sentido de quem não quer ver, é muitas vezes filha do preconceito, ou do complexo.

Foi o que senti quando li uma entrevista recente do estilista Karl Lagerfeld à revista Veja. Enquadremos o tema: a primeira vez que ouvi falar de Lagerfeld foi há 30 anos. Eu tinha 18, ligava pouco ou nada a moda, e vi a fotografia do senhor nos jornais porque lhe coubera em sorte recuperar a marca Chanel, em queda no universo da moda.

A imagem de Karl Lagerfeld, as suas excentricidades, os óculos escuros a esconder o olhar, e uma certa sobranceria na atitude, levaram-me a embirrar com a figura. Desde o primeiro minuto. Não me foi indiferente a crescente influência que os anos 90 lhe trouxeram com a recuperação da Chanel, a sua marca própria, o trabalho na Fendi, mas nem por isso cedi à tentação de perder tempo com a existência de um homem mais popular pelas suas dietas e leques do que por um qualquer momento de mudança no Mundo.

Até ao mês passado, ou seja, até ler aquela entrevista, que assinalava uma passagem breve do estilista pelo Brasil. Subitamente, o vaidosão arrogante cedeu lugar ao trabalhador inteligente; o tonto dos óculos escuros deu espaço ao atento observador; e até o exibicionista primário era afinal um homem discreto.

Comecemos pelo óbvio: um qualquer Karl Lagerfeld não chega ao Brasil dizendo que do país conhece quase nada, a não ser a recordação de um casamento a que foi há 50 anos. Mas ele não apenas assume a sua ignorância, como revela um outro conhecimento: “adoro a sonoridade do português que vocês falam, porque tem uma leveza que não existe no original europeu”. E para que não restem dúvidas de que sabe do que fala: “Aliás, um dos meus autores favoritos é português, Eça de Queiroz”.

Daqui para a frente, a entrevista de Lagerfeld é um monumento de revelações. Quando um “colega” lhe fala de arte na moda, ele pergunta “Como? Deixou de fazer vestidos?”, e com isso explica que moda é negócio, trabalho, e obra de artesão. Quando lhe perguntam pelas memórias (tem 79 anos), ele recusa escrevê-las: “por isso, dou entrevistas”.

Ao fino sentido de humor, Karl Lagerfeld soma sabedoria. Veste sempre preto “porque é mais fácil”. Usa luvas “da mesma forma que as pessoas usam sapatos, para não sujar as mãos e porque é chique”. E a modernidade resulta simplesmente de “ser curioso” e “manter-se informado”. Com a vida, com jornais, com revistas: “Meu Google sou eu mesmo”.

Aqui chegado, recolho as espadas, os argumentos, e acima de tudo o preconceito: aquele homem de imagem andrajosa, que incomoda com a atitude e importuna com a pose, tem por trás daquela fachada ideias, princípios, humor e sabedoria. Uma entrevista bastou para deitar por terra tudo o que, de forma gratuita e ligeira, pensava sobre Karl Lagerfeld.

Na verdade, não é muito importante ter mudado de ideias sobre um estilista que aparece nas revistas – mas talvez tenha alguma relevância pensar que, aplicado ao mundo de cada um de nós, o meu engano seja uma gota de água nos enganos em que permanentemente embarcamos só porque um qualquer preconceito – a roupa, o olhar, a pose, a imagem – nos faz julgar erradamente. Estupidamente.

Se conhecesse Karl Lagerfeld pessoalmente, pedia-lhe desculpa. Como não conheço, aprendo uma lição e faço dela uma crónica. Já não é mau.

20
Mai13

Uma directa há 25 anos

 

 

 

Faz hoje 25 anos, não dormi. Saí tarde da Rua Actor Taborda, e fui para Algés, ver nascer O Independente. Eu e todos os que faziam o primeiro número do novo jornal. Lembro-me do Jorge Colombo a tentar manter a calma enquanto metade do jornal estava por fechar à hora a que já devia estar impresso, lembro-me do stress de Paulo Portas, da alegria do Miguel Esteves Cardoso, e do ar preocupado do Manuel Falcão, do sorriso malandro do João Amaral.

Em rigor, não tinha a noção de estar a participar numa aventura tão rica e relevante para o jornalismo português – era um novo jornal, e isso era tudo num tempo em que, lá está, tudo era possível.

Mas era afinal bem mais: era a primeira grande revolução na imprensa portuguesa depois do 25 de Abril.

Agradeço do fundo do coração o tanto que aprendi em tão pouco tempo. Tenho tanto orgulho em ter passado por lá...

20
Mai13

Ouro

Nos últimos anos, não tenho ido aos Globos de Ouro. Por um lado, deixaram de contemplar as áreas que me diziam respeito – televisão e rádio –, e por outro lado, há cansaço acumulado de muitos anos de festas e festinhas, noites e noitadas... Talvez a PDI ajude.

Nem por isso, no entanto, deixo de, anualmente, ir espreitando pela televisão a noite dos Globos. Ontem, uma vez mais, passei os olhos pela SIC. E uma vez mais vi profissionalismo na produção do programa, empenho e dedicação na forma como tudo decorre, e um produto final digno de um canal internacional de televisão. Como em qualquer gala deste género, há sempre umas cartas fora do baralho e uns cromos que parecem espontâneos que iam a passar na rua do Coliseu. Ainda assim, o programa foi digno, bem produzido, bem realizado, e ao nível do melhor que a SIC nos tem dado nestes 20 anos de vida.

Sendo certo que se nota que há menos dinheiro e maior racionalização de recursos. Ou seja: mais valor para quem produz hoje os Globos de Ouro com verbas que devem ser uma sombra do que já foram.

Em face deste quadro, passar pelo Facebook e ver a quantidade de invejosos, ressabiados, tolos, a comentar e sublinhar apenas os defeitos, as irrelevâncias, as frivolidades, ou o que obviamente pode correr mal numa gala desta natureza, é voltar a cair na realidade: Portugal não vai ser melhor enquanto quem nada faz se entretêm a arrasar quem faz alguma coisa. Triste.

19
Mai13

Aviso à navegação

 

Estes são os "Compota". Tocaram ontem à noite no "Impossible Funky", o "Targus 2.0" que o Hernâni dinamiza na Lx Factory.

Vale a pena estar atento a estes algarvios. Têm tudo para serem futuro de um presente já muito forte. Nas próximas semanas vão andar por ali, é só estar atento ao cartaz do Funky

16
Mai13

Mais uma década

Fui bem enganado: quando entrei nos 40, em 2004, o país era verdadeiramente excepcional e o futuro não era apenas oferecido, era garantido. Exceptuando o sempre visionário Vasco Pulido Valente, que se fartou de avisar que ía acabar mal, toda a gente hiperventilava com este Portugal cheio de presente e de futuro. O país vibrava. Com a Selecção Nacional, que jogava como o caraças; com o que ficara da Expo-98, uma espécie de país moderno em tempo recorde; com o Rock in Rio; com ideias que se podiam concretizar se porventura as tivéssemos – e bastava tê-las, imagine-se!

Em 2004 eu fazia edições do DNA, suplemento do DN, só com fotografias. Ou dedicava cadernos de 32 páginas a reportagens sobre a Índia. Publicava textos de 30 mil caracteres de P.J. O’Rourke e ninguém se queixava. Queria publicar um livro, publicava. Queria fazer televisão, fazia. Queria viajar, lá ía eu.

Em 2004 ainda havia espaço para inventar o Facebook. Em 2004 era tudo tão loucamente possível que até Pedro Santana Lopes conseguiu tornar-se primeiro-ministro.

O problema foi a seguir: o 2006, 0 2007, o descalabro até aos dias de hoje. Entrei nos 40 a bombar, com a certeza de ter uma década de sonho pela frente. Entro de rastos no derradeiro ano da (minha) década. A profissão que escolhi está pelas ruas da amargura, o país está falido (e eu com ele...), o horizonte é pouco menos que negro. Até o corpo se ressente e não parece ser o mesmo.

Fui bem enganado. Se eu soubesse tinha ficado nos 30...

Mas não dá. Tenho então de me despedir dos quarenta, já agora o melhor possível. Começou hoje. Vamos lá a isto, então.

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Blog da semana

Por Falar Noutra Coisa. Humor neste reacordar do blog. Rir é o melhor remédio. Lugar comum indiscutível.

Uma boa frase

“Sucessivos governos ficaram irritados, o actual vai um pouco mais longe, esquecendo que votar é um direito mas nunca uma obrigação. Em países desenvolvidos os cidadãos até votam durante a semana, ao passo que na choldra querem proibir jogos de futebol para obrigar o povo a ir votar." António de Almeida, Aventar

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